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No Uruguai, a formação norte-americana venceu o Grupo 4 da primeira fase, impondo-se a Bélgica (3-0) e Paraguai (3-0), para, depois, cair nas meias-finais, goleada por 6-1 pela Argentina, que perderia a final para os anfitriões (2-4).
Como, então, não havia jogo de consolação, o terceiro posto foi para os Estados Unidos pela melhor diferença de golos em relação à Jugoslávia (7-6 contra 7-7), que também somou dois triunfos e um desaire por 6-1 nas meias-finais, com o Uruguai.
O terceiro posto dos norte-americanos jamais foi replicado por uma equipa fora das confederações que já venceram a prova e só 72 anos após a estreia é que um conjunto sem ser da UEFA ou da CONMEBOL voltou às meias-finais, no caso a coanfitriã Coreia do Sul, em 2002, após um percurso manchado por ajudas arbitrais.
Os sul-coreanos começaram por ganhar o Grupo A, ao vencerem a Polónia por 2-0, empatarem 1-1 com os Estados Unidos e, no jogo decisivo, no qual lhes bastava nova igualdade, superarem Portugal, que acabou como nove jogadores, por 1-0.
A eliminar, a equipa então dirigida pelo neerlandês Guus Hiddink logrou duas vitórias tão inesperadas como controversas, primeiro face a Itália, por 2-1, com um golo de ouro, e depois perante a Espanha, nos penáltis (5-3), após 120 minutos sem golos.
Num país em estado de loucura coletiva, já tudo parecia possível, mas, nas meias-finais, o sonho da Coreia do Sul desmoronou-se perante a Alemanha (0-1), seguindo-se, no jogo do bronze, um desaire amargo com a Turquia (2-3), que impediu os asiáticos de igualar a proeza dos Estados Unidos.
Volvidos 20 anos, em 2022, foi a vez de Marrocos se tornar a terceira equipa fora das do monopólio, e a primeira africana, a chegar às meias-finais.
Na primeira fase, os marroquinos venceram o Grupo F, ao empatarem com a Croácia (0-0) e vencerem, depois, Bélgica (2-0) e Canadá (2-1), para, nos oitavos, superarem a Espanha nos penáltis (3-0), após 120 minutos sem golos.
Nos quartos, o onze de Walid Regragui continuou o conto de fadas, ao bater Portugal por 1-0, com um tento de Youssef En Nesyri, e qualificar-se para as meias, nas quais não resistiu à França (0-2). Na luta pelo bronze, caiu perante a Croácia (1-2) e os Estados Unidos de 1930 salvaram-se.
As exceções Estados Unidos, Coreia do Sul e Marrocos não conseguiram, porém, atacar o monopólio de UEFA e CONMEBOL, que preencheram todas as finais e, consequentemente, venceram todos os 22 títulos atribuídos, com vantagem europeia (12 contra 10).
As formações europeias e sul-americanas também estiveram sempre em vantagem numérica, como aconteceu logo na primeira edição, em 1930, com 11 das 13 seleções, o que não impediu os Estados Unidos de chegar ao pódio. O México perdeu os três jogos.
Em 1934, as exceções, entre 16 participantes, eram Egito e Estados Unidos, ambos afastados na fase preliminar, os oitavos de final: os africanos perderam por 4-2 com a Hungria e os norte-americanos 7-1 com a campeã Itália.
Quatro anos volvidos, em 1938, os outros, dois em 15, eram as Índias Holandesas e Cuba, que, ao bater a Roménia (2-1 num jogo de repetição, depois de um empate a três após prolongamento), chegou aos quartos, para ser esmagada (0-8) pela Suécia.
Depois da II Guerra Mundial, pouco mudou e, em 1950, também só dois (Estados Unidos e México) dos 13 participantes não eram da Europa ou da América do Sul: caíram ambos na fase de grupos, os norte-americanos após baterem a Inglaterra (1-0).
Em 1954, eram dois em 16 e os resultados foram fracos, com mexicanos e sul-coreanos a perderem, cada qual, os seus dois jogos. Nas edições seguintes, em 1958 e 1962, só o México furou o monopólio, para ser 16.º e 11.º, respetivamente.
Na edição seguinte, em 1966, em Inglaterra, o México voltou, mas acompanhado pela Coreia do Norte, que surpreendeu ao passar a fase de grupos, com um triunfo na última jornada sobre a Itália (1-0), após um empate a um com o Chile.
Os norte-coreanos atingiram, assim, os quartos de final, nos quais, num ápice, chegaram a 3-0 perante Portugal, que só não afastaram porque a formação das quinas tinha o rei Eusébio, autor de um póquer, antes de José Augusto selar o 5-3 final.
Quatro dos 16 participantes não eram da Europa ou América do Sul em 1970 e, de todos, o melhor foi o México, que, em casa, conseguiu chegar aos quartos, para cair por 4-1 perante a Itália e acabar no sexto posto.
Em 1974, os três outsiders acabaram nos últimos três lugares, com um ponto em nove jogos, conquistado pela Austrália (0-0 com o Chile), e, em 1978, o melhor registo, também entre três seleções, veio da Tunísia, afastada na primeira fase, apesar de ter batido o México (3-1) e empatado com a RFA (0-0).
O alargamento para 24 seleções, em 1982, aumentou, por consequência, o número de equipas fora das duas confederações dominantes: foram seis, com a Argélia (2-1 à RFA) e Camarões (três empates) a destacarem-se, mas a não chegarem à segunda fase.
No México, em 1986, mantiveram-se seis seleções e a melhor foi a da casa, o conjunto azteca, que acabou no sexto lugar e sem derrotas, em cinco jogos, caindo apenas nos penáltis, nos quartos de final, face à RFA (1-4, após 120 minutos sem golos).
Em igual contingente, em 1990, brilharam, de novo, os Camarões, conseguindo, desta vez, atingir os quartos, nos quais estiveram a bater a Inglaterra por 2-1, para tombarem por 3-2, no prolongamento, culpa de dois penáltis de Lineker.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 será realizado de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio contará com 48 seleções nacionais e será disputado em 16 estádios modernos.
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Nos Estados Unidos, em 1994, a Europa e a América do Sul monopolizaram os ‘quartos’, à porta dos quais ficou a Nigéria, nona e melhor de sete forasteiras, derrotada no prolongamento dos oitavos pela Itália (1-2) e um bis de Roberto Baggio.
Quatro anos volvidos, em 1998, a Nigéria foi de novo a melhor, agora de 12, entre 32, em nova queda nos oitavos, para um 12.º lugar final, culpa da Dinamarca, vencedora por folgados 4-1.
Em 2002, voltaram a ser 12 os representantes das confederações menos fortes e foi a anfitriã Coreia do Sul a centrar todas as atenções, ao chegar às meias-finais, para acabar em quarto.
Destaque ainda para o sétimo lugar do Senegal e o oitavo dos Estados Unidos, formações que só tombaram, nos quartos de final, os africanos perante a Turquia (0-1, com um golo de ouro) e os norte-americanos face à Alemanha (0-1).
Após os vários feitos de 2002, tudo regressou ao normal em 2006, na Alemanha, onde nenhuma de 14 seleções logrou um registo muito relevante, destacando-se o Gana, que foi 13.º, depois de ser batido nos oitavos pelo Brasil (0-3).
Em 2010, na primeira edição africana, de novo com 14 outsiders, os ganeses voltaram a prevalecer, fazendo ainda melhor, ao serem sétimos na África do Sul: caíram nos quartos face ao Uruguai, nos penáltis (2-4), depois de, aos 120 minutos, Asamoah Gyan desperdiçar uma grande penalidade.
Na antepenúltima edição, em 2014, das 13 seleções não europeias ou sul-americanas, apenas uma chegou aos quartos, a Costa Rica, que acabou oitava, mas esteve perto das meias-finais, cedendo apenas nos penáltis (3-4), com a Holanda.
Em 2018, os melhores dos 13 outsiders foram o México (11.º) e o Japão (16.º), que atingiram os oitavos de final, fase em que foram batidos por Brasil (0-2) e Bélgica (2-3, culpa de um golo de Chadli, aos 90+4 minutos), respetivamente.
Na última edição, no Catar, as seleções fora da UEFA e da CONMEBOL eram quase metade (15 de 32), mas só uma atingiu os quartos, a formação de Marrocos, que acabaria no quarto posto, após perder com França, nas meias-finais, e Croácia, no jogo de consolação, num trajeto em que fez cair Espanha e Portugal.
Em 2026, e pela primeira vez na história, face ao alargamento para 48 seleções, as duas maiores confederações aumentaram o seu arsenal, para 22 representantes, mas, pela primeira vez, não estão em maioria, perante 26 outsiders.
