A formação das quinas foi eleita pela FIFA a que mais entreteve na Alemanha, apesar de não ter realizado exibições de grande exuberância estética, nem ter tido grandes destaques individuais, num coletivo forte e batalhador no Mundial-2006.
Dois anos após a amarga derrota na final do Euro-2004, em casa, perante a Grécia (0-1), os comandados do brasileiro Luiz Felipe Scolari só ficaram atrás dos monstros Itália, França e Alemanha e eliminaram, como dois anos antes, Inglaterra e Países Baixos.
Sete golos, menos dois do que os apontados a solo por Eusébio no bronze de 1966, chegaram para o quarto posto, num trajeto que terminou com duas derrotas, perante França (0-1), nas meias, e a anfitriã Alemanha (1-3), no jogo de consolação.
Para a história, ficou, ainda assim, uma grande proeza, uma prestação para recordar, sobretudo face aos épicos encontros com os neerlandeses - na denominada batalha de Nuremberga - e a Inglaterra, que, dois anos depois, Ricardo voltou a eliminar nos penáltis.
O coletivo foi a grande arma da formação lusa, na qual rarearam os momentos de génio de Figo, em despedida, e Cristiano Ronaldo, em estreia, bem como os golos de Pauleta, que só faturou na estreia, face a Angola (1-0). Os grandes golos de Maniche (dois) e Deco (um) e, sobretudo, a notável exibição de Ricardo com a Inglaterra, ao deter três pontapés na lotaria, recorde dos Mundiais, foram, juntamente com a surpresa Fernando Meira, o sinal mais da grande campanha lusa.
Em termos numéricos, foram quatro vitórias consecutivas (1-0 a Angola, 2-0 ao Irão e 2-1 ao México, na primeira fase, e 1-0 aos Países Baixos, nos oitavos de final), seguidas por um empate com sabor a triunfo (0-0 após prolongamento e 3-1 na lotaria, com Inglaterra, nos quartos) e duas derrotas a terminar
O nulo com os ingleses deixou em 11 o número de triunfos consecutivos de Scolari em Mundiais, após os sete com o Brasil em 2002, rumo ao cetro, e o desaire com os gauleses colocou um ponto final em 19 jogos sem perder da equipa lusa.
A formação das quinas, que garantiu os oitavos ao segundo jogo da primeira fase, superando desde logo as trágicas presenças de 1986 e 2002, já chegou à Alemanha embalada, após uma qualificação sem mácula - nove vitórias e três empates.
Um grande pragmatismo, um onze coeso e imutável e Cristiano Ronaldo (sete golos e seis assistências) foram a chave do apuramento, num grupo acessível, com Eslováquia, Rússia, Estónia, Letónia, Liechtenstein e Luxemburgo.
Tirando um espaço de cinco dias em que Portugal passou do péssimo (2-2 no Liechtenstein, após estar a vencer por 2-0) ao excelente (7-1 à Rússia), o percurso foi regular, com apenas mais dois empates cedidos: 1-1 em Bratislava e 0-0 em Moscovo.
Portugal, com o regressado Figo na segunda metade, cumpriu a segunda qualificação consecutiva sem derrotas (após a do Mundial de 2002) e, como em 1966, garantiu o apuramento a uma ronda do final (2-1 ao Liechtenstein, em Aveiro).
As facilidades têm, porém, muito a ver com Cristiano Ronaldo, então no Manchester United, que tratou do assunto sozinho em várias situações, merecendo também destaque os 11 tentos de Pauleta, que ultrapassou o recorde de Eusébio (41) no derradeiro jogo de qualificação, já só para cumprir calendário.
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