Custódio Castro e a saída do Alverca: "Para mim não existem duas verdades, é isto que passo aos meus filhos”

Custódio Castro deixou o comando técnico do Alverca
Custódio Castro deixou o comando técnico do AlvercaFILIPE AMORIM/LUSA

Custódio Castro, treinador português de 42 anos, abordou esta terça-feira a saída do comando técnico do Alverca, durante a palestra no XX Congresso de Futebol da Universidade da Maia.

Foi uma época dificílima, um desafio de vida se olharmos para os riscos inerentes, mas nunca me faltou coragem para assumir um projecto como o Alverca no meu primeiro ano como treinador na Liga Portugal. Reconheço que a saída apresenta-se como uma surpresa, mas, independentemente do grande trabalho que realizámos, há valores que não abdico e foi por aí, porque deixei muito claro que deixaria imediatamente a posição se sentisse que os valores que defendo não eram compatíveis”, afirmou Custódio Castro.

"Profissionalismo, honestidade e falar a verdade todos os dias” são os valores que não abdica: “Para mim não existem duas verdades. É isto que passo aos meus filhos”.

Em relação ao futuro, Custódio Castro ainda não deu qualquer pista.

Ainda não rescindi o contrato com o Alverca, mas dei a minha palavra nesse sentido e é isso que vai prevalecer. Sou um homem de sorte e de família. Sei que vão surgir outros contratos e nunca me faltará nada. Também acho que o nosso trabalho não passou despercebido e em função disso mesmo pode surgir uma ou outra situação. Quem olha para o Custódio vê valores e quem o contratar não só sabe quais são as suas competências técnicas, mas também o homem que terá”, afirmou o treinador de 42 anos.

Custódio Castro falou ainda da influência de Paulo Bento para a sua carreira de treinador e recordou como chegou ao Alverca, depois de ter orientado o SC Braga B.

Na primeira reunião apresentei o meu modelo de jogo. Na segunda apresentei ao scouting do clube as características do jogadores a contratar para cada posição mediante o meu modelo e na terceira reunião, esta já presencial, apresentei o meu plano para desenvolver o clube, porque ninguém pense que um treinador é contratato só para treinar. Nada disso. Um treinador tem de acrescentar valor neste modelo de negócio”, comentou Custódio Castro, que falou igualmente da contratação de mais de 30 jogadores para a época de regresso do Alverca à Liga Portugal.

Potenciar o lado económico é uma das obrigações do treinador. Um clube que tem um orçamento de 12 milhões e receitas de apenas 4 milhões rapidamente entra em défice se não tivermos noção de que é preciso acrescentar valor. E onde é que acrescentamos valor? No desenvolvimento de ativos. Considero que fizemos tudo aquilo a que nos propusemos no Alverca. Tinha um estilo de jogo agradável e desenvolvemos o clube. Contratámos mais de 30 jogadores, fisioterapeutas, equipa médica e um roupeiro e a meio da época vendeu-se um jogador por 8 milhões que pode chegar a 10 milhões. Antes de ir assumir o comando técnico o Alverca equacionar uma facturação entre 20 a 30 milhões era um cenário de loucura, mas depois desta época pode muito bem ser uma realidade. E tudo isto foi falado durante a minha primeira reunião, onde apresentei o meu modelo de jogo. Disse mesmo ao dono como ia ser. 'Se isto não acontecer dentro do campo podes despedir-me. Se não valorizar os jogadores, podes despedir-me'. Eu entrei no jogo plenamente consciente do negócio. Hoje ninguém contrata um treinador pelo seu modelo, mas sim pelo que oferece ao negócio porque a pessoa que comprou o Alverca sabe bem quais são as despesas, mas quer acrescentar receitas para tirar valor”, explicou Custódio Castro.