Recorde aqui as incidências da partida
Depois do triunfo histórico na estreia e do desaire ao cair do pano na receção ao Sunderland, o SCUT deslocou-se à Hungria com a difícil tarefa de contrariar o vice-campeão nacional, que somava dois triunfos (Celtic e Plzen) na prova. Luís Tralhão aproveitou a semana limpa para afinar detalhes, fazendo apenas uma alteração no onze, com a entrada de Musa Drammeh por Malik Abubakari.

Inspiração de Pozo corrigiu o erro
Pertenceu precisamente ao avançado a primeira ocasião de relativo perigo, ao rematar de primeira um bom cruzamento de Javi Vázquez para defesa segura de Dániel Radnóti. Na outra área, valeu um corte fulcral de Volnei Feltes, antes de Dele Yusuf cabecear por cima da trave. Os lusos estavam bem na partida, mas um erro em zona de construção foi fatal. Alfaro entregou a bola a Dele Yusuf, que aproveitou a prenda e armou um remate forte e colocado à entrada da área para bater Lucas Paes.
A equipa de Torres Vedras foi ao chão, mas não perdeu tempo a levantar-se. Na resposta, Javi Vázquez teve espaço na esquerda para cruzar rasteiro e o resto foi pura inspiração de Manu Pozo. A receção do avançado espanhol colocou a bola no ar e, mesmo de costas para a baliza, conseguiu armar um remate acrobático à meia volta que surpreendeu o guarda-redes e restabeleceu o empate. Que momento!
Apesar de a equipa mostrar alguma falta de agressividade a defender, o golo da igualdade aumentou a confiança da turma de Luís Tralhão, que ainda ameaçou a reviravolta por duas vezes: primeiro, num cruzamento de Alfaro desviado por um defesa, depois num forte remate de primeira de Manu Pozo, que saiu à figura de Radnóti. A tal falta de assertividade defensiva ficou evidenciada aos 40 minutos, quando Callum O'Dowda apareceu sozinho na grande área a cabecear ao lado. O 1-1 manteve-se até ao intervalo, após uma primeira parte muito bem disputada, em que o Torreense entregou a posse de bola ao Ferencváros e deixou muito bons indicadores nas saídas em transição.

Crença esbarrou no pragmatismo e maturidade
O descanso não ajudou os azuis-grená, que parecem ter voltado do balneário mais nervosos do que no início da partida. A pressão magiar causou alvoroço na área, primeiro num péssimo remate de Mariano Gómez em zona promissora e, pouco depois, numa má saída de Lucas Paes em que valeu o esforço dos centrais para evitar o golo. Gómez viria a redimir-se aos 58 minutos, quando saltou mais alto ao primeiro poste na sequência de um canto para cabecear para o 2-1. Esta foi a terceira vez que os húngaros marcaram nos primeiros 15 minutos após o intervalo na Liga Europa, sendo a melhor equipa da prova neste quesito.
O Torreense voltou a reagir muito bem ao golo sofrido, com as entradas de Dany Jean e Nuha Jatta a oferecerem maior velocidade e pendor ofensivo. Aliás, na primeira vez que tocou na bola, Dany Jean combinou com Drammeh para abrir caminho a um remate de João Marques, que saiu muito torto. Por seu lado, o Ferencváros voltou a ameaçar num lance a papel químico do segundo golo, desta feita com Zohoré a cabecear por cima. Sem medo de procurar ser feliz, Luís Tralhão continuou a colocar peças no ataque, mas essa crença pode levar a erros que se tornam fatais perante uma equipa com maturidade europeia. A 10 minutos do fim, uma jogada bem trabalhada pelo corredor esquerdo terminou com o cruzamento de Callum O'Dowda - muito ativo durante a partida -, para um desvio infeliz de Diadié para a própria baliza, que traiu Lucas Paes.
Dany Jean ainda ficou muito perto de recolocar a equipa na disputa, mas os húngaros deram uma machadada final, aos 89'. Lenny Joseph roubou a bola a André Simões e ofereceu o 4-1 a Lisztes. Um resultado que não espelha o equilíbrio vivido durante a partida, mas que pode servir de lição aos homens de Torres Vedras antes de enfrentarem o Ararat-Armenia, de Manuel Tulipa, na quarta jornada da prova.
Melhor em campo Flashscore: Mariano Gómez (Ferencváros).

