Mundial-2026: Está na hora de Deschamps poupar todas as estrelas de França?

Didier Deschamps, selecionador de França
Didier Deschamps, selecionador de FrançaREUTERS/Pilar Olivares

A seleção francesa fez o mais difícil: venceu o seu primeiro jogo e praticamente garantiu a qualificação para os 16-avos de final. Sendo largamente favorita frente ao Iraque, deverá, no entanto, apresentar-se apenas com três novidades. Ora, numa competição prolongada, Didier Deschamps poderia poupar os seus titulares já nesta fase.

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Após a vitória frente ao Senegal (3-1), a seleção francesa está em posição privilegiada para garantir o acesso aos 16-avos de final da competição e é difícil imaginar que possa sofrer um desaire frente ao Iraque, que se mostrou combativo frente à Noruega durante a primeira parte antes de, naturalmente, quebrar fisicamente (4-1).

Com uma competição prolongada por mais um jogo e, portanto, com a possibilidade de disputar oito encontros no total, a gestão física torna-se um fator determinante. À partida, frente à equipa teoricamente mais fraca do grupo, os Bleus poderiam perfeitamente apresentar um onze inicial bastante alterado. Para já, apenas três novos jogadores deverão começar: Lucas Digne no lugar de Théo Hernandez, Manu Koné por Aurélien Tchouaméni e Bradley Barcola por Désiré Doué.

Será suficiente? No Lincoln Financial Field, em Filadélfia, os franceses estarão em posição favorável para garantir a passagem à fase seguinte e podem consegui-lo sem recorrer a vários jogadores-chave como Michael Olise, Kylian Mbappé, Adrien Rabiot, Dayot Upamecano e William Saliba. Apenas Tchouaméni parece ter direito a uma pausa, sem se saber ao certo se se trata de uma recompensa ou de uma decisão técnica.

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Os períodos de descanso são aspetos essenciais e, aliás, Didier Deschamps já tinha preferido dispensar Mbappé da conferência de imprensa na véspera do França-Senegal, receando perder demasiado tempo nas deslocações.

Assim, frente ao Iraque, um fator a não descurar poderia ter sido o horário do jogo. Às 22:00 em França, serão 16:00 na Pensilvânia e, mais do que a temperatura, estimada em 26 graus, é a humidade, próxima dos 80%, e o risco de trovoada (75% de probabilidade) que poderão ter influência, e não das mais agradáveis.

À partida, não será essa a opção de Didier Deschamps e da sua equipa técnica, que parecem reservar o descanso dos titulares para o terceiro jogo frente à Noruega. No entanto, este encontro poderia ter servido como um excelente teste antes do início da fase a eliminar. Também poderia ter sido uma segunda oportunidade para manter a maior parte do grupo em atividade, com os titulares a jogarem uma hora antes de descansarem para os próximos desafios, sobretudo tendo em conta que os Bleus tiveram de atingir um primeiro pico físico para defrontar logo o campeão africano.

Por fim, tendo em vista as futuras viagens de avião que marcarão o percurso dos franceses até à tão desejada final, poupar as forças dos titulares não é um ganho marginal. Terá Deschamps receio de uma quebra de concentração e de excesso de euforia já nesta fase? Num discurso divulgado nas contas da FFF, o selecionador citou como exemplos o play-off frente à Bolívia e o empate com a Espanha na preparação, para destacar as exibições do Iraque. Uma forma pouco subtil de manter o balneário sob pressão, recorrendo também aos empates da La Roja frente ao Cabo Verde (0-0) e de Portugal frente à RD Congo (1-1).

No entanto, mantendo sempre a possibilidade de lançar toda a sua armada ofensiva consoante a evolução do resultado, Deschamps vai limitar a rotação. Uma decisão que não surpreende, compreensível no contexto, mas que pode trazer consequências inesperadas para o resto deste Mundial, pois o descanso é um luxo que não se deve desperdiçar.