Mundial-2026: Julián Quiñones, o goleador mexicano de origem colombiana

Julián Quiñones tem estado em destaque ao serviço do México
Julián Quiñones tem estado em destaque ao serviço do MéxicoReuters

O avançado Julián Quiñones, nascido na Colômbia, conquistou o México com três golos desde o início do Mundial, quebrando os preconceitos sobre os jogadores binationais, antes do duelo dos oitavos frente à Inglaterra, esta madrugada na Cidade do México.

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O percurso do extremo do Al-Qadsiah, melhor marcador da última Liga da Arábia Saudita mas que nunca jogou na Europa, reflete a mentalidade de uma seleção sem complexos que, depois de vencer os seus quatro primeiros jogos em casa, ambiciona competir de igual para igual com o conjunto de estrelas inglesas.

"Embora alguns de nós não estejamos na Europa, isso não significa que não trabalhamos ao máximo", repetiu Julián Quiñones na terça-feira, após o triunfo nos 16 avos frente ao Equador (2-0), partida em que marcou o primeiro golo e depois fez uma assistência.

O seu sucesso não estava garantido: apesar de se ter tornado um dos jogadores mais acarinhados do El Tri, Quiñones foi durante muito tempo alvo de críticas por parte da imprensa local, que questionava a sua lealdade ao México.

Números de Quiñones
Números de QuiñonesFlashscore

Os binacionais que representaram o México num Mundial contam-se pelos dedos de uma mão, e apenas um deles, Antonio Naelson, conhecido como "Sinha", nascido no Brasil, tinha conseguido marcar um golo, em 2006.

"Perdoa-me"

Quiñones teve de lutar para que a sua história fosse aceite: a de um colombiano nascido em 1997 na isolada localidade de Magüi Payan, na selva amazónica, que em 2015 integrou os escalões jovens do clube mexicano Tigres UANL. Menos de 10 anos depois, conquistou o seu sexto campeonato do México, um número nunca antes alcançado por um jogador nascido no estrangeiro.

As suas exibições valeram-lhe, em 2023, uma convocatória pela Colômbia, mas o jogador optou pelo México, país do qual acabara de obter a nacionalidade. Estreou-se pela seleção em novembro de 2023, embora ainda tivesse de convencer alguns.

Para o ex-futebolista chileno Fabián Estay, comentador televisivo, Quiñones seria um "oportunista" que não teria nível para a Colômbia. Mas depois de Quiñones marcar frente à África do Sul , Cristian Martinoli, reconhecido cronista no México, fez autocrítica: "Não gostava de ti, mas perdoa-me".

Mapa de xG de Quiñones
Mapa de xG de QuiñonesOpta by Stats Perform

"Sejamos naturalizados ou nascidos no México, todos queremos o mesmo: que esta seleção avance", afirmou Quiñones em 2024. O avançado partilha equipa durante o Mundial com outro binacional, o médio Alvaro Fidalgo, nascido em Espanha, e autor de um golo frente à República Checa (3-0).

Antes deles, no Catar em 2022, o mexicano de origem argentina Rogelio Funes Mori admitiu que seria sempre "criticado" pelas suas origens.

Quiñones quer fazer história

Para Guillermo Franco, "o patriotismo ou nacionalismo que o futebol mexicano demonstra é absurdo". Este avançado nascido na Argentina jogou por El Tri nos Mundiais de 2006 e 2010. Neste último, os adeptos mexicanos criticaram-no por competir com Javier "Chicharito" Hernández, que estava em grande forma.

Estes debates parecem distantes para o atual selecionador de Quiñones, Javier Aguirre: ele próprio é apelidado de "El Vasco" porque os seus pais nasceram no País Basco antes de emigrarem para o México.

"O meu pai obteve a nacionalidade mexicana", declarou Aguirre, acrescentando que não podia "opor-se a que as pessoas venham para este país ganhar a vida". Quiñones correspondeu à confiança do técnico, que o utiliza como extremo esquerdo, com Raúl Jiménez no centro e Roberto Alvarado na direita.

O selecionador destacou que Quiñones está "muito confortável quando joga na ala". "Nessa posição marcou 33 golos", recordou, referindo-se à sua época como melhor marcador na liga saudita, à frente de Cristiano Ronaldo (28) e Karim Benzema (17).

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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