Os Leopardos participaram pela última vez no Mundial em 1974, jogando como Zaire, sendo a primeira equipa da África Subsariana a qualificar-se. Terminaram em último no seu grupo, após perderem os três jogos.
Sob o comando do treinador francês Sebastien Desabre, a RD Congo pôs fim a um jejum de 52 anos sem presenças em Mundiais. A equipa percorreu um exigente caminho de qualificação, garantindo o apuramento através do Torneio de Playoff Intercontinental da FIFA, por uma margem mínima.
A RD Congo qualificou-se ao vencer a Jamaica por 1-0 nos play-offs intercontinentais. Para chegar a essa fase, terminou em 2.º lugar no seu grupo de qualificação da CAF, eliminou os Camarões e a Nigéria nos play-offs africanos e assegurou a presença no torneio final, agora alargado a 48 equipas.
A RD Congo vai entrar no Mundial-2026 carregando não só as esperanças de uma das nações africanas mais apaixonadas pelo futebol, mas também a convicção crescente de que esta equipa pode fazer muito mais do que apenas participar.
Sorteados num difícil Grupo K, juntamente com Portugal, Colômbia e Uzbequistão, os Leopardos têm um desafio exigente em teoria.
No entanto, segundo o defesa de 28 anos Gedeon Kalulu, que joga no Aris Limassol, do Chipre, os Leopardos vão entrar na competição mundial conscientes de que têm um plantel forte, capaz de lutar “pelo nosso sangue e pelas nossas raízes”.
RD Congo não vai estar nervosa
“Não importa contra quem vamos jogar. É o Mundial, por isso é natural que tenhamos de defrontar grandes nomes,” disse Kalulu à FIFA.
“Estamos lá porque temos valor para isso. Temos de os encarar olhos nos olhos, sem medo nem nervosismo. É a maior competição de todas, aquela que víamos na televisão desde pequenos. Vamos jogar pelo nosso sangue, pelas nossas raízes – é incrível", acrescentou.
“É um país extraordinário, com uma população de 100 milhões. 100 milhões de pessoas! Nem acho que as pessoas tenham noção. Já lá vão 52 anos – mais de meio século – desde que os congoleses sentiram a emoção de um Mundial!", recordou.
Sobre defrontar a Colômbia, Kalulu afirmou: “Não devemos necessariamente colocá-los abaixo de Portugal. Esses dois jogos não vão ser mais fáceis do que o primeiro. De qualquer forma, sabemos que não vamos ao Mundial com uma equipa acima das restantes e que vai atropelar toda a gente.”
Portugal no jogo de abertura
Kalulu poderá ser titular na linha defensiva da RD Congo ao lado de Chancel Mbemba, Cedric Bakambu, com a equipa a ter concedido apenas um golo nos últimos cinco jogos.
“Quando estamos com a mentalidade certa, é difícil vencer-nos. Temos uma equipa disciplinada que sabe ser paciente”, afirmou Kalulu.
“Já mostrámos que somos capazes de recuar, deixar o adversário ter a bola e criar-lhe problemas quando a recuperamos, avançando rapidamente e em bloco", acrescentou.
Sobre o que pretende dar à equipa caso seja titular, Kalulu disse: “Estou aqui para jogar com as minhas qualidades, sem tentar ser alguém que não sou, e neste momento as minhas forças são a capacidade de subir pela ala, correr muito e desgastar o meu adversário direto. Vou tentar trazer a minha atitude positiva, mas também o meu espírito de luta e determinação. Espero dar tudo se e quando o treinador me chamar. Não tenho outros objetivos para este Mundial.”
“Falei com os meus três irmãos e a minha irmã depois de sair a convocatória. Percebemos que algo grande estava prestes a acontecer. O nosso apelido vai ser conhecido até aos Estados Unidos", concluiu.
Os Leopardos vão defrontar Portugal a 17 de junho, no seu primeiro jogo – um início exigente frente a uma das equipas favoritas à conquista do torneio.
