“Foi uma época dificílima, um desafio de vida se olharmos para os riscos inerentes, mas nunca me faltou coragem para assumir um projecto como o Alverca no meu primeiro ano como treinador na Liga Portugal. Reconheço que a saída apresenta-se como uma surpresa, mas, independentemente do grande trabalho que realizámos, há valores que não abdico e foi por aí, porque deixei muito claro que deixaria imediatamente a posição se sentisse que os valores que defendo não eram compatíveis”, afirmou Custódio Castro.
"Profissionalismo, honestidade e falar a verdade todos os dias” são os valores que não abdica: “Para mim não existem duas verdades. É isto que passo aos meus filhos”.
Em relação ao futuro, Custódio Castro ainda não deu qualquer pista.
“Ainda não rescindi o contrato com o Alverca, mas dei a minha palavra nesse sentido e é isso que vai prevalecer. Sou um homem de sorte e de família. Sei que vão surgir outros contratos e nunca me faltará nada. Também acho que o nosso trabalho não passou despercebido e em função disso mesmo pode surgir uma ou outra situação. Quem olha para o Custódio vê valores e quem o contratar não só sabe quais são as suas competências técnicas, mas também o homem que terá”, afirmou o treinador de 42 anos.
Custódio Castro falou ainda da influência de Paulo Bento para a sua carreira de treinador e recordou como chegou ao Alverca, depois de ter orientado o SC Braga B.
“Na primeira reunião apresentei o meu modelo de jogo. Na segunda apresentei ao scouting do clube as características do jogadores a contratar para cada posição mediante o meu modelo e na terceira reunião, esta já presencial, apresentei o meu plano para desenvolver o clube, porque ninguém pense que um treinador é contratato só para treinar. Nada disso. Um treinador tem de acrescentar valor neste modelo de negócio”, comentou Custódio Castro, que falou igualmente da contratação de mais de 30 jogadores para a época de regresso do Alverca à Liga Portugal.
“Potenciar o lado económico é uma das obrigações do treinador. Um clube que tem um orçamento de 12 milhões e receitas de apenas 4 milhões rapidamente entra em défice se não tivermos noção de que é preciso acrescentar valor. E onde é que acrescentamos valor? No desenvolvimento de ativos. Considero que fizemos tudo aquilo a que nos propusemos no Alverca. Tinha um estilo de jogo agradável e desenvolvemos o clube. Contratámos mais de 30 jogadores, fisioterapeutas, equipa médica e um roupeiro e a meio da época vendeu-se um jogador por 8 milhões que pode chegar a 10 milhões. Antes de ir assumir o comando técnico o Alverca equacionar uma facturação entre 20 a 30 milhões era um cenário de loucura, mas depois desta época pode muito bem ser uma realidade. E tudo isto foi falado durante a minha primeira reunião, onde apresentei o meu modelo de jogo. Disse mesmo ao dono como ia ser. 'Se isto não acontecer dentro do campo podes despedir-me. Se não valorizar os jogadores, podes despedir-me'. Eu entrei no jogo plenamente consciente do negócio. Hoje ninguém contrata um treinador pelo seu modelo, mas sim pelo que oferece ao negócio porque a pessoa que comprou o Alverca sabe bem quais são as despesas, mas quer acrescentar receitas para tirar valor”, explicou Custódio Castro.
