Todos os vencedores da Liga Europa: de 1972 a 2025

Todos os vencedores da Liga Europa: de 1972 a 2025
Todos os vencedores da Liga Europa: de 1972 a 2025Ferenc Isza | AFP

Aston Villa ou Friburgo será coroado campeão da Liga Europa esta quarta-feira à noite, mas porventura o leitor saberá qual o conjunto com maior número de triunfos nesta competição de clubes da UEFA?

Criada em 1971, na sequência da abolição da Taça das Cidades com Feiras, a Liga Europa era anteriormente conhecida sob outra designação. Esse título original é o antecessor da Taça UEFA, tendo sido competição que adoptou um formato de eliminatórias durante boa parte dos seus 37 anos de existência.

A Taça UEFA conheceu o seu término após a conclusão da temporada 2008/09, na qual o Shakhtar Donetsk derrotou o Werder Bremen, da Bundesliga, em Istambul - a mesma cidade que acolherá a final deste ano -, tornando-se assim no segundo clube ucraniano a conquistar um dos maiores troféus do futebol europeu de clubes.

Antes da viragem do milénio, a Taça UEFA era disputada em paralelo com a mais prestigiada Taça dos Clubes Vencedores das Taças da UEFA. A Lazio foi a última formação a erguer este título extinto em 1999, na sequência de 39 épocas de atividade. Assim se elevaria o estatuto da Taça UEFA, que passou a ser secundária unicamente em comparação com a Liga dos Campeões.

A estreia da Liga da Conferência consolidou o estatuto da Liga Europa como a segunda competição mais relevante do Velho Continente, sendo que a entrada direta na Liga dos Campeões, cortesia dos vencedores da prova, veio reforçar ainda mais a sua importância.

A Atalanta tornou-se o 30.º clube a vencer a Taça UEFA/Liga Europa ao derrotar o Bayer Leverkusen na final de 2024, enquanto o Tottenham mantém o troféu à entrada para a final de 2026, graças ao triunfo por 1-0 sobre o Manchester United, em maio passado.

Campeões consecutivos

O Sevilha é, sem dúvida, a equipa mais bem sucedida da história da Liga Europa, tendo vencido a competição em sete ocasiões diferentes. Os andaluzes conquistaram tais troféus num espaço de 17 anos: o primeiro título continental foi logrado há exatamente duas décadas; o sétimo, já em 2023.

2005/06 - Um troféu deveras aguardado

Antes de conquistar a Taça UEFA em 2005/06, o Sevilha não ganhava um único troféu há quase seis décadas. Os andaluzes enfrentaram adversários russos em seis ocasiões durante essa campanha memorável, com um triunfo nos oitavos de final sobre o Lokomotiv e nos quartos de final contra o Zenit.

Numa noite célebre em Eindhoven, os espanhóis eliminaram o Middlesbrough, graças aos golos de Luís Fabiano, ponta-de-lança que passou pelo FC Porto, Frédéric Kanouté e Enzo Maresca.

2006/07 - A defesa do título

Depois de se apurar para os oitavos de final como segundo classificado do Grupo C, o Sevilha teve de passar por várias provações até chegar à final. O técnico Juande Ramos foi o responsável pelas vitórias sobre Steaua Bucareste, Shakhtar Donetsk e Tottenham - sendo que curiosamente, os spurs contratariam justamente este treinador espanhol após a saída de Martin Jol, seis meses mais tarde.

Frédéric Kanouté marcou frente à sua ex-equipa no Ramón Sánchez-Pizjuán e em Londres, antes de colocar temporariamente o Sevilha em vantagem numa final 100% espanhola. Apesar de o seu golo no prolongamento ter sido anulado pelo tento da resposta de Jônatas, avançado do Espanyol, o avançado maliano colocou a sua equipa no caminho da vitória ao converter o primeiro pénalti na decisão por pontapés da marca de grande penalidade.

2013/14 - A primeira de três consecutivas

Apesar de ter passado pela fase de grupos, o Sevilha passou por bastantes dificuldades no jogo inaugural da fase a eliminar. Depois de um empate a duas bolas com o Maribor no primeiro encontro, a equipa de Unai Emery conseguiu uma vitória apertada na Andaluzia para se apurar para os 16 avos de final.

Depois de eliminar o rival Betis na decisão por penáltis, o Sevilha voltou a tirar partido da sua impressionante capacidade de concretização na marca dos onze metros. Os falhanços dos avançados Óscar Cardozo e Rodrigo, então referências do Benfica de Jorge Jesus, deram uma oportunidade de ouro ao experiente avançado Kevin Gameiro, que desviou a bola de Jan Oblak, dando assim início aos festejos na Allianz Arena.

2014/15 - Mais uma conquista exigente

Os pupilos de Sevilha tiveram dificuldades em afirmar o seu domínio durante as primeiras fases da competição em 2014/15, tendo permitido ao Feyenoord a conquista de um Grupo G altamente competitivo.

Daí em diante, o emblema andaluz apenas não venceu um dos oito jogos seguintes da fase a eliminar: conseguiu amealhar um empate a dois golos com o Zenit em São Petersburgo. Quatro dias antes da final, o Sevilha havia desperdiçado a entrada na Liga dos Campeões, mas chegou a Varsóvia com uma oportunidade de se redimir.

Graças a uma (sensata) mudança das regras, o campeão da Liga Europa assumiria automaticamente um lugar na maior competição da UEFA na época seguinte. A formação de Sevilha talvez tenha sido a primeira equipa a beneficiar desta evolução nas normas da prova, na sequência do triunfo sobre um surpreendente Dnipro no Stadion Narodowy.

2015/16 - Início difícil antes do fim aguardado

O Sevilha não podia ter tido um sorteio mais inglório no seu regresso à Liga dos Campeões, após uma ausência de cinco temporadas, enfrentando o gigante Manchester City, a Juventus, duas vezes campeã, e o Borussia Mönchengladbach, quarto classificado, num autêntico grupo da morte.

Terminar em terceiro lugar e, portanto, cair na Liga Europa talvez fosse a consequência mais realista, especialmente devido ao desempenho anterior na competição. Menos de dois anos após as suas heróicas exibições na Baviera, Kevin Gameiro voltou a marcar um penálti crucial para o triunfo sobre o Athletic Bilbao e consequente presença nas meias-finais. Tendo vencido o Shakhtar Donetsk por 5-3 no total agregado, os andaluzes conquistaram a terceira Liga Europa consecutiva ao derrotarem o Liverpool de Jürgen Klopp na final.

2019/20 - Um caminho difícil para o título

Depois de vencer cinco dos seis jogos da fase de grupos e eliminar CFR Cluj e Roma nas duas primeiras eliminatórias, o Sevilha teria de esperar pelo verão para defrontar o Wolves, adversário dos quartos de final.

A pandemia de COVID-19 causou grandes perturbações no calendário da Liga Europa, mas o foco do Sevilha na conquista de um troféu que regularmente mantém sob o seu domínio permaneceu consistente. Depois de já ter vencido uma equipa da Premier League na ronda anterior, os comandados por Julen Lopetegui alcançaram a vitória no seu confronto das meias-finais com o Manchester United, num dos jogos disputados a uma única mão nesta edição da prova.

O sexto triunfo andaluz na Liga Europa foi garantido na reta final de um duelo decisivo emocionante, que viu Luuk de Jong disparar dois golos de cabeça - a imagem de marca do neerlandês - contra Samir Handanović, guardião do Inter.

2022/23 - Os sete magníficos

O último capítulo da incrível história do Sevilha na Liga Europa é talvez o mais entusiasmante, em parte devido a um confronto dramático com a Roma na final.

Tendo superado equipas como o PSV, Manchester United e Juventus, os espanhóis viajaram até à capital húngara para o que viria a ser um confronto memorável contra a formação da capital italiana. Os 120 minutos de jogo não foram suficientes para separar os dois emblemas, que acabaram por decidir o troféu nos penáltis.

O árbitro inglês decidiu que o remate decisivo de Gonzalo Montiel deveria ser repetido, uma vez que o guardião português Rui Patrício se afastou da linha de golo. Tal como tinha feito no Catar, menos de seis meses antes, o argentino marcou o golo que garantiu o triunfo da sua equipa.

Recordes da Liga Europa

O Sevilla tem quatro troféus da Liga Europa a mais do que os seus rivais mais próximos nesta lista de vencedores. Há cinco tricampeões: são eles o Tottenham, Atlético Madrid, Liverpool, Inter e Juventus.

O Benfica e o Marselha foram vice-campeões em três ocasiões, um registo superior ao de qualquer outro participante. Curiosamente, nenhuma destas equipas conseguiu garantir um título da Liga Europa, mas ambas já venceram a Liga dos Campeões.

Apenas representantes de 11 países venceram esta competição, tendo a França, Escócia, Áustria, Hungria e a antiga Jugoslávia a honra de ter tido clubes participantes em finais. A Espanha é de longe o país mais triunfante, com o Sevilla a contribuir com sete das 14 conquistas de formações do campeonato espanhol na Liga Europa. Se o Aston Villa conseguir derrotar o Freiburg no Estádio Tüpraş, a Inglaterra ultrapassará a Itália como a segunda nação mais condecorada da competição.

Ranking dos vencedores da Liga Europa

Sevilha: 7

Tottenham: 3

Atlético Madrid: 3

Liverpool: 3

Inter: 3

Juventus: 3

Borussia Mönchengladbach: 2

Feyenoord: 2

Eintracht Frankfurt: 2

Gotemburgo: 2

Real Madrid: 2

Parma: 2

FC Porto: 2

Chelsea: 2

Lista dos países mais vitoriosos na Liga Europa

Espanha: 14 - Sevilha (7), Atlético Madrid (3), Real Madrid (2), Villarreal (1), Valência (1)

Inglaterra: 10 - Tottenham (3), Liverpool (3), Chelsea (2), Manchester United (1), Ipswich (1)

Itália: 10 - Inter (3), Juventus (3), Parma (2), Atalanta (1), Nápoles (1)

Alemanha (inclui a Alemanha Ocidental): 7 - Borussia Mönchengladbach (2), Eintracht Frankfurt (2), Schalke (1), Bayern (1), Bayer Leverkusen (1)

Países Baixos: 4 - Feyenoord (2), Ajax (1), PSV (1)

Melhores marcadores e vencedores de prémios

Nenhum jogador marcou mais vezes na Liga Europa do que Pierre-Emerick Aubameyang, que apontou o seu 34.º golo na prova aquando da derrota do Marselha com o Benfica nos quartos de final, em abril de 2024. O goleador gabonês também assinou tentos com as camisolas de Dortmund, Arsenal e Barcelona nesta competição, mas não conseguiu balançar as redes nas competições europeias enquanto representava o Lille.

Henrik Larsson é o segundo melhor marcador da Liga Europa/Taça UEFA, com 31 golos em apenas 45 jogos. A grande maioria desses tentos foram assinados no maravilhoso percurso do Celtic até à final de 2003, em Sevilha, jogo no qual, embora tendo apontado um bis contra o FC Porto de José Mourinho, a formação portuguesa sairia triunfante.

Desde a campanha de 2016/17, é atribuído um prémio ao jogador mais valioso da Liga Europa. Os treinadores dos clubes participantes na fase inicial da competição (anteriormente a fase de grupos, agora a "fase ptinvipsl"), juntamente com um jornalista representante de cada uma das 55 federações membros da UEFA, decidem o vencedor. Cinco anos após a introdução deste prémio, um painel de especialistas da UEFA inaugurou uma distinção equivalente para os jovens jogadores da competição.

Apenas dois jogadores que não faziam parte de uma equipa vencedora da Liga Europa receberam o prémio de jogador mais valioso da temporada. Pierre-Emerick Aubameyang foi premiado por ter concluído a campanha de 2023/24 como o melhor marcador, com 10 golos em somente 13 jogos, apesar da eliminação do Marselha nas meias-finais. Romelu Lukaku foi eleito o melhor jogador da competição alguns anos antes, apesar de o seu infeliz golo não ter impedido a derrota do Inter frente ao Sevilha na edição de 2020.

Florian Wirtz ganhou dois prémios consecutivos relativos ao melhor jovem da Liga Europa, depois de ter feito uma série de exibições deslumbrantes pelo Bayer Leverkusen nas épocas 2022/23 e 2023/24. Vale a pena notar que os alemães não ganharam a competição em nenhuma dessas ocasiões.

Melhor jogador da Liga Europa

2016/17: Paul Pogba (Manchester United)

2017/18: Antoine Griezmann (Atlético Madrid)

2018/19: Eden Hazard (Chelsea)

2019/20: Romelu Lukaku (Inter)

2020/21: Gerard Moreno (Villarreal)

2021/22: Filip Kostić (Eintracht Frankfurt)

2022/23: Jesús Navas (Sevilha)

2023/24: Pierre-Emerick Aubameyang (Marselha)

2024/25: Cristian Romero (Tottenham)

Melhor jogador jovem da Liga Europa

2021/22: Ansgar Knauff (Eintracht Frankfurt)

2022/23: Florian Wirtz (Bayer Leverkusen)

2023/24: Florian Wirtz (Bayer Leverkusen)

2024/25: Rayan Cherki (Lyon)

Vencedores anteriores da Liga Europa

Segue-se uma lista completa dos vencedores da Taça UEFA/Liga Europa, desde a primeira edição, ainda na década de 1970, até à mais recente, na temporada 2024/25:

2025: Tottenham (Inglaterra)

2024: Atalanta (Itália)

2023: Sevilha (Espanha)

2022: Eintracht Frankfurt (Alemanha)

2021: Villarreal (Espanha)

2020: Sevilha (Espanha)

2019: Chelsea (Inglaterra)

2018: Atlético Madrid (Espanha)

2017: Manchester United (Inglaterra)

2016: Sevilha (Espanha)

2015: Sevilha (Espanha)

2014: Sevilha (Espanha)

2013: Chelsea (Inglaterra)

2012: Atlético Madrid (Espanha)

2011: FC Porto (Portugal)

2010: Atlético Madrid (Espanha)

2009: Shakhtar Donetsk (Ucrânia)

2008: Zenit (Rússia)

2007: Sevilha (Espanha)

2006: Sevilha (Espanha)

2005: CSKA (Rússia)

2004: Valência (Espanha)

2003: FC Porto (Portugal)

2002: Feyenoord (Países Baixos)

2001: Liverpool (Inglaterra)

2000: Galatasaray (Turquia)

1999: Parma (Itália)

1998: Inter (Itália)

1997: Schalke (Alemanha)

1996: Bayern (Alemanha)

1995: Parma (Itália)

1994: Inter (Itália)

1993: Juventus (Itália)

1992: Ajax (Países Baixos)

1991: Inter (Itália)

1990: Juventus (Itália)

1989: Nápoles (Itália)

1988: Bayer Leverkusen (Alemanha)

1987: Gotemburgo (Suécia)

1986: Real Madrid (Espanha)

1985: Real Madrid (Espanha)

1984: Tottenham (Inglaterra)

1983: Anderlecht (Bélgica)

1982: Gotemburgo (Suécia)

1981: Ipswich (Inglaterra)

1980: Eintracht Frankfurt (Alemanha)

1979: Borussia Mönchengladbach (Alemanha)

1978: PSV (Países Baixos)

1977: Juventus (Itália)

1976: Liverpool (Inglaterra)

1975: Borussia Mönchengladbach (Alemanha)

1974: Feyenoord (Países Baixos)

1973: Liverpool (Inglaterra)

1972: Tottenham Hotspur (Inglaterra)