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Depois da campanha histórica no Catar, em que eliminou Alemanha e Espanha na fase de grupos, os japoneses fizeram um caminho mais discreto desta vez. Chegaram ao empate por duas vezes com os Países Baixos na estreia, golearam a Tunísia por 4-0 e fecharam a fase de grupos com um empate 1-1 diante da Suécia - resultado que só foi possível graças às defesas decisivas do guarda-redesZion Suzuki.
A força do plantel aparece na origem dos jogadores. Os 11 titulares contra os suecos atuavam em clubes europeus, entre eles Daichi Kamada, do Crystal Palace, e Hiroki Ito, do Bayern de Munique. O projeto da federação japonesa tem a mira no título mundial até 2050, mas a evolução da equipa coloca o Brasil diante de um adversário organizado e com um modelo de jogo muito claro.
O raio-X dos golos mostra que o lado direito é o principal ponto de partida das jogadas. A bola circula rapidamente, quase sempre sem condução longa, até chegar perto da área. A partir daí, o ataque afunila pelo meio ou inverte para a esquerda, explorando a movimentação dos avançados. Para o Brasil, isso significa testar a proteção do setor central, especialmente a cobertura feita pelos médios à entrada da área.
Contra os Países Baixos, Keito Nakamura abriu o marcador com um remate da meia-lua. Já Kamada marcou de cabeça após cobrança de canto nos minutos finais.

Um aspecto chama à atenção: o Japão costuma crescer depois do intervalo. Cinco dos sete golos marcados (71%) aconteceram na segunda parte. A única exceção foi a goleada sobre a Tunísia, quando a equipa entrou em campo com intensidade desde o início.
O primeiro golo surgiu aos quatro minutos numa jogada típica dos japoneses. A bola deixou a defesa pelo lado direito e, em apenas três passes, chegou à entrada da área. Houve inversão para a esquerda, cruzamento fechado e conclusão para o fundo das redes. O segundo golo, marcado por Ayase Ueda, também nasceu pela direita, com finalização da entrada da área. Depois do intervalo, os outros dois golos seguiram praticamente o mesmo roteiro: transições rápidas e poucos toques. O quarto foi mais um cabeceamento de Ueda — dois dos sete golos japoneses foram marcados pelo ar.

Camisola 18 da seleção — número herdado do pai, que homenageava o ídolo Jürgen Klinsmann —, Ueda é um avançado de excelente leitura de jogo. Movimenta-se constantemente em diagonais e abre espaços para os companheiros. Foi exatamente isso que aconteceu diante da Suécia, quando a sua movimentação permitiu que Maeda recebesse livre para marcar de fora da área após o passe de Doan. Foi o único golo japonês de fora da grande área neste Mundial.
Embora a construção comece preferencialmente pela direita, o lado esquerdo também é uma arma importante. Muitas inversões procuram Keito Nakamura, atacante do Reims, capaz de acelerar no um contra um e desequilibrar quando recebe em velocidade.

As brechas para o Brasil
Defensivamente, o Japão também apresenta padrões. Os três golos sofridos na fase de grupos aconteceram na segunda parte.
Contra os Países Baixos, o cruzamento de Ryan Gravenberch, pela direita, encontrou Virgil van Dijk completamente livre para marcar de cabeça. Já o segundo golo neerlandês e o empate da Suécia nasceram praticamente do mesmo setor: o lado direito da entrada da área japonesa. No caso neerlandês, a finalização ocorreu já dentro da área. Contra os suecos, Anthony Elanga rematou pouco antes da linha.

Os dois lances indicam um espaço que Carlo Ancelotti pode explorar. Pela característica de atacar esse corredor e finalizar em velocidade, Rayan surge como um dos jogadores brasileiros com potencial para aproveitar justamente a região em que o Japão mais sofreu na fase de grupos.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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