Análise: Os números que explicam o emocionante clássico entre Manchester United e Liverpool

Matheus Cunha, do Manchester United, celebra o golo frente ao Liverpool
Matheus Cunha, do Manchester United, celebra o golo frente ao Liverpool Profimedia

O Manchester United recebeu o rival do noroeste, o Liverpool, num super domingo que poderia determinar se os Red Devils conseguiriam garantir o seu lugar na Liga dos Campeões de 2026/27, após duas épocas de ausência.

Reveja aqui as principais incidências da partida

Uma vitória em Old Trafford para os anfitriões significava que seria matematicamente impossível serem afastados dos cinco primeiros lugares da Premier League, o que assegura a qualificação para a Liga dos Campeões, por isso a mensagem de Michael Carrick aos seus jogadores foi clara.

Cunha entra para o lugar de Amad

Um registo idêntico ao do Liverpool nos últimos seis jogos da Liga (três vitórias, um empate e duas derrotas) fazia com que ambas as equipas estivessem equilibradas, com o United a tentar repetir a vitória depois de ter batido os Reds em Anfield mais cedo na época 2025/26, graças a um cabeceamento tardio de Harry Maguire.

Arne Slot fez duas alterações no onze inicial do Liverpool, com Ryan Gravenberch e Jeremie Frimpong a entrarem para os lugares do lesionado Mohamed Salah, enquanto Alexander Isak ficou de fora.

A única alteração de Carrick foi lançar Matheus Cunha para o lugar de Amad Diallo, uma aposta que deu frutos logo ao sexto minuto, quando o brasileiro inaugurou o marcador com um remate desviado por Alexis Mac Allister, precisamente no 200.º jogo do argentino na Premier League.

Foi um golo inteiramente merecido pelos anfitriões, que tinham começado a partida claramente por cima.

As notas dos jogadores
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Sesko aumenta a vantagem do United

O United não tinha perdido em casa em 2025/26 sempre que marcou primeiro, nem tinha perdido qualquer jogo na Premier League (22 partidas) desde o encontro com o Brentford em maio de 2025, quando tal aconteceu.

Pior ainda para os visitantes, Benjamin Sesko aumentou a vantagem dos anfitriões logo aos 14 minutos, ao apontar o seu 11.º golo da época – mais do que qualquer outro jogador do Manchester United – apesar de 41,3% da ação desde o início do jogo ter decorrido no último terço defensivo do United.

Os 70% de posse de bola do Liverpool entre os 15 e os 30 minutos podiam parecer impressionantes no papel, mas com apenas dois remates desenquadrados, pouco mostravam em termos de intenção ofensiva real.

Tal pode ter-se devido, em parte, ao trabalho incansável de Matheus Cunha e Casemiro, que ajudaram de forma consistente a quebrar o ritmo dos visitantes. De facto, no final do encontro, ambos tinham disputado 30 duelos individuais e recuperado a posse de bola em 11 ocasiões distintas.

Szoboszlai relança o Liverpool no jogo

Foram precisos 41 minutos até Gravenberch conseguir o primeiro remate enquadrado do Liverpool, o que demonstra o domínio do United na primeira parte.

Os Red Devils mantinham-se invictos desde março de 2024 sempre que chegavam ao intervalo em vantagem num jogo da Premier League, e nada fazia prever o que se seguiria no início da segunda parte.

Apenas dois minutos após o reatamento, Dominic Szoboszlai intercetou um passe errado do United no seu meio-campo e teve liberdade para avançar até à área e, com toda a confiança, rematar de pé esquerdo para fora do alcance de Senne Lammens.

O húngaro voltou a ser um dos elementos mais em destaque do Liverpool, num dia até então bastante cinzento para os visitantes.

Gakpo silencia Old Trafford

Doze duelos individuais disputados e sete recuperações de posse são já expectáveis, com o maior número de desarmes partilhado do lado dos Reds e o segundo maior número de toques (94), o que só valorizou ainda mais a sua exibição.

Dez minutos depois, o Liverpool chegou ao empate, quando Cody Gakpo marcou o seu 50.º golo em todas as competições e o quinto em sete jogos da Premier League frente ao United, após assistência de Szoboszlai, somando o 11.º golo dos Reds nos primeiros 15 minutos da segunda parte esta época – apenas o Arsenal (14) e o Chelsea (13) marcaram mais nesse período.

Seguiu-se uma fase de forte pressão do Liverpool, com Gakpo, Szoboszlai, Frimpong e Florian Wirtz a criarem dificuldades à linha defensiva dos anfitriões.

Seis toques na área para o lateral-direito ofensivo obrigaram Luke Shaw a estar sempre atento, limitando as suas próprias subidas no terreno.

Apenas um dos 47 toques de Shaw foi na área do Liverpool, sendo a maioria passes laterais para colegas da defesa, e o maior número (seis) para Kobbie Mainoo no meio-campo central.

Mainoo decide a partida

Na verdade, seria Mainoo a revelar-se o herói do encontro, com um remate fantástico sob pressão à entrada da área, aos 77 minutos.

A reação de Slot no banco disse tudo, depois de nenhum dos seus defesas – que até então tinham ganho a maioria dos duelos – ter conseguido sair rápido o suficiente para travar o inglês, levando ao 16.º golo concedido pelos Reds nos últimos 15 minutos dos jogos esta época (apenas o Newcastle (19) e o Burnley (17) concederam mais).

O forcing final dos visitantes, com 79% de posse coletiva, não foi suficiente para evitar a vitória do United, que assim alcançou a sua maior sequência de triunfos (três jogos) desde a série de quatro em janeiro/fevereiro.

Jason Pettigrove
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