Serie A: Verona empata com Lecce (0-0) e adia contas da descida

Verona e Lecce não saíram do nulo
Verona e Lecce não saíram do nuloALESSANDRO SABATTINI / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

No Bentegodi terminou sem grandes emoções um jogo impreciso e travado. O Hellas Verona mantém-se agarrado à Serie A por mais uma semana, enquanto o Lecce soma um ponto que lhe permite ultrapassar a Cremonese.

Recorde as incidências da partida

Notas finais dos jogadores
Notas finais dos jogadoresFlashscore

Há partidas que pesam mais do que outras, e a do Bentegodi tinha claramente o sabor de um momento decisivo. O Lecce apresentou-se na Véneto com um duplo objetivo: vencer para manter viva a sua luta pela permanência e, ao mesmo tempo, empurrar tanto o Pisa como o próprio Verona para a descida matemática.

Uma noite carregada de significado, ainda mais complicada por um dado que parecia uma maldição: os salentinos, fora de casa frente aos gialloblù, nunca tinham vencido em dez confrontos anteriores (5 derrotas e 5 empates). Um duelo, portanto, não só contra um adversário direto, mas também contra a história e um destino ainda por definir.

Sempre o mesmo Falcone

O relvado, pelo menos nos primeiros minutos, não ajudou. A rega abundante antes do apito inicial deixou o terreno escorregadio, quase traiçoeiro, e o jogo ressentiu-se logo: passes imprecisos, receções complicadas, escorregadelas inesperadas. O ritmo era bom, a intensidade não faltava, mas a qualidade teimava em não aparecer. O Verona tentou assumir o controlo, alargando o jogo pelas alas e procurando pressionar, enquanto o Lecce atuava com mais cautela, mais preocupado em não se expor do que em atacar.

A primeira verdadeira ameaça veio dos anfitriões e foi também a imagem mais clara da primeira parte. Belghali rompeu pela direita e cruzou uma bola venenosa para o coração da área: Falcone respondeu como protagonista, primeiro a fechar com o pé e depois, quase por instinto, a opor-se com o rosto ao remate à queima-roupa de Akpa Akpro. Uma intervenção dupla, pouco ortodoxa mas decisiva, que manteve o resultado e animou o Bentegodi durante alguns minutos.

Foi o melhor momento do Verona, que deu a sensação de poder acelerar, mas sem conseguir dar continuidade. O Lecce manteve-se no jogo, mesmo sem criar oportunidades claras, confiando mais em iniciativas esporádicas do que numa manobra realmente incisiva.

Com o passar dos minutos, o jogo perdeu brilho. Os números ilustram bem a dificuldade geral: precisão de passe abaixo dos 80%, jogadas interrompidas, muitas perdas de bola. O jogo emperrou, foi-se interrompendo, sem conseguir encontrar fluidez. Suslov tentou quebrar o equilíbrio com um remate de primeira desviado, enquanto Akpa Akpro ainda procurou um gesto acrobático, uma bicicleta pouco eficaz.

Assim passou a primeira parte, entre tentativas isoladas e muitos erros, sem que nenhuma das equipas conseguisse realmente assumir o controlo emocional e técnico do encontro.

Descida adiada

A segunda parte começou sem alterações e com vários erros de parte a parte, tal como no início do jogo. O primeiro remate pertenceu a Coulibaly, bloqueado pela defesa veronesa, e pouco depois o jogo foi interrompido devido a um problema físico de Bella-Kotchap: o defesa, com dores no ombro esquerdo após um contacto com Stulic, ainda tentou continuar mas acabou por ceder. Saiu a caminhar e deu lugar a Valentini.

O Verona tentou reagir com um remate de pé esquerdo de longe de Suslov, defendido por Falcone, mas o jogo manteve-se partido. Chegaram então as primeiras substituições: Di Francesco lançou Ngom e Cheddira para os lugares de Gandelman e Stulic, enquanto Sammarco respondeu tirando Suslov e Akpa Akpro para dar entrada a Lovric e Sarr.

Com o desenrolar dos minutos, foi o Lecce a dar sinais mais convincentes. Banda, até aí intermitente, começou a ganhar consistência no um contra um, a atacar com decisão o flanco direito e a criar dificuldades à defesa veronesa. De uma dessas iniciativas nasceu um cruzamento interessante que Cheddira não conseguiu dominar. Foi um momento em que o zambiano pareceu finalmente em crescendo, ao ponto de Di Francesco, pronto para o substituir por N’Dri, mudar de ideias e mantê-lo em campo.

A primeira verdadeira ocasião perigosa do Lecce voltou a nascer dos pés de Banda: provavelmente procurava o cruzamento, mas a trajetória fechou e transformou-se num remate que obrigou Montipò a uma defesa apertada. O último sobressalto do encontro, porém, pertenceu ao Verona, com um susto para os salentinos: Bowie marcou, mas o golo foi anulado devido à falta de Edmundsson sobre Falcone na saída do guarda-redes, que no choque perdeu de vista a bola, literalmente furada.

O empate, no fim, reflete fielmente a noite. Mantém o Verona (e o Pisa) vivos por mais uma semana, adiando o encontro com a descida para o próximo fim de semana. Para o Lecce é, ainda assim, um ponto importante: basta para ultrapassar a Cremonese e colocar-se a +1 sobre os grigiorossi, que ocupam a 17.ª posição.

Estatísticas da partida
Estatísticas da partidaOpta by Stats Perform

Futebol