Mundial-2026: De Roon, o bergamasco de adoção que é peça-chave nos Países Baixos

Marten De Roon ao serviço dos Países Baixos
Marten De Roon ao serviço dos Países BaixosSTEFAN KOOPS / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Capitão e recordista de presenças da Atalanta, o médio representa experiência, equilíbrio e liderança: qualidades que convenceram Ronald Koeman a apostar novamente num dos jogadores mais fiáveis à sua disposição

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Ao lado do criativo Frenkie de Jong e do talentoso Tijjani Reijnders, existe um médio nascido nos Países Baixos que é uma garantia para Ronald Koeman. O experiente selecionador da Países Baixos não hesitou quando teve de escolher os 26 jogadores para o Mundial-2026, optando por Marten De Roon, que regressou à seleção mais de dois anos depois da sua última internacionalização.

Para perceber porquê, é preciso olhar para além dos números. Ou talvez começar mesmo por eles. Com 445 jogos com a camisola da Atalanta, De Roon é o jogador que mais vezes vestiu a camisola nerazzurra na história do clube. Ninguém disputou mais partidas do que ele na Serie A, na Liga dos Campeões ou nas competições europeias pela equipa de Bérgamo. É o capitão, o líder do balneário e o rosto mais reconhecível da Atalanta, que nos últimos anos se afirmou de forma consistente entre as grandes do futebol europeu.

Os números de Marten De Roon
Os números de Marten De RoonFlashscore

Identidade e equilíbrio

Quando chegou a Bérgamo era apenas mais um estrangeiro. Hoje é um dos jogadores que melhor representam a identidade da cidade. "Não é apenas jogar por uma equipa: é representar uma cidade, os seus adeptos, a sua mentalidade", contou ao falar da ligação que construiu com Bérgamo. Uma cidade que, tal como ele, trabalha, resiste e raramente procura os holofotes.

Talvez seja precisamente por isso que Koeman decidiu chamá-lo de novo à Oranje. Depois da lesão que o afastou do Euro-2024, o médio de 35 anos tinha desaparecido dos planos da seleção durante o processo de renovação iniciado pelo selecionador. Parecia uma história terminada. No entanto, na antecâmara do Mundial, o seu nome voltou a surgir entre os convocados mais surpreendentes, mas também um dos mais significativos. 

O seu contributo em termos de equilíbrio é de facto potencialmente único, pela forma como cobre os espaços e protege a defesa. Mas não só, porque o capitão da Dea dá ordem aos colegas e percebe os momentos do jogo. Não é por acaso que, no futebol de Gian Piero Gasperini, foi durante anos um elemento imprescindível. Quando é preciso baixar o ritmo, recuperar bolas ou liderar a pressão, ele está sempre presente.

Veterano entusiasta

A seleção neerlandesa que se apresenta nos Estados Unidos não parte como uma das principais favoritas, mas é vista como uma das possíveis outsiders do torneio. Em torno de líderes como Virgil van Dijk e Frenkie de Jong, Koeman construiu uma equipa repleta de experiência e talento. Neste contexto, a presença de De Roon funciona como uma espécie de seguro tático. Porque poderá fazer aquilo que fez ao longo de toda a carreira: tornar melhores aqueles que jogam ao seu lado.

Numa entrevista recente, deixou ainda claro que vai aos Estados Unidos com o espírito de um veterano, mas com a leveza de um jovem, apesar de ser o seu segundo Mundial: "As próximas semanas não devem transformar-se numa visita de estudo, mas vou aproveitá-las de forma consciente".

Além disso, deixou claro que está entusiasmado com esta aventura, independentemente do que acontecer: "Para mim é simples. Se jogar de início, é fantástico. Se não jogar nem um minuto, mas a equipa fizer uma exibição excecional, vou desfrutar ao máximo. Quero viver esta fase final da melhor e mais agradável forma possível".