Reveja aqui as principais incidências da partida
Uma vitória em Old Trafford para os anfitriões significava que seria matematicamente impossível serem afastados dos cinco primeiros lugares da Premier League, o que assegura a qualificação para a Liga dos Campeões, por isso a mensagem de Michael Carrick aos seus jogadores foi clara.
Cunha entra para o lugar de Amad
Um registo idêntico ao do Liverpool nos últimos seis jogos da Liga (três vitórias, um empate e duas derrotas) fazia com que ambas as equipas estivessem equilibradas, com o United a tentar repetir a vitória depois de ter batido os Reds em Anfield mais cedo na época 2025/26, graças a um cabeceamento tardio de Harry Maguire.
Arne Slot fez duas alterações no onze inicial do Liverpool, com Ryan Gravenberch e Jeremie Frimpong a entrarem para os lugares do lesionado Mohamed Salah, enquanto Alexander Isak ficou de fora.
A única alteração de Carrick foi lançar Matheus Cunha para o lugar de Amad Diallo, uma aposta que deu frutos logo ao sexto minuto, quando o brasileiro inaugurou o marcador com um remate desviado por Alexis Mac Allister, precisamente no 200.º jogo do argentino na Premier League.
Foi um golo inteiramente merecido pelos anfitriões, que tinham começado a partida claramente por cima.

Sesko aumenta a vantagem do United
O United não tinha perdido em casa em 2025/26 sempre que marcou primeiro, nem tinha perdido qualquer jogo na Premier League (22 partidas) desde o encontro com o Brentford em maio de 2025, quando tal aconteceu.
Pior ainda para os visitantes, Benjamin Sesko aumentou a vantagem dos anfitriões logo aos 14 minutos, ao apontar o seu 11.º golo da época – mais do que qualquer outro jogador do Manchester United – apesar de 41,3% da ação desde o início do jogo ter decorrido no último terço defensivo do United.
Os 70% de posse de bola do Liverpool entre os 15 e os 30 minutos podiam parecer impressionantes no papel, mas com apenas dois remates desenquadrados, pouco mostravam em termos de intenção ofensiva real.
Tal pode ter-se devido, em parte, ao trabalho incansável de Matheus Cunha e Casemiro, que ajudaram de forma consistente a quebrar o ritmo dos visitantes. De facto, no final do encontro, ambos tinham disputado 30 duelos individuais e recuperado a posse de bola em 11 ocasiões distintas.
Szoboszlai relança o Liverpool no jogo
Foram precisos 41 minutos até Gravenberch conseguir o primeiro remate enquadrado do Liverpool, o que demonstra o domínio do United na primeira parte.
Os Red Devils mantinham-se invictos desde março de 2024 sempre que chegavam ao intervalo em vantagem num jogo da Premier League, e nada fazia prever o que se seguiria no início da segunda parte.
Apenas dois minutos após o reatamento, Dominic Szoboszlai intercetou um passe errado do United no seu meio-campo e teve liberdade para avançar até à área e, com toda a confiança, rematar de pé esquerdo para fora do alcance de Senne Lammens.
O húngaro voltou a ser um dos elementos mais em destaque do Liverpool, num dia até então bastante cinzento para os visitantes.
Gakpo silencia Old Trafford
Doze duelos individuais disputados e sete recuperações de posse são já expectáveis, com o maior número de desarmes partilhado do lado dos Reds e o segundo maior número de toques (94), o que só valorizou ainda mais a sua exibição.
Dez minutos depois, o Liverpool chegou ao empate, quando Cody Gakpo marcou o seu 50.º golo em todas as competições e o quinto em sete jogos da Premier League frente ao United, após assistência de Szoboszlai, somando o 11.º golo dos Reds nos primeiros 15 minutos da segunda parte esta época – apenas o Arsenal (14) e o Chelsea (13) marcaram mais nesse período.
Seguiu-se uma fase de forte pressão do Liverpool, com Gakpo, Szoboszlai, Frimpong e Florian Wirtz a criarem dificuldades à linha defensiva dos anfitriões.
Seis toques na área para o lateral-direito ofensivo obrigaram Luke Shaw a estar sempre atento, limitando as suas próprias subidas no terreno.
Apenas um dos 47 toques de Shaw foi na área do Liverpool, sendo a maioria passes laterais para colegas da defesa, e o maior número (seis) para Kobbie Mainoo no meio-campo central.
Mainoo decide a partida
Na verdade, seria Mainoo a revelar-se o herói do encontro, com um remate fantástico sob pressão à entrada da área, aos 77 minutos.
A reação de Slot no banco disse tudo, depois de nenhum dos seus defesas – que até então tinham ganho a maioria dos duelos – ter conseguido sair rápido o suficiente para travar o inglês, levando ao 16.º golo concedido pelos Reds nos últimos 15 minutos dos jogos esta época (apenas o Newcastle (19) e o Burnley (17) concederam mais).
O forcing final dos visitantes, com 79% de posse coletiva, não foi suficiente para evitar a vitória do United, que assim alcançou a sua maior sequência de triunfos (três jogos) desde a série de quatro em janeiro/fevereiro.

