Mundial-2026: Giuliano Simeone, a arma secreta de Lionel Scaloni

Giuliano Simeone no treino da Argentina
Giuliano Simeone no treino da Argentina IMAGN IMAGES via Reuters/Denny Medley

O terceiro filho do treinador do Atlético de Madrid, onde joga atualmente, chega à competição norte-americana como um dos futebolistas mais combativos à disposição do selecionador argentino, com quem partilha posição em campo.

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Onde vai Argentina, a terra treme. Apesar de, no país sul-americano, a situação económica não permitir luxos nem grandes concessões há décadas, os adeptos da albiceleste superam sempre qualquer obstáculo para acompanhar a sua seleção. Ainda mais agora que detêm o estatuto de campeões do mundo. No plantel atual de Lionel Scaloni não falta qualidade, mas a isso junta-se uma força especial. A entrega.

Nesta mentalidade, Giuliano Simeone destaca-se como um dos principais estandartes da equipa que esta noite fará a sua estreia no Mundial. Depois de uma época muito sólida pelo Atlético de Madrid, o filho do técnico colchonero somou mais de 2.100 minutos na LaLiga e destacou-se não só por ser o quarto jogador mais utilizado, mas sobretudo pelo seu trabalho defensivo, com mais de 100 recuperações no total.

Os números de Giuliano Simeone
Os números de Giuliano SimeoneFlashscore

Ao serviço do 10

A sua integração na seleção remonta já a quase dois anos, e a sua polivalência é uma bênção para Scaloni, que nos últimos treinos antes de defrontar Argélia chegou mesmo a testar um esquema com três defesas e cinco médios. E na posição de ala direito, Giuliano é o titular indiscutível pelo que mostrou no Atlético. É precisamente a mesma posição que o próprio Scaloni ocupou durante grande parte da sua carreira, e a sua capacidade para percorrer a faixa torna-o único também nas coberturas para Lionel Messi.

Aos 39 anos, o capitão dos campeões do mundo precisa de escudeiros capazes de cobrir da melhor forma as zonas mais delicadas do relvado para que ele mantenha a frescura no momento de criar na sua zona de conforto. Habituado a partir sempre da direita para o centro, o 10 argentino poderá tirar enorme proveito do movimento constante de Simeone Jr., que marcou o seu primeiro golo pela seleção na histórica vitória por 4-1 frente ao Brasil em março de 2025. Uma verdadeira bênção.

Para lá do pai

Nascido em Roma durante a passagem de Cholo Simeone pela Lazio, o mais novo dos Simeone levará o seu apelido a um Mundial 24 anos depois da última presença do seu pai Diego Pablo. No entanto, o seu objetivo, como ele próprio afirmou, é "escrever a sua própria história", e por isso decidiu usar o nome "Giuliano" na camisola do seu clube. Com a albiceleste, porém, a história é diferente.

E foi ele mesmo que o disse numa entrevista recente: "Sempre pensei em passar de Giuliano a Simeone caso fosse convocado para a seleção. Para levar o meu apelido ao mais alto nível e deixar a minha família orgulhosa". E, chegado o momento da estreia no Mundial, parece que chegou a hora de tomar nas suas mãos, ou melhor, nos seus pés, a sua própria história como futebolista.  

Indo muito além do apelido paterno, que moldou o seu carácter, e mantendo sempre a máxima concentração. Com toda a família a acompanhá-lo, o ala colchonero prepara-se para defender com unhas e dentes o título de campeão conquistado há três anos e meio no Catar. A palavra de ordem é clara: pressionar até não ter mais forças. E após uma longa caminhada de 15 jogos na Liga dos Campeões dos 16 possíveis, Giuliano, ou melhor, Simeone, chega lançado ao seu primeiro Mundial.