Mundial-2026: Caleb Yirenkyi elogia Queiroz e faz história pelo Gana com golo ao Panamá

Caleb Yirenkyi celebra o golo da vitória frente ao Panamá.
Caleb Yirenkyi celebra o golo da vitória frente ao Panamá.ZUMA Press Wire / Shutterstock Editorial / Profimedia

O médio do Nordsjelland, de 20 anos, empurrou para o fundo das redes aos 90+5 minutos para garantir uma vitória por 1-0 sobre o Panamá, tornando-se o segundo ganês mais jovem a marcar num Mundial e batendo o recorde de 16 anos de Asamoah Gyan quanto ao golo mais tardio de sempre dos Black Stars em Mundiais.

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Caleb Yirenkyi ainda não tinha completado 21 anos quando se encontrou no centro do relvado encharcado do Estádio de Toronto, na noite de quarta-feira, rodeado pelos colegas de equipa no BMO Field. O médio acabara de empurrar a bola para a baliza deserta do Panamá aos 90+5 minutos, dando ao Gana uma vitória por 1-0 no jogo de estreia do Mundial-2026 e, ao mesmo tempo, inscrevendo o seu nome na história das estrelas negras.

“Sinto-me bastante bem. Dou o mérito à equipa. Estou bastante feliz", começou por dizer.

Segundo a Opta, o remate de Yirenkyi tornou-se o golo mais tardio que o Gana alguma vez marcou num jogo do Mundial (excluindo prolongamento), superando o de Asamoah Gyan aos 92:38 frente aos Estados Unidos na África do Sul-2010.

Com 20 anos e 153 dias, tornou-se também o segundo jogador mais jovem a marcar pelo Gana na competição, apenas atrás de Draman Haminu, que marcou com 20 anos e 82 dias. E foi, de forma notável, apenas o seu segundo golo internacional, pouco mais de duas semanas depois do primeiro.

O momento de consagração

A jogada começou, de forma apropriada, com o próprio marcador. O lateral-esquerdo Gideon Mensah perseguiu um cruzamento desenquadrado do Panamá e entregou a bola a Yirenkyi no centro do terreno. Este serviu Antoine Semenyo, que por sua vez lançou o suplente Brandon Thomas-Asante pela esquerda. Thomas-Asante entrou em velocidade na área e cruzou rasteiro para Yirenkyi, que percorreu todo o campo para aparecer na pequena área e finalizar. Ele recorda-se de cada passo da corrida.

“Só continuei a correr e recebi uma boa bola do Brandon. Quando vês que a bola está à tua frente, só queres continuar a correr para a apanhar. Tento sempre jogar para a frente e depois correr para ver o que acontece. E, sim, cheguei à bola na área. É isso que temos vindo a treinar desde o início da preparação. E hoje tivemos a oportunidade de concretizar”, acrescentou.

O amarelo aos 16 minutos

A maturidade demonstrada nesse momento foi ainda mais notória porque a noite podia facilmente ter tido outro desfecho. Logo aos 16 minutos, sem que o Gana tivesse sequer feito um remate, Yirenkyi foi o primeiro a ver o cartão amarelo. Com mais de 70 minutos ainda por jogar e o Panamá a crescer no jogo, uma segunda admoestação teria terminado a sua noite e provavelmente as hipóteses do Gana vencer. Agradeceu ao banco e ao balneário por o terem ajudado a manter-se calmo.

“Recebi muito apoio do staff e dos meus colegas, que me incentivaram a acalmar e a manter-me no jogo", indicou.

Nove recuperações de bola ao longo do jogo para Yirenkyi
Nove recuperações de bola ao longo do jogo para YirenkyiIMAGN IMAGES via Reuters/Kevin Sousa/Opta by StatsPerform

De Cardiff a Toronto

O golo ao Panamá não foi totalmente inesperado. Duas semanas antes, no primeiro jogo de Carlos Queiroz ao comando das estrelas negras, Yirenkyi tinha assinalado o golo de estreia pela seleção principal no único amigável de preparação do Gana, frente ao País de Gales, que terminou 1-1. Queiroz, então a observar os seus novos jogadores pela primeira vez, foi efusivo no final.

É um grande jogador com um futuro brilhante. Ainda é jovem e tem muito para aprender. Com mais experiência, pode tornar-se um dos melhores jogadores da seleção", revelou sobre o médio que tem sido associado ao FC Porto.

O percurso até Cardiff e Toronto passa por Bechem, na Região de Ahafo, no Gana, onde Yirenkyi nasceu em janeiro de 2006, e pela academia Right to Dream, antes de se transferir para o Nordsjælland, na Superliga dinamarquesa, onde foi eleito Jogador da Época do clube nesta última temporada.

Caleb Yirenkyi falhou um passe em todo o jogo
Caleb Yirenkyi falhou um passe em todo o jogoIMAGN IMAGES via Reuters/Kevin Sousa/Opta by StatsPerform

Versatilidade sob dois treinadores

O que impressiona na curta carreira de Yirenkyi é o quanto já lhe foi pedido. Sob o comando de Otto Addo, estreou-se como sénior a lateral-direito na Unity Cup frente à Nigéria.

Com Queiroz, foi recuado para uma posição mais defensiva no meio-campo e começou o jogo de quarta-feira como um dos dois médios defensivos à frente da linha de quatro defesas. Questionado sobre a mudança, encolheu os ombros.

“Estou bastante feliz por servir a minha nação em qualquer posição no campo. Não me importo, faço apenas o meu trabalho", indicou.

Mostrou-se mais entusiasmado quando questionado sobre os métodos do treinador português, que tem apostado muito na estrutura, intensidade e repetição durante o estágio de preparação da equipa.

Dá-nos grandes lições. Fazemos muitos treinos com muita intensidade. Não sou só eu, é toda a gente a ajudar-se mutuamente. Todos esperamos o melhor, não só para mim, mas para todos”, vincou.

Três pontos e uma marca

A vitória do Gana vale mais do que três pontos. É o sexto triunfo de sempre da seleção no Mundial, igualando o registo da Nigéria como país africano com mais vitórias.

Juntando ao triunfo da Inglaterra por 4-2 sobre a Croácia em Dallas, mais cedo no dia, as estrelas negras ficam em 2.º lugar do Grupo L antes do duelo com os três leões, na próxima terça-feira, em Foxboro. Yirenkyi, por sua vez, vê o panorama geral.

“Estou muito positivo. Não sou só eu, os meus colegas também. Temos um objetivo: dar o nosso melhor neste torneio, e acho que foi isso que mostrámos hoje", finalizou.

Yirenkyi e a comitiva de Carlos Queiroz regressaram ao seu centro de estágio em Rhode Island após o jogo de estreia em Toronto frente ao Panamá.