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Mundial-2026: Final bate recorde de audiência e confirma crescimento do futebol nos EUA

Adeptos em Nova Iorque a assistir à final do Mundial 2026
Adeptos em Nova Iorque a assistir à final do Mundial 2026Caean Couto / Reuters

Quase 63 milhões de norte-americanos assistiram à vitória da Espanha sobre a Argentina na final do Mundial da FIFA, no domingo, batendo recordes de audiência e sublinhando o crescente interesse pelo futebol nos EUA após décadas de esforços para alargar o seu público.

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Disputada em Nova Jérsia, a final manteve-se sem golos até que a Espanha desbloqueou o marcador ao minuto 106, garantindo o triunfo por 1-0.

A transmissão em inglês da Fox atraiu 38,9 milhões de espectadores, enquanto a Telemundo da Comcast e a sua plataforma de streaming Peacock somaram mais 23,9 milhões de espectadores para a cobertura em espanhol, segundo as empresas. O público total ultrapassou largamente os 22,3 milhões que assistiram à final do Mundial de 2022 no Catar.

A forte audiência coroou aquilo que os analistas consideraram um percurso sólido para os canais detentores dos direitos do torneio, com a Fox e a Comcast a pagarem cerca de 485 milhões e 600 milhões de dólares, respetivamente, por pacotes de direitos que incluíam o Mundial, segundo relatos da comunicação social.

Vários jogos da fase a eliminar também superaram recentemente finais de grandes desportos norte-americanos. O duelo dos oitavos de final entre Inglaterra e México reuniu quase 45 milhões de espectadores, muito acima dos cerca de 27 milhões que viram o Jogo 7 da World Series da Major League Baseball, quando os Los Angeles Dodgers venceram os Toronto Blue Jays em entradas extra, e dos quase 25 milhões que assistiram ao Jogo 5 das Finais da NBA, em que os New York Knicks puseram fim a uma seca de títulos de 53 anos ao derrotarem os San Antonio Spurs.

Apesar de os números ficarem abaixo dos quase 126 milhões de espectadores que viram a Super Bowl LX, quando os Seattle Seahawks venceram os New England Patriots, representam um marco significativo para um desporto que durante muito tempo esteve na sombra, nos Estados Unidos, do futebol americano, basquetebol e basebol.

O torneio, coorganizado pelos EUA, Canadá e México pela primeira vez, beneficiou de horários de início em horário nobre para o público norte-americano. Os adeptos também foram atraídos pelo que poderá ter sido a última presença no Mundial das maiores estrelas de uma geração, incluindo Argentina Lionel Messi e o seu rival português de longa data, Cristiano Ronaldo.

A Fox One, que detinha os direitos de streaming em inglês nos EUA, registou 2,8 milhões de subscrições em junho, o seu melhor mês desde o lançamento do serviço em agosto passado e mais do dobro das 1,1 milhões de subscrições geradas durante os Playoffs da NFL em janeiro, segundo a empresa de análise Antenna.

A popularidade do futebol entre o público hispânico também impulsionou uma forte adesão na Telemundo, canal de língua espanhola.

"As audiências ultrapassaram largamente as previsões internas de ambos os canais, e por larga margem", afirmou Vicente Navarro, sócio-gerente da agência de marketing GotDigital, especializada em futebol.

Navarro referiu que um espaço publicitário de 30 segundos nos jogos da fase a eliminar chegou a custar até 1 milhão de dólares, mais do dobro dos valores de 2018. Entre os principais anunciantes estiveram a PepsiCo, Home Depot, Anheuser-Busch e Coca-Cola, segundo a empresa de inteligência de mercado SensorTower.

Para comparação, um anúncio de 30 segundos na Super Bowl custa normalmente cerca de 8 milhões de dólares ou mais.

Para além das audiências, o torneio revelou-se também lucrativo para os canais, ajudado pelas novas chamadas pausas de hidratação, que dividiram os jogos em quatro segmentos e criaram oportunidades adicionais de publicidade. Alguns especialistas referiram que estes espaços extra ajudaram a compensar os custos dos direitos televisivos e atraíram o interesse de marcas de bebidas e alimentação.

A Fox, liderada por Lachlan Murdoch, deverá arrecadar pelo menos 250 milhões de dólares apenas com publicidade nas pausas de hidratação, segundo um relatório de junho da The Hollywood Reporter. A Telemundo não transmitiu anúncios durante essas pausas.

"O novo inventário cria, sem dúvida, mais investimento publicitário para o Mundial", afirmou Luke Stillman, diretor-geral da empresa de estudos Madison and Wall. "Seria surpreendente se esta estrutura não se tornasse agora uma prática permanente e, por isso, os direitos de transmissão vão tornar-se mais valiosos daqui para a frente."

Apesar disso, permanece a dúvida se alguns dos elementos mais americanizados do torneio, incluindo um grande espetáculo ao intervalo que suscitou comparações com a Super Bowl e levou a um intervalo de 27 minutos — muito além dos sagrados 15 minutos do futebol —, irão manter-se.

O próximo Mundial será coorganizado pela Espanha, ⁠Portugal e Marrocos em 2030, seguindo-se a Arábia Saudita em 2034. Ambos os torneios deverão ter horários de início menos favoráveis para o público norte-americano, o que poderá afetar as audiências futuras.