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Opinião: O futebol deve um agradecimento a Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo acena aos adeptos após o jogo com a Colômbia no Mundial
Cristiano Ronaldo acena aos adeptos após o jogo com a Colômbia no MundialSipa USA / Sipa USA / Profimedia

2026 assinalou o início de uma nova era no mundo do futebol. Poucas semanas depois de Lionel Messi ter encerrado uma gloriosa carreira internacional com a Argentina, o seu rival, Cristiano Ronaldo, fez o mesmo com Portugal. Embora continuem a jogar no Inter Miami e no Al Nassr, respetivamente, nunca mais veremos nenhum dos dois no palco internacional.

O tempo não espera por ninguém

O tempo não espera por ninguém, naturalmente, e, embora Ronaldo se tenha mantido numa forma física que poderia provocar a inveja de jogadores com metade da sua idade, a verdade é que Portugal tem agora melhores opções no plantel. E isso foi claramente difícil de aceitar para o jogador de 41 anos.

"Nunca senti que a camisola me pertencesse apenas a mim, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, defendê-la e levá-la comigo para estádios de todo o mundo", afirmou Ronaldo no seu discurso de despedida. 

"Hoje chegou o momento de a passar às gerações futuras. Não foi uma decisão fácil, porque algumas decisões não são tomadas apenas com a cabeça — também são tomadas com o coração. Uma viagem que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre chegou ao fim."

Tendo em conta o excelente serviço prestado ao seu país, é uma enorme pena que não lhe tenha sido dada a oportunidade de se retirar em glória, da mesma forma que aconteceu com Messi. No mínimo, Ronaldo merecia uma despedida e um carinho desse nível.

Proposta de paz recusada

No entanto, tal como aconteceu quando foi afastado do Manchester United, parece ter sido uma discussão com o treinador a obrigar o jogador a tomar esta decisão.

Jorge Jesus tinha deixado claro que a porta estava aberta para Ronaldo continuar, mas não lhe garantia um lugar no onze inicial.

Sem procurar desvalorizar de forma alguma os feitos do jogador, essa pareceu uma decisão sensata por parte de um treinador totalmente focado em conquistar os maiores troféus para a seleção das quinas.

Sem Ronaldo no plantel, o futuro da Seleção Nacional portuguesa será bastante diferente, e não faltarão compatriotas seus determinados a deixar a sua marca no palco internacional.

Estreia internacional aos 18 anos

É pouco provável que algum deles atinja os níveis incríveis do jogador que se estreou aos 18 anos, quando saiu do banco num jogo amigável frente ao Cazaquistão, a 20 de agosto de 2003, para substituir Luís Figo.

Não demorou muito a marcar o seu primeiro golo por Portugal, embora tenha sido apenas um tento de consolação nos descontos, numa derrota por 2-1 na fase de grupos frente à Grécia, no Euro-2004.

Os gregos viriam a derrotar Portugal, anfitrião do torneio, na final. Ainda assim, a nível pessoal, Ronaldo podia estar satisfeito por ter sido incluído na Equipa do Torneio.

Continuou a fazer parte da equipa que terminou no terceiro lugar no Mundial dois anos mais tarde, um torneio que ficará marcado pelas tentativas de Ronaldo de fazer com que o seu companheiro de equipa no Manchester United, Wayne Rooney, fosse expulso.

Sem dúvida, um dos momentos altos da sua carreira internacional surgiu cerca de 11 anos mais tarde, quando Portugal conquistou finalmente o seu primeiro grande torneio: o Euro-2016.

Embora se tenha lesionado na final frente à anfitriã e favorita França, isso não impediu Ronaldo de festejar efusivamente após o apito final, graças ao fantástico remate de longa distância de Éder, que decidiu o jogo no prolongamento.

Golos em seis Mundiais consecutivos

Ninguém deverá esquecer o seu hat-trick frente à Espanha no Mundial de 2018, numa exibição individual extraordinária. 

O que muitas vezes passa despercebido nesse feito é que já tinha 33 anos, tornando-se no jogador mais velho a marcar um hat-trick na história da competição.

Esses três golos contribuíram para os 11 que marcou nos seis Mundiais em que participou. Com pelo menos um golo em cada uma dessas edições, tornou-se no primeiro jogador a marcar em seis Mundiais consecutivos - mais um recorde que provavelmente resistirá ao passar do tempo.

Embora muitos considerem a Liga das Nações uma competição inferior a torneios como o Mundial e o Campeonato da Europa, continua a ser um título para conquistar. As vitórias de Portugal em 2019 e 2025 fazem do país a seleção mais bem-sucedida da prova.

Com 15 golos nessa competição, Ronaldo só é superado por Erling Haaland (22) em termos de golos marcados.

146 golos em 234 internacionalizações por Portugal

Na verdade, quando a poeira assentar e as conversas terminarem, será possível compreender verdadeiramente o impacto de Ronaldo no futebol internacional.

Com 234 internacionalizações pelo seu país, Ronaldo alcançou o incrível recorde mundial de 146 golos. Embora jogadores como Kylian Mbappe e Erling Haaland procurem batê-lo, não será tarefa fácil.

Em comparação, Messi marcou 126 golos em 208 jogos pela Albiceleste.

Ronaldo pode ainda acrescentar 37 assistências e 10 hat-tricks ao seu currículo internacional. Ao baixar o pano sobre esta etapa da carreira, o futebol, no seu conjunto, deve tirar o chapéu a um dos melhores jogadores de sempre.

Tudo sobre o caso Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo anunciou a despedida da seleção portuguesa a 05 de novembro, depois de ter abandonado o estágio da equipa a 30 de setembro, na véspera do jogo com a Dinamarca.

Veja as reações ao adeus do capitão e recorde todas as polémicas de CR7 com Portugal, assim como toda a cronologia da crise.

O adeus de Ronaldo à seleção
O adeus de Ronaldo à seleçãoGetty Images via AFP
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