Mundial-2026: Ronaldo ultrapassou lágrimas, peso da idade e renasceu para um sexto torneio

Ronaldo em ação por Portugal
Ronaldo em ação por PortugalMIGUEL LEMOS / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Cristiano Ronaldo despediu-se do Mundial-2022 em lágrimas, ponderou abandonar a seleção portuguesa, mas, aos 41 anos, promete estar em força no seu sexto Campeonato do Mundo de futebol, na última tentativa para levantar o troféu.

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Tudo apontava para que o Mundial do Catar-2022 marcaria o adeus daquela que já é uma das maiores figuras de sempre do desporto, mas nos últimos três anos e meio tudo mudou, primeiro com a entrada de Roberto Martínez no comando de Portugal, mas também pela estabilidade que encontrou no Al Nassr, da Arábia Saudita.

Apesar de estar num campeonato bem menos competitivo do que um big 5 europeu, Ronaldo recuperou a confiança no Médio Oriente, aumentou ainda mais o seu estatuto de superstar em todo o mundo e, com o tempo e mesmo com o peso da idade, foi acreditando que seria mesmo possível competir em mais um Mundial.

O filme do regresso de Cristiano Ronaldo começa em 2022, primeiro com a desilusão, como faz parte de qualquer argumento de Hollywood, com o português a perder a titularidade no Catar, a entrar em confronto com o selecionador Fernando Santos e ficar perto de pôr fim a um ciclo memorável de quase duas décadas.

Os números de Cristiano Ronaldo
Os números de Cristiano RonaldoFlashscore

“Não vou mentir, tive de meter tudo na balança. Tive bastante tempo para pensar, refleti com a minha família e chegámos à conclusão de que não podemos atirar a toalha ao chão, mesmo quando passamos dificuldades. Consegui perceber que ainda tenho muito para dar à seleção”, disse Ronaldo na primeira convocatória de Roberto Martínez.

Sucessor de Fernando Santos - quando se esperava que fosse iniciada a era pós-Ronaldo -, o técnico espanhol resgatou o avançado e foi o mentor do seu regresso, com o madeirense a assinar 10 golos em nove jogos no caminho para o Euro-2024, na primeira qualificação perfeita (10 vitórias em 10 jogos) da história da seleção nacional.

A meio do apuramento, na Islândia, Ronaldo chegou às 200 internacionalizações e, nessa partida, assinou mesmo o golo da vitória (1-0), já bem perto do fim.

Após a crise do Catar, Cristiano estava de volta ao mesmo lugar que ocupou praticamente desde 2003, quando chegou à seleção nacional, pela mão do brasileiro Luiz Felipe Scolari, mas a fase final do Europeu, que decorreu na Alemanha, levantou dúvidas sobre a sua contribuição para a equipa ao mais alto nível.

Em solo germânico, com Portugal a cair nos quartos de final com a França, o avançado ficou a zero durante toda a competição, falhando mesmo uma grande penalidade frente à Eslovénia, nos oitavos.

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Subitamente, a continuidade de Ronaldo na seleção nacional voltou a ser questionada, mas Roberto Martínez manteve a confiança no jogador, apontando a sua importância no balneário, não só pela sua experiência, mas também pelo seu comportamento.

“O nível de compromisso dele é o de um jovem fresco de 18 anos. É incrível perceber que essa fome continua intacta desde o primeiro dia”, referiu várias vezes o selecionador.

As palavras do espanhol resultaram, com Ronaldo a marcar por seis vezes no caminho para a final four de Portugal na Liga das Nações, competição que a equipa lusa acabaria por conquistar, em Munique, e com o madeirense a marcar frente à Alemanha, nas meias, e contra a Espanha, na final.

Sempre com o discurso de “um dia de cada vez”, e sem nunca assumir que estaria em condições para disputar o Mundial-2026, o vício de CR7 manteve-se no caminho para o próximo Campeonato do Mundo, com mais cinco golos na fase de apuramento.

No terceiro ato, Ronaldo terá agora que protagonizar o final perfeito nos Estados Unidos, ao levantar o troféu de campeão mundial, reforçando o papel de lenda na história do futebol.