Colega do agora técnico dos rossoneri entre 2004/05 e 2007/08, no plantel do Belenenses, o antigo defesa reconhece que a “adaptação a uma nova realidade” é um desafio, mas vinca que é “uma questão de tempo” até Amorim entender o estilo italiano, que não é “muito distante” do estilo português “no aspeto tático”.
“Acredito (que pode ter mais sucesso do que no Manchester United). A grande diferença é que, no United, a forma de ele jogar, com a base de três defesas, não era bem aceite. No AC Milan, essa forma de jogar vai ser mais bem aceite. Em Itália, muitas equipas jogam com três defesas. Vai ter espaço para trabalhar com menos ruído”, afirma, em declarações à Lusa.
Treinador dos red devils entre novembro de 2024 e janeiro de 2026, fase em que alcançou a pior classificação do emblema de Manchester na era moderna da Premier League – 15.º lugar em 2024/25 -, o português, de 41 anos, ruma à Série A para tentar melhorar o quinto lugar dos milaneses na época transata.
Embora agradado com o facto de os emblemas transalpinos em que jogou serem os campeões mais recentes – o Nápoles, que representou em 2012/13, venceu o scudetto de 2024/25, e o Inter, pelo qual competiu em 2013/14, é o atual detentor do título -, Rolando, de 40 anos, espera que Amorim eleve o nível competitivo do AC Milan.
“Pode elevar o Milan para um patamar superior. Tenho um carinho especial pelos clubes onde joguei, mas como um ex-colega e um amigo vai comandar o Milan espero que tenha sucesso. Ele tem capacidades para isso”, vinca.
O antigo central do FC Porto e do SC Braga, dos franceses do Marselha e dos belgas do Anderlecht realça ainda que “a cultura futebolística” do calcio pouco se alterou face ao tempo em lá jogou, permanecendo baseada nos aspetos táticos, na segurança defensiva e na expetativa de que os “jogadores mais dotados resolvam” no ataque.
Até agora, o antigo internacional luso viu Ruben Amorim conquistar três títulos de campeão da Liga Portugal, pelo Sporting, três edições da Taça da Liga, duas pelos leões e uma pelo SC Braga, e ainda uma Supertaça pelo emblema de Alvalade, em oito anos de uma carreira como treinador que não imaginava.
“Conheço o Rúben desde os sub-19 do Belenenses. Éramos muito novos. Nunca pensei que viesse a ser treinador, não pela falta de capacidades, mas pela forma de estar dele. Era muito alegre, muito extrovertido, muito brincalhão. Não se liga um treinador a essa forma de estar. Por outro lado, desempenhava várias funções em campo e era muito bom no que fazia”, recorda.
Escolhido como sucessor de Massimiliano Allegri, Ruben Amorim é o terceiro português a assumir o comando técnico do AC Milan, depois de Paulo Fonseca e Sérgio Conceição.
