Sabia que a Liga dos Campeões já teve eliminatórias decididas por moeda ao ar?

Em 2026 o Liverpool ficou nos quartos de final, mas em 1965 teve mais sorte
Em 2026 o Liverpool ficou nos quartos de final, mas em 1965 teve mais sorteReuters/Lee Smith

Antes da invenção das disputas de penáltis (que só se tornaram padrão na década de 1970), o futebol viveu alguns desempates com recurso à moeda ao ar. O caso mais emblemático da história dos clubes europeus aconteceu na temporada 1964/65, num duelo épico entre Liverpool e Colônia.

O duelo foi para os quartos de final da Taça dos Campeões Europeis, atual Liga dos Campeões.

Liverpool e Colónia jogaram três vezes, mas empataram todas, e a decisão foi para o... cara ou coroa.

O equilíbrio entre as duas equipas foi absoluto. O primeiro jogo, na Alemanha, terminou 0-0. No segundo jogo, em Anfield, um novo 0-0.

A UEFA marcou então uma partida de desempate em campo neutro, em Roterdão, nos Países Baixos, no dia 24 de março de 1965.

O terceiro jogo parecia que teria um vencedor. O Liverpool vencia por 2-0, mas o Colónia chegou ao empate 2-2. Sem penáltis previstos no regulamento, o destino das equipas foi entregue às mãos do árbitro belga Robert Schaut e à sua moeda.

O fiasco da moeda na lama

O que aconteceu a seguir beira o insólito. O relvado de Roterdão estava tão encharcado e lamacento que, quando o árbitro lançou a moeda pela primeira vez, ela caiu de pé, enterrada na lama.

Ninguém acreditou. O capitão do Liverpool, Ron Yeats, e o capitão do Colónia, Wolfgang Overath, observaram incrédulos enquanto o árbitro limpava a moeda para uma segunda tentativa. Na segunda vez, a moeda finalmente deitou. Calhou cara — o Liverpool estava na meia-final.

O técnico lendário do Liverpool, Bill Shankly, correu para o relvado para comemorar, enquanto os alemães protestavam contra a crueldade do método. O Liverpool acabaria eliminado na fase seguinte, pelo Inter de Milão.

O trauma de ver grandes seleções e clubes eliminados por puro azar levou à criação das disputas de penáltis. O mérito é atribuído frequentemente ao árbitro alemão Karl Wald, que propôs a ideia em 1970, após cansar-se de ver jogos decididos no sorteio.

A FIFA e a UEFA adotaram a regra pouco depois, retirando de vez a decisão por moeda ao ar.

Outros jogos decididos na moeda

O Liverpool não foi o único "sortudo" da história. Antes de 1970, a moeda era a juíza suprema do futebol mundial. Relembre outros casos:

1. O Drama de Nápoles: Itália - URSS (Euro-1968)

Este é o caso mais famoso em seleções. Na meia-final do Europeu de 1968, Itália e União Soviética empataram 0-0. O capitão italiano, Giacinto Facchetti, desceu ao balneário com o árbitro e o capitão soviético para o sorteio.

Facchetti saiu a correr do túnel, comemorando como se tivesse feito um golo. A Itália venceu no cara ou coroa, avançou para a final e conquistou o título sobre a Jugoslávia.

2. O Menino de 14 Anos: Turquia - Espanha (Eliminatórias Mundial-1954)

Nas eliminatórias para o Mundial de 1954, Turquia e Espanha precisavam de decidir quem iria ao Mundial na Suíça. Após dois jogos e um desempate empatados, a decisão foi para o sorteio.

Diz a lenda que chamaram um menino italiano de 14 anos, chamado Luigi Franco Gemma, filho de um funcionário do estádio, para tirar o nome de um dos países de dentro de uma taça. O menino puxou "Turquia", e a Espanha ficou fora do Mundial.

3. Celtic - Benfica (Taça dos Campeões Europeus 1969/70)

Nos oitavos de final da edição 1969/70, o Celtic e o Benfica empataram a eliminatória. A moeda decidiu a favor dos escoceses, que acabaram por chegar à final daquela edição.