Irão confisca bens de ex-futebolista crítico da República Islâmica

Ali Karimi em 2007
Ali Karimi em 2007KAMAL MOGHRABI/AFP

As autoridades iranianas anunciaram esta segunda-feira a apreensão de seis propriedades associadas ao antigo internacional iraniano Ali Karimi, exilado no estrangeiro e crítico feroz da República Islâmica.

O antigo jogador do Bayern Munique, por vezes apelidado de "Maradona asiático" devido à sua criatividade com a bola nos pés, manifestou o seu apoio, através de várias mensagens publicadas nas redes sociais, ao movimento de contestação contra as autoridades e ao antigo xá, deposto em 1979 por uma revolução que levou ao surgimento da República Islâmica.

Ali Karimi é um "traidor à nação, que apoiou ativamente o inimigo nos últimos anos", afirma o site Mizan, órgão de comunicação do poder judicial.

Quatro residências e dois espaços comerciais pertencentes ao ex-futebolista de 47 anos "foram identificados e apreendidos por decisão judicial, no interesse do povo iraniano", segundo a mesma fonte. Ali Karimi, que deixou o Irão em 2022, não reagiu publicamente a este anúncio.

Em 2022, quando residia nos Emirados Árabes Unidos, já tinha sido alvo de um processo judicial por parte das autoridades iranianas por "incentivar" as manifestações que eclodiram após a morte de Mahsa Amini, detida por violar o rigoroso código de vestuário.

As autoridades judiciais bloquearam os bens de uma lista de pessoas consideradas "traidoras", após o início da guerra com Israel e os Estados Unidos a 28 de fevereiro.

Os bens de Zahra Ghanbari, capitã da seleção nacional feminina de futebol, também tinham sido apreendidos depois de a jogadora ter apresentado um pedido de asilo na Austrália. Mais tarde, retirou o pedido e recuperou os seus bens.

Outras cinco jogadoras e um elemento da equipa técnica, tal como ela, solicitaram asilo durante a Taça Asiática de Nações Feminina na Austrália. Duas acabaram por permanecer no país.

A seleção masculina de futebol do Irão deverá participar no Mundial em junho, nos Estados Unidos, uma deslocação que será alvo de forte vigilância devido ao contexto de guerra no Médio Oriente.

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