Acompanhe a Argélia no CAN-2026
A 90 minutos de uma final histórica, a Argélia pode contar com uma certeza: na sua baliza, Chloé N'Gazi praticamente não deixou passar nada ao longo de todo o torneio. Frente ao Malawi, no Estádio Olímpico de Rabate, as Fennecs vão jogar tudo, e a guarda-redes, que regressou ao FC Fleury 91 na pré-época, personifica por si só a solidez que tem sustentado esta caminhada até aqui.
Uma série que marcou o torneio
Decisiva logo no arranque frente ao Senegal (2-0), N'Gazi somou o seu quinto jogo consecutivo sem sofrer golos na Taça das Nações Africanas feminina, uma sequência iniciada na edição anterior e apenas interrompida na meia-final por um golo tardio da marroquina Sanaà Mssoudy, após mais de 450 minutos sem sofrer. Jogo após jogo, as suas estatísticas contam a mesma história: duas defesas em dois remates e 0,17 golos evitados frente ao Senegal na estreia (nota de 7,1 no Flashscore), duas defesas e 84% de passes certos contra o Marrocos na segunda jornada (6,4), depois duas defesas em dois remates, 0,71 golos evitados e 66% de passes certos frente ao Quénia no fecho da fase de grupos (7,5). Nos quartos de final, num jogo frente à Costa do Marfim que valia o apuramento para o Mundial 2027, realizou uma das suas exibições mais completas: quatro defesas em cinco remates, 86% de passes certos, 63% de passes longos certos, para uma nota de 7,6, a melhor do seu torneio.
Antes deste decisivo, tinha colocado os objetivos com a sobriedade que a caracteriza: "Cada jogo, para nós, é uma final, sejam jogos de grupos ou a eliminar. Está no nosso ADN, o facto de lutarmos todos juntos, é a Argélia. Não temos o direito de desiludir. Independentemente do resultado, sei que vamos dar tudo até ao fim do jogo." Uma convicção que desenvolveu nos mesmos termos em conferência de imprensa: "A luta em campo faz parte da nossa identidade. Somos assim, nós argelinos."
"Já estou a lutar há um ano e meio": a desforra de uma época para esquecer
Apesar da serenidade demonstrada em campo, N'Gazi não escondeu a travessia do deserto que antecedeu este torneio. Na zona mista após o apuramento frente à Costa do Marfim, a guarda-redes fez uma rara confidência sobre a sua época no Marselha: "Vivi uma época difícil no ano passado, tive problemas com a minha treinadora. Não confiavam em mim, tentaram deitar-me abaixo. Hoje esta vitória é fruto de um trabalho. Já estou a lutar há um ano e meio, mas aqui tenho um treinador que confia em mim, jogadoras que confiam em mim, um país inteiro que confia em mim e isso devolve-me a força."
Uma revelação que lança uma nova luz sobre a sua prestação nesta CAN: longe de ser apenas a confirmação do seu estatuto de guarda-redes número um, este torneio parece uma reconquista pessoal, longe do clima de desconfiança que diz ter vivido no clube. Talvez seja isso que explique a força da mensagem que publicou após a qualificação histórica para o Mundial, numa altura em que a Argélia feminina nunca tinha participado na competição mundial: "CONSEGUIMOS. TODAS JUNTAS. (…) As minhas companheiras, as minhas irmãs, as minhas guerreiras. Em campo, no banco, conseguimos todas juntas. Com um treinador e uma equipa técnica que acreditam em nós, que nos acompanham e que lutam connosco todos os dias. (…) Hoje, a Argélia está qualificada para um Mundial. Só de escrever esta frase, fico com os olhos a brilhar. Mas ainda temos uma meia-final para ganhar. E esta competição para terminar."
Ambições que já tinha partilhado com L'Équipe antes do início do torneio: "As nossas ambições são sempre maiores. Na última CAN, o nosso objetivo era chegar pelo menos aos quartos de final pela primeira vez, objetivo que conseguimos cumprir. Este ano, com a potencial qualificação para o Mundial (nas meias-finais), queremos ir ainda mais longe."
Um teste inédito frente ao Malawi
Adversário da Argélia esta quarta-feira, 12 de agosto, em Rabate, o Malawi não é uma seleção tradicional na competição: as Scorchers disputam a sua primeira fase final da CAN e chegaram às meias-finais ao eliminar o Gana (2-1), um feito que lhes valeu, tal como à Argélia, a qualificação direta para o Mundial 2027 no Brasil. A perder desde o minuto 7, as malawianas empataram graças a um autogolo, antes de Rose Kadzere lhes dar a vitória ao minuto 79. Uma equipa impulsionada por um ataque prolífico, com nove golos marcados em quatro jogos, mas cuja defesa continua a ser considerada permeável, o que pode dar a N'Gazi a oportunidade de confirmar o seu estatuto de muralha quase intransponível. A Argélia é a 2.ª melhor defesa desta CAN, apenas atrás de Marrocos, que sofreu apenas um golo.
Independentemente do nome do vencedor, o objetivo vai além da simples qualificação: tanto para a Argélia como para o Malawi, trata-se de disputar pela primeira vez na sua história uma final da CAN. Razão suficiente para dar um significado especial à determinação demonstrada por N'Gazi e a esta desforra que parece estar a conquistar, jogo após jogo, numa época que disse ter atravessado sozinha contra todos.
