Folha saiu após apenas seis jogos, nos quais o CFR somou duas vitórias, um empate e três derrotas. A separação aconteceu após a derrota por 0-5 frente ao Tromso, na primeira mão da terceira pré-eliminatória da Liga Conferência.
O português, no entanto, afirma que os resultados desportivos foram apenas uma parte dos problemas encontrados em Cluj.
"Encontrei um grande clube, mas ao fim de três ou quatro dias começaram a surgir problemas. Foi logo um caos: reuniões de jogadores que queriam sair, salários em atraso e jogadores que não podiam ser inscritos", declarou Folha em entrevista ao Zerozero.
Leia também - António Folha deixa comando técnico do Cluj
"Não recebi nem um euro enquanto estive lá"
O treinador de 55 anos diz que a realidade encontrada no CFR foi diferente do projeto que lhe tinha sido apresentado antes de aceitar a primeira experiência da carreira fora de Portugal.
A situação financeira afetou inclusive a preparação da equipa. Aos jogadores terão sido comunicadas várias datas para o pagamento dos salários em atraso, e alguns tentaram rescindir com o clube.
"Nós, enquanto estivemos lá, não recebemos nem um euro. A certa altura pagaram algo aos jogadores e aos membros da equipa técnica deles, mas a nós, portugueses, não. Uma parte da equipa técnica, a responsável pela preparação física, pertencia ao clube e recebeu dinheiro. Nós, que tivemos de pagar as nossas casas, não recebemos nada", afirmou Folha.
O treinador explicou que os problemas no plantel surgiram logo de início. No primeiro jogo, o CFR não tinha defesas-centrais disponíveis nem possibilidade de inscrever outros jogadores. Nessas condições, o português considera que o apuramento obtido no primeiro confronto europeu foi "um pequeno milagre".
Leia também - Antes de oficializar o sucessor de António Folha, Cluj entra em insolvência
Folha contesta os motivos invocados para a separação
A relação entre as duas partes deteriorou-se definitivamente após a derrota com o Tromso. Folha afirma que o Cluj lhe propôs inicialmente um acordo para terminar a colaboração, que previa o pagamento dos valores em atraso e de uma compensação.
O português diz que aceitou a proposta, mas que o dinheiro nunca foi pago. Mais tarde, terá recebido por e-mail a notificação da rescisão do contrato. O antigo treinador do CFR rejeita categoricamente a acusação de que ele e a sua equipa técnica faltaram aos treinos.
"Disseram que faltei a um treino, o que é completamente falso e toda a gente sabe disso. Temos provas", afirmou Folha.
O técnico afirma que a equipa técnica foi chamada para reuniões durante dois ou três dias consecutivos, e mais tarde essas ausências foram apresentadas como faltas aos treinos.
"Isso põe em causa a dignidade das pessoas e não posso aceitar tal coisa", acrescentou o português.
O litígio está agora a ser tratado pelo seu advogado por via legal.
Mensagem para o CFR e adeptos
Apesar da separação tensa, Folha considera que a equipa tinha qualidade suficiente para alcançar resultados se a situação em torno do plantel fosse mais estável.
"Havia bons jogadores, mas alguns pediam para sair e existiam vários processos em curso. Quando tens este tipo de situações dentro de uma equipa, não consegues ter a estabilidade necessária para trabalhar", explicou o treinador.
Folha deixou palavras de apreço para o antigo presidente Iuliu Mureșan, de quem diz ter recebido um excelente tratamento. A saída deste do clube foi vista pela equipa técnica como um sinal de que a situação iria mudar.
O português falou também de forma positiva sobre os adeptos do CFR, afirmando que recebeu centenas de mensagens após a separação.
"É um grande clube, com adeptos fantásticos. Recebi centenas de mensagens de adeptos, jogadores e outras pessoas. Para mim, isso é o que mais conta", concluiu Folha.
