Acompanhe o Senegal no Flashscore
Dois jogos, duas derrotas para o Senegal. Contudo, neste balanço coletivo sombrio, a história individual do médio de 36 anos merece ser analisada à parte e contada com precisão.
Primeiro, frente à França, Gueye recebeu uma nota de 6.2 pelo novo sistema de ratings da Flashscore. Um número que, fora do contexto, pode parecer banal. Mas este valor foi calculado através de um prisma defensivo e de transição, o único coerente com aquilo que lhe foi pedido nessa noite. Na sua 132.ª internacionalização, recorde absoluto pela seleção senegalesa, Gueye teve de sacrificar-se num bloco baixo, disciplinado, coletivamente condicionado pela qualidade francesa. Seis recuperações, dois desarmes, dois duelos ganhos em três: números defensivos abaixo da média. Três passes progressivos, quatro entradas bem-sucedidas no último terço: ligeiramente acima. Uma exibição sem grande destaque, à imagem do desempenho global da sua equipa nessa noite.
Um Gueye transformado em maestro
Depois veio o jogo contra a Noruega. E aí, outro Gueye, outro jogo. Frente a um adversário menos dominante, recuado, que deixava espaço, o médio do Everton assumiu-se como motor de progressão, verdadeiro maestro do meio-campo. Jogou os 90 minutos num registo totalmente diferente: 9 passes progressivos, 13 entradas bem-sucedidas no último terço, 26 passes no terço ofensivo, 2 entradas na área, 1 passe chave e um expected assists de 0.33 xA. Uma nota de 7.6 atribuída pelo Flashscore, coerente com o que produziu e reveladora do que ainda pode dar a este nível.
Um número resume por si só a dimensão da sua influência frente à Noruega: as suas 13 entradas no último terço representaram 27% do total senegalês. Um quarto da progressão ofensiva do Senegal passou pelos seus pés. Não pelas pernas, nem pela pressão, mas pela leitura de jogo, precisão e capacidade de encontrar espaços antes de todos os outros.

Mais ou menos influência consoante o contexto
Aí reside todo o paradoxo Gueye. Aos 36 anos, com o contrato no Everton a terminar este mês, pode estar a chegar ao fim da linha a nível de clubes. Mas na seleção, com Pape Thiaw, continua a ser uma peça de geometria variável cuja importância depende menos da sua forma física e mais do contexto tático em que se insere. Quando o Senegal defende baixo e sofre, Gueye dilui-se no coletivo. Quando o Senegal pode impor o seu ritmo, torna-se a pedra angular de toda a estrutura, aquele que liberta Sadio Mané na ala, que encontra Ismaïla Sarr em profundidade, que entrega a Nicolas Jackson a bola nas melhores condições.
Resta-lhe um jogo para inverter a tendência, frente ao Iraque, com a qualificação como único objetivo. O Senegal tem de vencer e esperar por resultados favoráveis. Gueye, por sua vez, já respondeu à sua maneira: "Ainda não acabou. É preciso acreditar."
Desde que Pape Thiaw lhe dê as chaves certas. Não as de um médio defensivo limitado. As de um verdadeiro organizador que, quando confiam nele, ainda sabe fazer a diferença. Daniel Musil, analista de dados do Flashscore, confirma-o em números: "As 13 entradas bem-sucedidas de Gueye no último terço frente à Noruega representaram 27% do total senegalês. Um número que sublinha o seu papel central na progressão da equipa."
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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