Mundial-2026: Irão e Egito procuram qualificação em "jogo do orgulho"

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Imagem ilustrativaPhoto par FRANK HOERMANN/SVEN SIMON / SVEN SIMON / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

O Irão e o Egito defrontam-se na luta por uma vaga nos 16 avos de final do Mundial-2026, na madrugada de sábado (04:00) em Seattle, cidade que aproveita para celebrar o "jogo do orgulho" em nome da causa LGBT+, apesar da oposição das duas seleções participantes.

Acompanhe aqui as incidências do encontro

Antes do sorteio de dezembro, Seattle já tinha decidido dedicar o seu terceiro jogo da fase de grupos à causa LGBT+, no centro das muitas festividades do seu tradicional "Pride Weekend", especialmente relevante na grande cidade do Estado de Washington (noroeste).

O Irão e o Egito acabaram por ficar com este encontro, agendado para sexta-feira às 20:00 locais (04:00 de sábado em Portugal Continental). Isto provocou a indignação das duas seleções, enquanto o outro jogo do grupo G, entre a Bélgica e a Nova Zelândia, terá lugar à mesma hora no Canadá, em Vancouver.

No final de 2025, a Federação Egípcia, numa carta dirigida à FIFA, rejeitou "de forma absoluta" qualquer atividade que pudesse estar associada ao apoio à causa LGBT+ durante o jogo, argumentando que tais eventos contrariam os valores culturais e religiosos deste país maioritariamente muçulmano.

"É uma decisão irracional que favorece um determinado grupo", criticou por sua vez o presidente da Federação Iraniana, Mehdi Taj.

As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são proibidas no Irão e podem, em certos casos, ser punidas com a pena de morte, enquanto no Egito a homossexualidade é frequentemente sancionada ao abrigo de leis vagas que proíbem a "devassidão".

A FIFAprocura acalmar os ânimos: este jogo "do orgulho" é uma iniciativa do comité organizador local, não da federação internacional de futebol, esclareceu um dos seus porta-vozes à AFP. Em Seattle, a festa arco-íris vai animar a cidade durante todo o fim de semana, fora do estádio, com zonas de adeptos "do orgulho", decorações pela cidade, concursos de arte e circuitos dedicados a lojas que se identificam como LGBT+.

Restrições aliviadas

"É mais do que um jogo, é uma celebração em toda a cidade da visibilidade, do sentimento de pertença a uma comunidade, em torno do Mundial", escreve o comité organizador, que se compromete "a garantir que todos os residentes e visitantes usufruam do acolhimento caloroso, respeito e dignidade que caracterizam a nossa região".

Embora não esteja previsto nenhum evento dentro do estádio, é possível que bandeiras e símbolos arco-íris sejam exibidos por adeptos no recinto, que tem cerca de 67.000 lugares.

No entanto, há outro símbolo que as autoridades iranianas não querem ver, nomeadamente a bandeira do antigo regime, com o seu leão e sol, muito visível nos dois primeiros jogos da Team Melli, apesar da sua proibição, mais ou menos aplicada pela FIFA devido à sua mensagem "política".

No relvado, o Irão, que soma dois pontos após dois empates frente à Nova Zelândia (2-2) e à Bélgica (0-0), procura a primeira qualificação para a fase a eliminar de um Mundial. Uma vitória dar-lhe-ia o passaporte frente ao Egito de Mo Salah, que está em posição favorável com 4 pontos, depois de um empate com os Diabos Vermelhos (1-1) e uma vitória sobre os oceânicos (3-1).

Sentindo-se prejudicado desde o início do torneio e condicionado por uma preparação caótica devido à guerra no Médio Oriente, o Irão viu as restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos serem aliviadas e conseguiu chegar a Seattle na quarta-feira, vindo de Tijuana (México), dois dias antes do início do jogo, algo que tinha sido recusado para os seus jogos em Los Angeles.

Tal como aconteceu em Tehrangeles, Seattle espera manifestações contra a República Islâmica do Irão, por parte de membros da numerosa comunidade residente na região.

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