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Para lá da tradição e da rivalidade em campo, o confronto será marcado pelo choque entre dois treinadores portugueses a viverem momentos opostos na relação com os adeptos cruzeirenses: o reencontro indigesto de Leonardo Jardim com o Mineirão e a consolidação do trabalho considerado "milagroso" de Artur Jorge.
Para a Nação Azul, a presença de Leonardo Jardim na área técnica do Flamengo traz à tona uma ferida recente. O treinador madeirense fará a sua primeira partida presencial no Gigante da Pampulha desde a polémica negociação em que recusou a proposta para assumir o comando da Raposa, optando por assinar pelo Rubro-Negro carioca.
A expectativa é de um caldeirão de pressão psicológica vindo das bancadas, transformando o reencontro num ingrediente extra de desforra para a atmosfera do Mineirão.
Efeito Artur Jorge
Do outro lado, o Cruzeiro celebra o impacto fulminante do seu atual comandante. A volta por cima promovida por Artur Jorge roça o inacreditável.
Quando desembarcou na Toca da Raposa, o treinador encontrou uma equipa mergulhada em crise, sem vencer há oito jogos e apenas seis pontos somados em 24 possíveis no Brasileirão.

Apenas 14 jornadas depois da chegada do técnico português, o Cruzeiro não só se afastou do fantasma da descida, como também alcançou o top-5 do Brasileirão. Sob o comando de Artur Jorge, a Raposa tornou-se a equipa que mais pontuou no campeonato nesse período, com 29 pontos. À frente, inclusivamente, de concorrentes diretos como o líder Palmeiras.
O número de vitórias ajuda a dimensionar ainda mais a transformação. Desde a chegada de Artur Jorge, o Cruzeiro soma 14 triunfos no Brasileirão, o mesmo número de Flamengo e Palmeiras no mesmo período.

Agora, Artur Jorge persegue uma marca inédita. Na era dos pontos corridos, nenhum clube na história do Brasileirão conseguiu qualificar-se para a Libertadores após passar as primeiras oito jornadas sem vencer.
Artur Jorge com vantagem em duelo único
Artur Jorge e Leonardo Jardim mediram forças diretamente em apenas uma oportunidade na história - e bem longe do continente europeu ou sul-americano.
O embate aconteceu em fevereiro de 2025, na fase de grupos da Liga dos Campeões da Ásia, no último jogo de Jardim à frente do Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos, antes de o treinador fechar a sua ida para o Cruzeiro, no ano passado.
Nessa ocasião, quem levou a melhor foi Artur Jorge, então ao leme do Al-Rayyan, do Catar, que venceu por 1-2 com uma reviravolta, fora de portas, com direito a golo decisivo do avançado brasileiro Róger Guedes.

