Quando Ronaldo rumou ao Al-Nassr em dezembro de 2022, era suposto ser o início de um novo capítulo do futebol saudita. A estrela portuguesa deixou o palco europeu e tornou-se o rosto principal de um projeto cujo objetivo era atrair outros nomes de topo mundial para a Saudi Pro League.
A sua chegada deu realmente início a uma grande vaga. Para a Arábia Saudita seguiram, por exemplo, Karim Benzema, Neymar, N'Golo Kanté e Sadio Mané. O Al-Nassr queria, graças a Ronaldo, tornar-se um dos maiores clubes da região e rivalizar com as equipas mais bem-sucedidas da competição.
No entanto, enquanto o avançado português corresponde individualmente às expectativas e está entre os melhores marcadores da liga, os resultados coletivos continuam aquém das grandes ambições. Segundo a BBC, Ronaldo já manifestou no passado o seu desagrado com algumas decisões do clube, sobretudo no funcionamento da equipa e na estratégia de transferências.
Fim das grandes contratações, prioridade passa a ser as receitas
De acordo com o jornal alemão Bild, o Al-Nassr enfrenta problemas financeiros, com a dívida do clube provavelmente a ultrapassar os 800 milhões de riais, ou seja, mais de 186 milhões de euros.
Segundo a imprensa alemã, o proprietário do clube, o fundo estatal Public Investment Fund (PIF), que investiu fortemente no futebol saudita nos últimos anos, terá reagido à situação. O fundo deverá implementar várias medidas significativas para estabilizar as finanças do clube.
Uma das decisões mais importantes será a proibição de transferências. O Al-Nassr deixará assim de poder reforçar o plantel como deseja, o que complica também a tarefa do novo treinador, Ange Postecoglou. Caso o clube queira contratar um novo jogador, terá primeiro de vender alguém ou libertar uma vaga no plantel.
As ambições iniciais do Al-Nassr mudam drasticamente devido à situação financeira. A direção deverá agora concentrar-se sobretudo no aumento das receitas, por exemplo através de novos contratos de patrocínio. Está também em cima da mesa uma possível venda do clube.
O fair play financeiro é um tema central, que a liga saudita procura cumprir. Um problema adicional para o PIF é o facto de o fundo ser proprietário de vários clubes na Saudi Pro League e, segundo as regras, ter de distribuir o apoio financeiro de forma equitativa entre as diferentes equipas.
Sonhos de troféus esfumam-se, Ronaldo terá de esperar
A limitação das transferências pode alterar significativamente os planos para o futuro. O clube pretendia lutar pela manutenção dos lugares cimeiros no campeonato e, ao mesmo tempo, ter sucesso na Liga dos Campeões Asiática. Sem a possibilidade de reforçar substancialmente o plantel, o caminho para esses objetivos torna-se mais difícil. A equipa, que graças a Ronaldo, Mané e outras estrelas queria atacar os lugares mais altos, terá primeiro de estabilizar as suas despesas antes de pensar em novos desafios.
Segundo as informações disponíveis, já foram tomadas as primeiras medidas de contenção. O Al-Nassr terá, por exemplo, reduzido parte dos custos salariais com a saída do avançado colombiano Jhon Durán por empréstimo para o Benfica. Os problemas de um clube, no entanto, não significam o fim das ambições sauditas. O país prepara-se para organizar o Mundial em 2034 e, como se espera, continuará a querer manter a sua liga a um nível elevado.
A história do Al-Nassr mostra, porém, que nem mesmo enormes recursos financeiros garantem sucesso automático. Trazer estrelas mundiais é uma coisa, criar um clube sustentável a longo prazo é algo bem mais complexo.
