Mundial-2026: Eusébio reina desde 1966 e já sobreviveu a cinco Ronaldos

Eusébio no Mundial-1966
Eusébio no Mundial-1966STRINGER / AFP

Eusébio só esteve presente uma vez, mas o que alcançou em 1966, na estreia de Portugal, faz com que continue, mesmo cinco Ronaldos depois, como a grande figura portuguesa em Mundiais.

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Então avançado do Benfica, com 24 anos, foi o melhor marcador da oitava edição da prova e virou lenda em Inglaterra, onde só não pôde com a seleção anfitriã, numa meia-final da qual saiu em lágrimas, desfeito o sonho de ser campeão mundial.

pantera negra já tinha, porém, deixado a sua marca, num percurso em que logrou um bis ao então bicampeão mundial em título Brasil (3-1), de Pelé, e um inesquecível póquer à Coreia do Norte, para virar, a sós, o resultado de 0-3 para 4-3, num encontro que ficou para a história dos Mundiais.

Nos quartos de final, no Goodison Park, em Liverpool, num embate disputado em 23 de julho, a Coreia do Norte espantou o mundo do futebol, ao chegar aos 25 minutos a vencer por 3-0, dias depois de já ter escandalizado, ao eliminar a Itália.

Já campeão europeu (1961/62), com um bis na final com o Real Madrid (5-3), e duas vezes finalista vencido, em 1962/63 e 1964/65, com os dois colossos de Milão, Eusébio tinha, ainda assim, outras ideias para a sua primeira presença na prova.

Com uma exibição lendária, o rei virou, sozinho, o jogo, com quatro golos consecutivos, aos 27, 43, 56 e 59 minutos, o segundo e o quarto na transformação de grandes penalidades, escrevendo uma das mais belas páginas dos Mundiais.

Aos 80 minutos, José Augusto ainda fez o 5-3, no jogo de Eusébio, autor da mais espetacular exibição individual de um jogador português na mais importante competição do futebol.

O rei brilhou intensamente face aos norte-coreanos, mas já chegou ao jogo dos quartos como uma das grandes figuras da prova, depois de uma fase de grupos em que só ficou em branco na estreia, no triunfo por 3-1 à Bulgária, em Old Trafford.

No segundo jogo, no mesmo palco, Eusébio começou a aparecer, marcando o segundo tento luso frente à Bulgária (3-0), para, no fecho da fase de grupos, no Goodison Park, aparecer em todo o esplendor, para contribuir decisivamente, com um bis, para a eliminação do Brasil, campeão 1958 e 1962.

Com Pelé, do outro lado, visivelmente diminuído fisicamente, Eusébio, em grande forma, deu a sequência ao golo de cabeça do pequenino António Simões com um bis, aos 27 e 85 minutos, de nada valendo aos brasileiros o tento de Rildo, aos 70.

Face ao que mostrou na fase de grupos e nos quartos de final, Eusébio tornou-se, de repente, um pesadelo para Inglaterra, que cruzou com Portugal nas meias-finais e, numa habilidade agora impossível, mudou o jogo de Liverpool para Londres.

Nunca se saberá se a história seria diferente, mas a realidade é que acabou nas meias-finais o sonho de Eusébio, que abandonou o relvado do Estádio de Wembley em lágrimas, depois de um jogo em que o seu oitavo golo na prova não foi suficiente (1-2).

Um bis de Bobby Charlton foi determinante, também para roubar ao Pantera Negra, meses depois, o que seria a sua segunda Bola de Ouro consecutiva: na classificação de 1966, somou 80 pontos, contra 81 do inglês campeão mundial.

O grupo de Portugal no Mundial-2026
O grupo de Portugal no Mundial-2026Flashscore

Contudo, o golo de Eusébio aos ingleses não foi o seu último tento na prova, já que ainda faturou no jogo de consolação, marcando, de grande penalidade, o primeiro tento luso face à União Soviética (2-1) e ao monstro Lev Yashin, Bola de Ouro em 1963.

No total, foram nove golos, sendo que o jogador do Benfica já tinha sido o grande responsável pelo apuramento luso, ao marcar nada menos do que sete dos nove tentos lusos.

Eusébio logrou um hat-trick na estreia, num caseiro 5-1 à Turquia, e, depois, resolveu a solo no reduto dos turcos (1-0), na Checoslováquia (1-0) e na receção à Roménia (2-1). Um nulo na receção aos checoslovacos selou o apuramento ao quinto jogo.

Antes e depois, o Pantera Negra não mais conseguiu, porém, colocar Portugal numa fase final, sendo que, então, não havia fases finais a 32 ou 48 seleções, ou adversários do quilate de Ilhas Faroé, Andorra, Liechtenstein, Gibraltar ou São Marino.

Uma presença chegou, porém, para Eusébio fazer história, pelo que fez individualmente e por ter conduzido Portugal a um terceiro lugar que jamais repetiu: é, inquestionavelmente, a figura da seleção das quinas em Mundiais, mesmo depois de cinco presenças de Cristiano Ronaldo (2006 a 2022).

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