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Os treinadores foram resistindo ao passar das jornadas e nem a longa paragem internacional trouxe mudanças nas equipas técnicas, com exceção do Rio Ave, que demitiu Sylaidopoulos e levou o Arouca a substituir Vasco Seabra por Vítor Severino.
A situação dos clubes, porém, não sofreu alterações drásticas durante a pausa e bastaram algumas semanas de competição para levar as direções a avançar com mudanças nas equipas técnicas.
Nos últimos dias, Famalicão, SC Braga e Estoril Praia demitiram o treinador. Em Guimarães, Tiago Margarido resiste e sabe que o apuramento na Taça, embora sofrido, serviu como um balão de oxigénio pronto a rebentar em caso de desaire na receção ao Marítimo.

Pior arranque dos últimos 15 anos
Os sinais de alerta são evidentes para a formação de Guimarães, mas as contas do campeonato não se fecham à 8.ª jornada. E, como mostra a história, esta ainda pode ser uma temporada de sucesso no D. Afonso Henriques.
O Vitória SC entra para a 9.ª jornada com apenas cinco pontos somados. Para encontrar um registo semelhante, é preciso recuar 15 anos, até à temporada 2011/12.
Nessa época, o conjunto de Guimarães ocupava o último lugar do campeonato, com apenas uma vitória, curiosamente também diante do Nacional. O cenário acabou por ditar uma mudança na equipa técnica, com a chegada de Rui Vitória.

Na altura, a 9.ª jornada foi precisamente um ponto de viragem para os vitorianos, que deixaram o estatuto de lanterna-vermelha depois de vencerem o Rio Ave. A equipa terminou a época no 6.º lugar, a apenas cinco pontos do apuramento para as competições europeias.
Falta de eficácia tem sido decisiva
A partida desta sexta-feira diante do Marítimo deve, por isso, ser encarada como um ponto de partida para uma época de maior consistência em Guimarães.
Apesar das dúvidas quanto à capacidade do plantel para lutar pela presença nas competições europeias na próxima temporada, há indicadores que sugerem que a equipa de Tiago Margarido tem margem para melhorar. Para isso, precisa, desde logo, de resolver os problemas no capítulo ofensivo.
Ao fim de oito jornadas, o Vitória SC apresenta o terceiro pior ataque da Liga, com apenas cinco golos marcados. Só por uma vez conseguiu marcar mais do que um golo numa partida, acabando até por perder (3-2) diante do Sporting.
Os dados da Opta ajudam a explicar estes números e mostram que, apesar da pressão dos resultados, a falta de eficácia tem sido um dos principais entraves aos vimaranenses. Na Liga Portugal, o Vitória SC apresenta a pior percentagem de acerto de remate (30,84%) e a pior taxa de conversão em golo (3,52%).

A falta de eficácia tem penalizado os vimaranenses neste primeiro terço da temporada, mas não é por falta de presença junto da baliza adversária. O conjunto de Tiago Margarido soma 205 toques na área contrária, o quarto melhor registo do campeonato, à frente até do Sporting (197).
Outro dado que evidencia as dificuldades da equipa em transformar oportunidades em golos está nos expected goals (xG). Segundo a Opta, o Vitória SC apresenta um registo de 13,08 golos esperados na Liga, muito acima dos cinco que efetivamente marcou. A diferença de 8,08 golos entre o valor esperado e os tentos efetivamente marcados reforça a ideia de que a finalização tem sido um dos principais problemas da equipa.
Ainda assim, os indicadores não somam pontos nem garantem que a tendência se inverta. Para Tiago Margarido, o desafio passa por transformar a capacidade de chegar à área em golos e, consequentemente, em resultados que permitam aliviar a pressão.
A receção ao Marítimo surge, assim, num momento decisivo. A história mostra que um arranque complicado não tem de ditar o destino de uma temporada, mas é preciso começar a demonstrar isso dentro de campo, até porque as bancadas do D. Afonso Henriques não dão grande margem para erros.





