O organismo responsável pelas alterações às leis da modalidade, reunido extraordinariamente em Vancouver, no Canadá, aprovou também por unanimidade a possibilidade de expulsar diretamente futebolistas que abandonem o terreno de jogo em protesto contra decisões arbitrais e elementos técnicos que os incentivem a fazê-lo.
“Fica ao critério do organizador da competição permitir que qualquer jogador que cubra a boca numa situação em que esteja a discutir com um adversário seja punido com cartão vermelho”, informou o organismo regulador do futebol no sítio oficial na Internet.
A decisão do IFAB é anunciada quatro dias depois de o futebolista argentino Gianluca Prestianni, avançado do Benfica, ter sido suspenso por seis jogos pela UEFA - três dos quais com pena suspensa -, devido a insultos homofóbicos no encontro com o Real Madrid, da Liga dos Campeões.
Em 17 de fevereiro, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Champions, que o Real Madrid venceu por 1-0, o avançado brasileiro Vinícius Júnior, após ter marcado o único golo do jogo, dirigiu-se ao árbitro e acusou Prestianni de lhe ter dirigido insultos racistas.
O árbitro francês François Letexier interrompeu o encontro, disputado no Estádio da Luz, em Lisboa, e acionou o protocolo antirracismo, retomando o jogo quase 10 minutos depois.
Após a partida, Prestianni negou qualquer insulto racista a Vinícius Júnior, enquanto o internacional brasileiro e outros jogadores dos merengues confirmaram a ofensa por parte do argentino.
A UEFA suspendeu provisoriamente Prestianni com um jogo de castigo enquanto decorria o inquérito aos incidentes e, mesmo sem poder jogar, o argentino viajou na semana seguinte com a equipa para Madrid, onde o Benfica foi derrotado por 2-1 e afastado da Liga dos Campeões.
As duas propostas de alteração partiram da FIFA, depois de “terem sido consultados todos os agentes relevantes” do futebol mundial, e visam “combater comportamentos discriminatórios e inapropriados”, como sucedeu também na final da Taça das Nações Africanas, em que o Senegal abandonou o relvado, em protesto contra uma grande penalidade assinalada pelo árbitro.
O Senegal, que acabou por se impor por 1-0 a Marrocos, anfitrião do torneio, após prolongamento, foi posteriormente punido com a derrota por 3-0 no jogo pela Confederação Africana de Futebol (CAF), que atribuiu o título aos marroquinos.
Na base da decisão da CAF esteve o facto de, já nos descontos no tempo regulamentar do desafio, disputado em 18 de janeiro, os senegaleses terem abandonado o relvado e recolhido aos balneários, acabando, posteriormente, por voltar ao jogo, em protesto por o árbitro ter assinalado uma grande penalidade a favor de Marrocos.
Em Rabat, Brahim Díaz tentou sentenciar o desafio com um penálti à Panenka, acabando por entregar a bola ao guarda-redes senegalês, e, já no prolongamento, Pape Gueye marcou o único tento do encontro, fazendo com que o Senegal alcançasse algo raro em 35 edições da prova, ao vencer a final frente ao anfitrião.
As alterações aprovadas pelo IFAB serão “comunicadas durante as próximas semanas” às 48 seleções participantes no Mundial-2026, que se realiza entre 11 de junho e 19 de julho, no Canadá, Estados Unidos e México, entre as quais a portuguesa.
