Nove anos, quase uma década, separam dois mercados de transferências históricos para o Paris Saint-Germain. Mas o valor destes dois mercados é totalmente distinto, pois situam-se em extremos opostos pela sua natureza.
Em 2017, o clube da capital surpreendeu o mercado de transferências ao contratar Neymar Jr, o jogador mais valioso do momento, apenas atrás de Messi e Cristiano Ronaldo. Pelo caminho, foi batida uma cláusula: a dos 222M€, que o brasileiro tinha assinado com o Barcelona. Logo de seguida, Nasser Al-Khelaifi "desvia" Kylian Mbappé do Real Madrid e garante o jogador de maior potencial da Europa. Modalidades da operação: um empréstimo com compra obrigatória fixada em 180M€.
O maior gastador da história naquela altura — antes de ser ultrapassado pela Premier League mais tarde —, Nasser Al-Khelaifi mudou desde então completamente a sua política de recrutamento, certamente tranquilizado por esse objetivo durante muito tempo obsessivo, a Liga dos Campeões, finalmente alcançado, mas também pela chegada de Luis Campos e Luis Enrique. Este verão, o PSG tornou-se o maior vendedor da Europa, realizando um mercado de transferências de verão histórico em termos de receitas de transferências. Uma verdadeira lição de gestão. E se há nove anos nos tivessem dito o que o PSG iria fazer no mercado de 2026, teríamos considerado essa pessoa louca.
Para se ser o melhor da Europa não se deve jogar apenas dentro das quatro linhas, mas também nos gabinetes. E para manter essa competitividade ano após ano, o Paris SG prepara-se todos os verões para realizar as operações mais racionais tendo em conta o seu projeto desportivo. O clube terminou assim o verão como o clube europeu que gerou as maiores receitas de transferências graças às saídas de jogadores no mercado de verão de 2026/27, com 400,4 M€, à frente do Aston Villa (360 M€) e do Manchester City (336 M€). Um mercado de verão histórico, já que estes 400,4 M€ representam as maiores receitas de transferências alguma vez geradas por um clube num único mercado de verão em toda a história.
400,4 M€: o detalhe de um mercado histórico
Nunca um clube tinha ultrapassado a fasquia dos 400 M€ de receitas de transferências num só mercado. Para comparação, apenas três clubes tinham até agora superado os 300 M€: o Chelsea em 2025/2026 (337 M€), o Atlético em 2018/2019 (315 M€) e o Mónaco em 2017/2018 (365 M€). Outro indicador desta mudança de rumo na política do clube da capital: nos últimos cinco mercados de verão somados, o Paris SG ocupa agora o 3.º lugar europeu em receitas geradas pelas saídas de jogadores, com 815 M€, atrás do Chelsea (1,15 mil milhões de euros) e do Manchester City (845 M€).
Estes números ilustram a evolução do modelo parisiense, agora capaz não só de atrair talentos, mas também de os desenvolver e de obter um valor significativo a médio prazo. A estratégia recente do PSG reflete igualmente uma disciplina financeira mais vincada e uma nova paciência no mercado de transferências: deixar sair Donnarumma apesar das críticas, para depois conquistar a Liga dos Campeões logo a seguir; esperar seis meses antes de contratar Kvaratskhelia, por metade do preço; abdicar de Suzuki ou Diomandé; ou ainda fazer regressar Xavi Simons antes de o vender com uma mais-valia significativa.

Este verão, precisamente, Barcola foi vendido por 145 M€ ao Liverpool, depois de ter sido contratado por 45 M€. Mbaye, produto puro da Academia, saiu por 60 M€, enquanto Kamara, também formado no clube, deixou o PSG por 4,1 M€. Kang-in Lee, por sua vez, transferiu-se para o Atlético de Madrid por 40 M€, tendo sido contratado por 22 M€. No caso de Kolo Muani, o Paris SG arrecada no total 64 M€: 50 M€ + 8 M€ provenientes do anterior empréstimo pago ao Tottenham, bem como 6 M€ pagos pela Juventus. Por fim, a venda de Gonçalo Ramos ao Milan rende 75 M€ + 15 M€ em bónus, por um jogador que tinha sido contratado por 65 M€ + 10 M€ em bónus — nunca atingidos.
"O maior mercado de suplentes da história", diz-se do lado do PSG, onde se exibe um orgulho legítimo pelo trabalho realizado pelo trio responsável: Nasser Al-Khelaifi, Luis Campos e Luis Enrique. O Paris SG demonstra assim que o sucesso desportivo e a geração de receitas de transferências podem perfeitamente andar de mãos dadas, quando até agora estas duas dimensões pareciam difíceis de conciliar. E, acima de tudo, esta estratégia de criação de valor não é feita em detrimento da ambição desportiva: o clube continua a construir uma equipa preparada para vencer, ao mesmo tempo que valoriza os seus jogadores.
A estabilidade do trio presidente-diretor desportivo-treinador é o fator-chave desta política, que permite conjugar sucesso no relvado e sucesso nos gabinetes — uma configuração extremamente rara na história recente do PSG. Por fim, segundo as nossas informações, Nasser Al-Khelaifi desempenhou um papel central em cinco operações deste verão, graças à sua rede de contactos e à sua capacidade de instaurar confiança ao mais alto nível.
Com o Liverpool (Barcola), as negociações foram conduzidas com Billy Hogan e Mike Gordon, apoiadas por uma forte relação pessoal com John Henry. Com a Juventus (Kolo Muani), negociou diretamente com John Elkann, com quem mantém uma relação pessoal de longa data. No caso de Gonçalo Ramos, as conversações com o AC Milan decorreram com Gerry Cardinale, também proprietário do Toulouse. Para a transferência de Kang-in Lee para o Atlético de Madrid, o interlocutor foi Miguel Ángel Gil, igualmente vice-presidente da ECA. Por fim, para Mbaye e o Aston Villa, as negociações foram conduzidas com Nassef Sawiris, com quem Nasser Al-Khelaifi também mantém boas relações.
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