Em entrevista exclusiva ao Flashscore, o diretor de Tecnologia e Informação da Arena MRV, Leandro César Evangelista, detalhou como o estádio se reorganizou para erradicar as brechas exploradas no passado.
"O gatilho foi um erro de tecnologia de um parceiro antigo que gerou as confusões. Foi realmente o pior momento da Arena até hoje, o que nos deixou muito tristes, mas precisávamos dar uma resposta imediata ao adepto", revelou o diretor.
Falha na final e a reformulação
Segundo Leandro César Evangelista, o clube sempre priorizou a segurança e já possuía a visão de um estádio tecnológico desde 2020. No entanto, o jogo contra o Flamengo expôs uma fragilidade no antigo fornecedor de software. Quando os portões abriram, uma lentidão no sistema impediu a leitura dos ingressos, tanto na esplanada quanto nas entradas internas.
"Os ânimos acabaram por ficar inflamados e as pessoas que não querem torcer, os marginais, descobriram essa falha, essa demora, e começaram a comunicar entre si: 'vamos invadir porque eles não estão a ler os bilhetes'. O caos instalou-se", contou o diretor.
Perante este episódio, a direção do Atlético-MG rompeu o contrato anterior e procurou no mercado internacional a Fortress (empresa inglesa que atende arenas da NFL e da Premier League) e a NewC (gigante dinamarquesa que trabalha na comercialização de ingressos e outras soluções de matchday). O objetivo foi adaptar o controlo de acesso às particularidades da Arena, onde o fluxo entre os torniquetes e as bancadas é muito curto.
O ingresso é o rosto: Controlo total do perímetro
Ao contrário de outros estádios que mantêm sistemas híbridos (QR Code e facial), a Arena MRV adotou uma postura radical: o acesso para adultos é 100% via reconhecimento facial. O diferencial começa logo no exterior, antes mesmo do adepto chegar aos torniquetes.
"Somente nós, no mundo, temos esses telemóveis específicos que leem a face das pessoas fora do perímetro. Se acontecer algo com os torniquetes, eu sei que as pessoas que estão a entrar são seguras e compraram ingressos. Esta questão do controlo total do perímetro somente nós temos", revelou Leandro César Evangelista.

O hardware para isso, curiosamente, já estava lá. O estádio foi o primeiro do mundo a exigir torniquetes com leitores faciais nativos ainda em 2021, mas a tecnologia de software só atingiu a maturidade necessária após a reestruturação com os novos parceiros.

Resultados: Adeptos banidos e regresso das famílias
A eficiência do novo sistema é medida em números e na mudança do perfil do público. Com o auxílio de câmeras de alta resolução, inéditas no Brasil, instaladas nas bancadas, o clube já identificou e baniu cerca de 80 infratores desde a reinauguração do sistema.
"A pessoa não consegue mais entrar, porque a face dela é banida do sistema", explica Leandro César Evangelista.
Essa "blindagem" tecnológica tem incentivado a presença de públicos mais vulneráveis: o Atlético-MG já possui no seu sistema mais de 500 mil faces cadastradas, não apenas de adeptos do próprio clube, mas também dos adeptos visitantes.

Famílias e Jovens: Em jogos de 30 mil pessoas, por exemplo, cerca de 4 mil presentes são menores de 16 anos.
Novos adeptos: No duelo contra o São Paulo, para o Brasileirão, 10 mil pessoas visitaram a Arena pela primeira vez.
Regresso: Metade do público presente não havia ido a nenhum jogo no ano corrente, indicando uma reconquista da confiança.

Para Leandro César Evangelista, a Arena MRV hoje posiciona-se entre as melhores do mundo no que diz respeito à segurança.
"Não posso dizer que é a mais segura da América do Sul porque não conheço todas, mas tenho a certeza que somos uma das Top 3. Todos esses processos proporcionam um ambiente seguro, as pessoas sentem-se mais relaxadas para apoiar de uma maneira mais efusiva, como a gente quer", conclui o diretor.

