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Amorim aborda "jogo especial" e possível convite do Benfica: "Não iria treinar em Portugal"

Ruben Amorim, treinador do AC Milan
Ruben Amorim, treinador do AC MilanREUTERS/Daniele Mascolo

Ruben Amorim, treinador do AC Milan, fez esta terça-feira a antevisão ao encontro com o Benfica, a contar para a 1.ª jornada da fase regular da Liga Europa, que está agendado para as 20:00 de quarta-feira, em San Siro. Leia as declarações abaixo.

Acompanhe as incidências e relato do encontro

Benfica e jogo de quarta-feira: "É um jogo importante, é o primeiro jogo da Liga Europa, mas é um jogo especial. Já jogaram duas finais de Liga dos Campeões, o Benfica perdeu as duas. É um símbolo do futebol europeu. O Rui Costa jogou aqui, é uma referência para o Milan, o Gonçalo (Ramos) cresceu no Benfica, passei pelo Benfica como jogador, é especial, mas só me interessa vencer e não ter lesões para pensar no jogo a seguir com o Lecce. É um jogo especial, mas quando começar será mais um jogo de Liga Europa".

Objetivos do Milan na Liga Europa: "Estamos na competição para a vencer. Acho difícil olhar para a competição e pensar que somos grandes candidatos. Há muitas equipas com possibilidade para chegar à final, mas para chegarmos lá e sermos competitivos no campeonato temos de ter um plantel forte e temos de ter rotação do plantel. Se não tivermos lesões e todos os jogadores estiverem dentro da época, é possível vencermos qualquer jogo".

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Rotação da equipa e jogo com a Lazio: "Olhei para o jogo e fiz a minha avaliação, como toda a gente. Jogámos de forma diferente na segunda parte, mas não foi só pelas mudanças. Houve jogadores que jogaram na primeira parte e estiveram melhor na segunda. Não tem a ver com a mudança de dois ou três jogadores. Podemos pensar que vamos pôr o mesmo 11, mas não tenho essa ideia. A história é diferente. Há jogadores que não fizeram a pré-época e tenho de os gerir. O que retirei do jogo com a Lazio não foi que os três jogadores (Musah, Diego Moreira e Pulisic) mudaram a equipa, foi que a equipa jogou um jogo diferente. Temos de ter essa energia para jogar um futebol positivo".

Convite para treinar o Benfica: "Era claro desde o primeiro dia que eu não iria treinar em Portugal, que iria parar e estar um ano parado com a minha família, algo que prometo há quatro anos. Depois recebi uma chamada do Milan, tive uma conversa com os donos do Milan e eles convenceram-me a trabalhar mais cedo. Não ia trabalhar, claramente não ia voltar a Portugal neste momento. Surgiu o Milan, nenhum outro convite me ia fazer voltar a trabalhar. Apareceu o Milan e eu cedi".

Luka Modric: "Para ele se sentir confortável no jogo, temos de ter a posse de bola muito tempo. Lembro-me de sete maus passes sem pressão em que perdemos a bola, depois transformamos o jogo num jogo de corridas. Esse não é o jogo que o Luka tem de jogar. Temos de ter alguém para pensar o jogo com a bola e é essa a ideia quando ele joga. Toda a gente tem uma opinião definitiva de todos os jogadores semana após semana. Com a Juventus, o Diego Moreira jogou mal e não estava preparado. Uma semana depois, dizemos que é o herói do Milan. Não vou tirar conclusão do jogo do Luka. Já ganhou a Bola de Ouro e sei o seu valor. Cada jogo tem a sua história. Não digo se joga amanhã, mas não tiro definições dos jogadores semana após semana. Sei o que valem e faço a gestão do momento de cada um".

Resultados recentes do AC Milan
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Hutchinson: "Foi o último a chegar. Tivemos algum cuidado com isso, mas está preparado para jogar. Não quero dar o onze, o Marco (Silva) está a ver o jogo, é muito inteligente, mas o Hutchinson está apto para jogar de início".

Benfica capaz de vencer a Liga Europa: "O Benfica pode vencer qualquer jogo, tem um grande treinador e jogadores para isso. Às vezes, os clubes portugueses têm uma responsabilidade que não deviam ter. Olhando para o treinador, para a equipa, a rotação que se pode fazer na Liga, é possível se correr tudo bem. Vejo um Benfica muito forte, uma identidade clara e capaz de vencer a Liga. A Liga Europa não deve ser responsabilidade das equipas portuguesas. Não vou pôr essa pressão no Marco. Eu olho para a minha equipa, vejo outras equipas inglesas fortes, mas também nos vejo com responsabilidade de chegar longe. São capazes de vencer, têm treinador e jogadores para isso, mas não acho que devem ter essa responsabilidade porque os clubes portugueses já fazem muito com menos do que os outros".

Saudades de treinar em Portugal: "Tenho saudades do meu país, mas se há país parecido com o português é Itália. Acho que vou ficar aqui uns anos, aconteça o que acontecer, nunca sabemos, mas sinto-me em casa. Portugal será sempre o meu país, tenho saudades das pessoas, mas a minha história agora é em Itália. Sou um bocadinho italiano".

Probabilidades de vitória
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Onze base do Milan: "Qualquer treinador tem uma ideia do onze base da sua equipa, mas, pela minha experiência, lutei pelo campeonato, Liga Europa e Taças. É impossível pensar em 14 jogadores para vencer competições. É difícil dizer que temos um onze base, a ideia é não ter um onze base, mas sim uma identidade. Tenho uma ideia dos jogadores que vou querer para a equipa em alguns jogos. Se pensarem e forem honestos, quem diria que o Musah seria titular e o Luka Modric seria um problema? Ninguém. Isso mudou porque os últimos jogos mostraram isso. É preciso um plantel inteiro para vencer competições. Para certos jogos, começo a perceber que tipo de jogador devo ter, tenho uma ideia mais clara do plantel, mas isso muda durante o ano e ainda bem".

Objetivo mínimo: "O Milan é um clube enorme, não há um objetivo mínimo. Qualquer que seja o resultado e não seja ganhar, vão criticar a equipa. Tive essa experiência em Portugal. Em Portugal toda a gente diz que o Benfica tem de ganhar a Liga Europa. Não há objetivos mínimos. O objetivo é vencer. Se não vencermos, vai ser curto para toda a gente. Não sou o treinador que mete quartos de finais ou meias-finais. Temos um objetivo e é ganhar. Menos do que isso, vamos ser criticados. Não é tanto pelo sentido económico, a Liga Europa não tem nada a ver com a Liga dos Campeões. Sabemos que é difícil, mas o objetivo é ganhar o próximo jogo porque ficamos mais perto de ganhar a competição".

Evolução do AC Milan: "Os jogadores aprenderam bem a forma como queríamos jogar. Já jogávamos com três centrais e isso ajudou um pouco. Adaptaram-se mais rápido do que eu pensava na forma de pressionar. Variamos muito entre jogar bem e ter dificuldade com bola, mas temos tido mais posse. Estamos focados na fase de construção, mas temos dificuldades no último terço, não temos muitos toques na área, as entradas no último terço não são altas o suficiente para termos um rendimento forte como equipa. Há jogadores com fisicalidade e com futuro, são jovens ainda, vamos dar continuidade ao projeto".

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Análise ao Benfica: "A grande força é que há uma ideia muito clara. Conseguimos perceber o que o Benfica quer fazer. Jogam com um extremo dentro pelo lado direito, que é o Rafa, mas se jogar o Lukebakio é diferente. O Prestianni tem feito um grande trabalho, é perigoso perto da área. São muito confiantes, têm muita rotatividade, o Barreiro tem feito um trabalho incrível. Jogar o Pavlidis e o Durán muda completamente o jogo. O Palhinha vai jogar este e o próximo. É um jogador muito forte nas bolas paradas e pressão. O Benfica é uma equipa com excelente treinador, habituada à pressão e a ganhar. A equipa está confiante, mas estamos preparados. Acho que vai ser um bom jogo e vai ser divertido de se ver".