Jorge Jesus confirma saída do Al Nassr e abre o livro: "Não quis ser treinador do Brasil"

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Jorge Jesus voltou a ser campeão na Arábia Saudita
Jorge Jesus voltou a ser campeão na Arábia SauditaREUTERS

O treinador português Jorge Jesus, acabado de se sagrar campeão saudita pela segunda vez e a primeira pelo Al Nassr, confirmou que vai deixar o emblema após a temporada que terminou esta quinta-feira, com um triunfo por 4-1 sobre o Damac.

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"Este foi o último jogo que fiz no Al Nassr. Vou passar férias três ou quatro dias e depois penso em ir ao Rio de Janeiro. Podem ver-me no Brasil, mas não em trabalho, só férias", começou por dizer à emissora brasileira Canal GOAT.

Mais tarde, em declarações à portuguesa Sport TV, o técnico fez ainda a análise à partida que carimbou o título, antes de recordar a abordagem e o desafio proposto por Cristiano Ronaldo".

"Por muitos anos que estejamos no futebol, nestes jogos há sempre a ansiedade dos primeiros 30 minutos. A equipa foi soltando, o adversário fechou-se muito, mas abrimos o marcador de bola parada e tudo se tornou mais fácil. Foi um trabalho muito difícil, quando aceitei este desafio a convite do Cristiano Ronaldo e do (José) Semedo, sabia que era o desafio mais difícil da minha carreira de treinador", afirmou.

"Sabia que do outro lado o Al Hilal montou uma grande equipa durante dois anos, para vencer este campeonato tínhamos de ser muito melhores que os nossos adversários. Fizemos um campeonato espetacular, há sete ou oito anos que o Al Nassr não era campeão. Disse ao Cris: 'vou ajudar-te a ser campeão e depois vou à minha vida'", revelou entre risos.

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Efeito Jorge Jesus

O técnico português foi ainda questionado sobre o efeito que tem nas equipas por onde passa, por que razão aceitou o convite do Al Nassr, mas também quando decidiu que a aventura na Arábia Saudita iria chegar ao fim.

"Não é só na Arábia Saudita. Ganhei em Portugal, no Brasil - eu e as pessoas que trabalham comigo -, no Flamengo, no Fenerbahçe, no Al Hilal, agora no Al Nassr. O único país onde não ganhei o campeonato, mas ganhei a Taça, foi no Fenerbahçe. Tenho uma história para acabar no Fenerbahçe. Se é lá o futuro? É uma das possibilidades. Vou de férias para Portugal e Brasil e para o ano vemos onde vou cair", continuou.

"Quando falei com o Cristiano Ronaldo no início convidaram-me a fazer um contrato de dois anos, mas eu só queria fazer um ano que é o que faço sempre nos clubes onde estou. Foi um campeonato muito duro, é preciso tomar decisões, muitas vezes dando o corpo às balas e é um desgaste muito grande. Foi um ano maravilhoso, tenho que desfrutar de outro lado", vincou.

"Se os adeptos do Fenerbahçe podem sonhar? Podem, já houve uma parte interessada, não só o Fenerbahçe, mas outra equipa da Turquia que me fez um convite. Há o Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas como grandes equipas, dessas três foram duas. Não quero dizer qual porque a segunda está no segredo dos Deuses", disse.

"Orgulho por ser substituído por Guardiola? Ele é que tem de ter orgulho por me substituir a mim"

Questionado sobre se teria orgulho por ser substituído por Pep Guardiola - um dos nomes cogitados à sucessão no Al Nassr -, Jorge Jesus respondeu ao seu estilo.

"Orgulho? Não. Ele é que tem que ter orgulho de me substituir a mim, não eu por ele", atirou.

Ao mesmo tempo, Jorge Jesus rejeitou um regresso ao Brasil, onde "só poderia treinar uma equipa ou a seleção", o que está fora de causa neste momento e revelou uma abordagem da canarinha

"Não quis ser treinador do Brasil em janeiro do ano passado. Foi uma decisão que - não digo que me arrependo -, mas estava muito fiel ao Al Hilal porque queria ir ao Campeonato do Mundo de Clubes e ganhar a Liga dos Campeões Asiática. Acabei por não conseguir uma coisa nem outra. Mas isso são as decisões que temos que tomar na vida", revelou.

"O futebol é a minha paixão, tenho sido um treinador que também perde, mas na maior parte das vezes ganho. Quando acabam os projetos, normalmente tenho várias hipóteses para escolher, como tenho agora. Na Europa é difícil por causa daquilo que é o meu contrato na Arábia Saudita. Nenhum(!) clube na Europa tem capacidade para me pagar. Não vou continuar na Arábia Saudita, vamos ver onde vou aproveitar um novo projeto. Continuo com grande capacidade intelectual e física. Isto é a minha vida", sublinhou. 

Lágrimas de Ronaldo, salário em Portugal e mágoa com Benfica

"Ele (Cristiano Ronaldo) tem uma paixão muito grande pelo futebol. Eu disse-lhe: 'aceito este projeto por ti, senão não vinha. Vamos ganhar os dois e vais sair daqui com um título'. Ainda não tivemos tempo para falar, ele está cansado, eu também. Vamos para Portugal, ele para a seleção, e penso que em junho tenho que decidir a minha vida. Vou tomar uma opção. Regresso a Portugal no dia 24 (de junho)", continuou.

Aos 71 anos, Jorge Jesus garante que o dinheiro afasta qualquer cenário de regresso a Portugal. A fechar, o técnico desabafou sobre a falta de reconhecimento que sentiu em solo luso, comparando com o carinho que recebe no estrangeiro.

"Vamos imaginar que agora regressava a Portugal, o que é impossível. Seria por uma questão desportiva porque financeiramente não há hipótese. Ganho mais num mês do que num ano em Portugal em qualquer equipa portuguesa e não me chateio mais. É uma das minhas mágoas, ganhei muitos títulos no Benfica, na Turquia tive um estádio sempre a gritar pelo meu nome, hoje viram aqui também, no Brasil a mesma coisa. Em Portugal ganhei tantos títulos no Benfica mas nunca aconteceu isso. Regresso ao Benfica? Está fora de questão. O Benfica é um grande clube, tenho um grande orgulho por o ter treinado, mas neste momento está fora de  questão", finalizou. 

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