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“A Gestifute, até à data, já trouxe para Portugal quase 3.000 milhões de euros. Se calhar o segundo agente mais importante no mundo poderá ter levado para o seu país, no máximo, 500 milhões de euros”, revelou o agente, na sexta-feira, durante a conferência Leading the Game, na Universidade Católica, no Porto.
Jorge Mendes considerou que a dimensão alcançada pela Gestifute, empresa que criou há 30 anos, demonstra a importância das relações internacionais num mercado em que Portugal, apesar da reduzida população, consegue movimentar valores significativos.
“Vivemos num país pequeno, temos 10 milhões de habitantes, conhecemos a nossa realidade, mas, nesta indústria, o mais importante são as relações e a credibilidade”, afirmou.
O empresário recordou que, no início da carreira, conhecia apenas algumas pessoas dos departamentos de prospeção dos clubes, tendo construído progressivamente uma rede de contactos através de viagens e negociações.
“Hoje em dia, a nível mundial, tenho as portas abertas em todo o lado. Conheço toda a gente, mas, para chegar a esse ponto, foi preciso muito trabalho, muito sacrifício e muitas viagens. Mas o lema é que 'nada é impossível'”, sublinhou.
Como exemplo das dificuldades iniciais, contou o processo que levou o ex-médio Costinha, então na terceira divisão portuguesa, até ao Mónaco, depois de uma tentativa falhada de colocação no Valência.
Mendes explicou que o clube espanhol pretendia emprestar o médio ao Villarreal, solução que recusou, acabando por conseguir, através de contactos na prospeção, uma oportunidade no emblema monegasco.
“Pedi por favor uma oportunidade, que o deixassem ficar uma semana, mas disseram que não, que o Mónaco não ia contrarar um jogador de 23 anos da terceira divisão portiguesa. Passada uma semana, disseram para o trazer”, recordou.
Segundo o empresário, bastaram três dias de treinos para Jean Tigana decidir contratar Costinha por quatro temporadas, iniciando um percurso que o levaria posteriormente ao FC Porto e às conquistas europeias de 2003 e 2004.
A necessidade de proteger os investimentos dos clubes foi outro dos princípios destacados por Mendes, que recordou o regresso de Ricardo Quaresma do Barcelona ao FC Porto.
“O FC Porto tentou comprá-lo por dois ou três milhões. Eu disse que não. Se o queriam comprar, tinham de pagar exatamente aquilo que o Barcelona tinha pago”, contou, referindo que o extremo acabaria por ser transferido para o Inter Milão por cerca de 30 milhões.
O agente evocou também o atacante Pedro Neto, atualmente ao serviço do Chelsea, na transferência do SC Braga para a Lázio, de Itália, quando tinha apenas alguns minutos de utilização na equipa principal, num negócio em que a crença de Mendes foi determinante.
"Custava 20 milhões de euros, era muito dinheiro para um jogador que ninguém conhecia. Mas disse ao diretor desportivo (da Lazio), para acreditar e mim e para o comprar, porque percebi que tinha talento. Depois, vendaram-no (ao Wolverhampton) por mais três milhões", partilhou
Na mesma conferência, o presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Reinaldo Teixeira, destacou o peso económico da modalidade, apontando um contributo de 956 milhões de euros para a economia nacional, cerca de 300 milhões em impostos e mais de 6.300 empregos diretos.
A iniciativa serviu também para apresentar o MBA Executivo em Futebol, desenvolvido pela Católica Porto School of Business and Economics e pela Liga Portugal Business School, cuja primeira edição começa em novembro.
O diretor da Católica Porto SBE, João Pinto, destacou que será o primeiro MBA executivo em futebol a iniciar-se com acreditação internacional da Associação de MBAs (AMBA), visando formar líderes capazes de conciliar desempenho desportivo, sustentabilidade financeira e visão estratégica.
