Numa conferência de imprensa oficial, a maioria dos pilotos referiu que as mudanças nos níveis de super‑clipping e na recuperação de energia das baterias vão reduzir os riscos, mas terão pouco impacto global no espetáculo nesta nova era híbrida do desporto.
Enquanto o canadiano Lance Stroll, da Aston Martin, criticou duramente a nova fórmula, considerando-a "fundamentalmente defeituosa" e mil vezes menos divertida do que a da Fórmula 3, outros mostraram-se mais positivos nos seus comentários.
"O lado positivo é que tivemos algumas boas reuniões com a F1 e a FIA, e penso que isso pode ser um ponto de partida para o futuro, embora ainda haja tempo para isso ou talvez eu já não esteja aqui", afirmou o tetracampeão Max Verstappen, que tem enfrentado dificuldades com o seu carro esta época.
Verstappen está confiante
Max foi um dos principais críticos das alterações introduzidas em 2026. Acusou a Fórmula 1 de perder a sua identidade e sugeriu que, por esse motivo, ponderava o seu futuro no circuito caso não fossem tomadas medidas para recuperar a herança da modalidade enquanto prova máxima de potência e velocidade para pilotos e máquinas.
"Espero sinceramente que os pilotos possam ter mais influência junto dos organizadores em geral, porque a maioria de nós tem uma boa perceção e sensibilidade sobre o que é necessário para que a F1 seja um bom produto, um produto divertido", afirmou o neerlandês.
"No final do dia, é um desporto muito complexo e político, mas pelo menos acredito que todos fizeram o possível para mudar alguma coisa, embora, naturalmente, isso não vá transformar o mundo", acrescentou Mad Max.
O conflito surgiu devido à introdução este ano da repartição 50‑50 entre o uso da energia da bateria e a potência do motor tradicional, numa tentativa de tornar o desporto mais ecológico.
"No caminho certo"
Muitos pilotos consideram que o desporto precisa de mais potência proveniente do motor e menos da bateria.
"É um passo na direção certa", afirmou o alemão Nico Hulkenberg, da Audi. "Estou curioso para perceber como se sente e como funciona agora em pista", referiu.
O australiano Oscar Piastri, da McLaren, afirmou que a colaboração trouxe boas mudanças, mas acrescentou que acredita que os principais problemas só podem ser resolvidos com uma revisão profunda do hardware das unidades motrizes.
Destacou que as regras foram ajustadas para reduzir o enorme desequilíbrio de desempenho e velocidade entre os carros que utilizam a potência máxima e aqueles que abrandam para recuperar e armazenar energia na bateria.
Um acidente no Japão que envolveu Oliver Bearman, da Haas, que escapou sem ferimentos graves, deixou muitos pilotos preocupados com a possibilidade de incidentes semelhantes no futuro.
"Depois do acidente do Olly, algo tinha de mudar e é positivo terem-nos ouvido", disse Piastri. "Os ajustes são bons, sensatos e bem pensados, por isso é algo positivo, mas vamos esperar para ver como resulta do ponto de vista da segurança", comentou ainda o australiano.
Muitos pilotos e observadores tinham criticado a Fórmula 1 por criar uma competição artificial controlada por computadores e pelas exigências de gestão da energia da bateria.
