Recorde as incidências do encontro
Com a vantagem de dois golos trazida do jogo da primeira mão, os parisienses entraram nesta primeira parte em Anfield com rigor e várias palavras de ordem: posse, calma e pressão alta. Uma estratégia lógica e uma execução, durante largos minutos, quase irrepreensível.

O Liverpool deu logo sinal de perigo no início, com um cabeceamento de Isak defendido por Safonov. Um aviso rapidamente esquecido. Porque o Paris SG assumiu rapidamente o controlo do jogo. Num lance bem desenhado, Mamardashvili teve de sair aos pés de Zaïre-Emery, lançado sozinho em profundidade pela esquerda. O alívio caiu nos pés de Dembélé, que obrigou o guarda-redes dos Reds a aplicar-se com um remate forte de longe.
Cinco minutos depois, o francês apareceu isolado, frente à baliza, mas o seu remate saiu por cima, para a bancada. O 0-1 esteve muito perto. Os minutos foram passando e os parisienses continuaram a controlar os Reds. Domínio da posse, posicionamento disciplinado, saída de bola do adversário dificultada: o plano de Luis Enrique estava a funcionar. Até ao pior momento da primeira parte.
Ekitike fora do Mundial
E esse momento chegou à meia hora de jogo. Numa aceleração, Hugo Ekitike caiu no relvado e levou instintivamente a mão ao tendão de Aquiles. Com o rosto desfeito, o avançado francês já não conseguiu levantar-se. Foi rapidamente assistido pelos antigos colegas parisienses, antes de abandonar o relvado de maca, em lágrimas, sabendo que falha o Mundial-2026.
Comovente. Mas o Liverpool voltou ao ataque. Salah deu novo ânimo aos Reds: o seu primeiro cruzamento encontrou Konaté, cuja recarga foi desviada por Hakimi após um duelo com Kerkez. Safonov interveio no limite, Van Dijk rematou de imediato... mas Marquinhos cortou. O capitão brasileiro festejou o corte como se fosse um golo, lado a lado com o seu guarda-redes. O Paris SG passou por apuros, mas manteve-se firme.
No entanto, também não saiu ileso: Nuno Mendes, vítima de uma lesão muscular, teve de dar o lugar a Lucas Hernández ainda antes do intervalo (37'). Uma má notícia para Luis Enrique, sobretudo porque as meias-finais estão já aí, dentro de duas semanas. No entanto, Roberto Martínez não terá, à partida, motivos de preocupação.
Sem golos até ao intervalo, as duas equipas regressaram com a mesma atitude para a segunda parte. O Liverpool atacou logo de início: Gakpo criou o primeiro remate do segundo tempo, obrigando Safonov a defender, antes de Gomez falhar o alvo de cabeça no canto seguinte. Os Reds pressionaram, mas o jogo voltou a parar devido a uma lesão. Doué ficou caído após um duelo com Szoboszlai, que o projetou contra o painel publicitário. Barcola entrou para os últimos quarenta minutos (52').
A pressão inglesa não abrandou. Gravenberch arrancou numa jogada individual e rematou forte, mas por cima. Salah encontrou depois Kerkez num espaço apertado à esquerda, mas o remate do húngaro saiu ao lado. O Liverpool sufocava os parisienses, que já não conseguiam sair a jogar sob os gritos de Anfield.
A sorte parecia finalmente virar para os Reds à passagem da hora de jogo. Mac Allister foi empurrado nas costas por Pacho dentro da área, e o árbitro assinalou penálti (63'), mas o VAR chamou Mariani para rever o lance, e a decisão foi anulada. O Liverpool continuou: Mac Allister tentou de cabeça, mas novamente por cima.
Se o Paris SG aguentava, não era por acaso — em cada situação de perigo, um ou mais parisienses sacrificavam-se para dificultar a vida ao portador da bola. O Paris SG dobrava-se, mas com um plano bem definido. Rio tentou o remate de pé direito, Safonov mergulhou e segurou. E foi aí, no momento mais complicado, que Dembélé apareceu.
Barcola arrancou pela esquerda e entregou a Kvaratskhelia à entrada da área. O georgiano serviu o francês no centro, que rematou de pé esquerdo, rasteiro, e bateu Mamardashvili (72'). O banco parisiense explodiu, os jogadores saltaram de alegria: o mais difícil estava feito. Dembélé ainda esteve perto de marcar o segundo pouco depois, mas já não importava — este golo deixou os Reds de rastos e reduziu Anfield ao silêncio.
No final, o Paris SG garantiu a qualificação para as meias-finais da Liga dos Campeões pela terceira época consecutiva, ao marcar mais um golo. O Bola de Ouro, mais uma vez ele, empurrou a bola de pé direito para o fundo das redes após uma assistência de Barcola (91'). 4-0 no total das duas mãos e um lugar nas meias-finais mais do que merecido, ficando agora a aguardar pelo adversário que será conhecido esta quarta-feira: ou o Bayern Munique ou o Real Madrid.

