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O Irão fará na terça-feira de madrugada, hora de Teerão, a sua estreia no Mundial frente à Nova Zelândia, um jogo em solo norte-americano num contexto geopolítico explosivo marcado pela guerra no Médio Oriente. O antigo avançado iraniano, atualmente com 54 anos, era um dos pilares da seleção iraniana no jogo frente aos Estados Unidos, o inimigo declarado da República Islâmica, no Mundial então realizado em França, em 1998.
O encontro ficou marcado por uma cena inédita: antes do apito inicial, os jogadores trocaram ramos de flores no relvado e o momento foi eternizado.
"Apesar das divergências políticas entre os nossos governos (...) foi organizada uma foto de grupo para recordar que o futebol é um símbolo de paz", recorda Khodadad Azizi numa entrevista exclusiva em Teerão, concedida à AFP. Nesse jogo tão especial, o antigo número 11 garante não ter presenciado qualquer comportamento impróprio ou contrário aos valores do futebol por parte dos jogadores americanos e iranianos.
"Queríamos mostrar que o futebol vai além das questões políticas", afirma Azizi, eleito jogador asiático do ano em 1996, atualmente comentador na televisão iraniana.
"Eu próprio troquei a minha camisola com o número 2 da seleção americana", recorda o antigo jogador, ainda marcado pela "ambiente amigável" do encontro. Lamenta que o Mundial-2026 seja "apenas política".
"Culpados"
Os Estados Unidos recusaram conceder vistos a cerca de quinze membros do staff da equipa iraniana e a Team Melli teve de instalar à última hora o seu campo-base em Tijuana, no México, em vez de Tucson, no Arizona, como estava inicialmente previsto.
Durante meses, a sua participação esteve em dúvida e os preparativos foram comprometidos, devido à guerra contra o Irão desencadeada por Israel e os Estados Unidos no final de fevereiro. Pode-se esperar que os jogadores estejam ao seu melhor nível em tais condições?
"Acha que os jogadores têm escolha?!", exalta-se Azizi, apontando o dedo à FIFA e aos seus responsáveis como "os principais culpados", na sua opinião, por cederem às pressões americanas.
"Em 1998, fomos a França com respeito e dignidade, jogámos o nosso jogo e depois regressámos" ao Irão, recorda o antigo jogador.
Este ano, "nunca vi um controlo tão rigoroso à chegada das equipas" aos Estados Unidos, disse à AFP.
"Jogar futebol"
Khodadad Azizi garante que estas polémicas não afetam o moral da equipa iraniana: "Estou em contacto com alguns jogadores via WhatsApp e eles não pensam absolutamente nestas questões, apenas em jogar futebol".
Nos Estados Unidos, os opositores à República Islâmica têm conduzido uma campanha há várias semanas contra a seleção iraniana, que apresentam como "a equipa do regime" em vez de a do povo. Popular entre os adeptos pelo seu discurso direto, Azizi considera estas afirmações "ridículas" e cita o seu próprio percurso para as contrariar.
Antes da Revolução de 1979, o Irão "era uma monarquia. Hoje é a República Islâmica. Um jogador joga pelo seu país, não por questões políticas", insiste o antigo avançado do Colónia, na Bundesliga. Este ano, o Irão disputa a sua sétima participação no Mundial, mas o país nunca conseguiu ultrapassar a fase de grupos. O jogo que se avizinha contra a Nova Zelândia reveste-se assim de parti
cular importância para a Team Melli.
"Se vencermos a Nova Zelândia, teremos boas hipóteses de passar o grupo. Não será intransponível", considera Azizi.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 será realizado de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contará com 48 seleções nacionais e será disputado em 16 estádios modernos.
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