- Como correram os seus primeiros passos no MotoGP?
- Muito bem, mas está a demorar algum tempo e ainda não terminei a minha adaptação, porque é preciso aprender, é um desporto muito sofisticado. Não diria que é difícil, mas tenho de dar tempo a mim próprio para aprender e perceber tudo como deve ser. Mas, de qualquer forma, fui muito bem recebido.
- Porque decidiu investir no MotoGP?
- Investir na F1 neste momento é complicado e os preços estão muito altos. É preciso investir quando o preço está baixo. E depois, não é apenas um investimento pelo dinheiro, o MotoGP é um desporto muito interessante. Já tinha passado pelo rali, pelo Nascar, pela Fórmula 1, mas nunca tinha estado no MotoGP, apesar de sempre ter gostado, e pensei: "Pode ser interessante". E houve também o facto de a Liberty Media (gigante americano dos media) ter comprado o MotoGP. Existe uma oportunidade para o futuro de melhorar as coisas. É um grande desafio.
- Porque escolheu a equipa francesa Tech3?
- Não havia muitas oportunidades, mas penso que é uma excelente equipa, que faz as coisas bem há muito tempo. Tive uma ótima ligação com o Hervé Poncharal (cofundador e antigo proprietário da equipa) e penso que ele também teve uma boa impressão de mim. A equipa tem tudo o que é necessário para ter sucesso e já é uma das melhores do paddock.
- Quais são as principais diferenças entre a F1 e o MotoGP?
- Não existem grandes diferenças. No fim de contas, com duas ou quatro rodas, continua a ser desporto motorizado. Tento evitar comparações, porque o MotoGP pode escrever a sua própria história. Não precisa sempre de se comparar à F1, porque é um desporto tão interessante. Será que vai tornar-se tão grande como a F1? Talvez não. Mas precisa de ser tão grande? Talvez também não... A maior diferença é que a dimensão é menor, os orçamentos são mais reduzidos. Mas o MotoGP é um produto tão bom como a F1, ou até melhor.
- A forma de trabalhar é semelhante à da F1?
- É muito parecida. Na F1, tudo está no limite, em termos tecnológicos. Acho que aqui ainda existe a possibilidade de chegar a esse limite, mas no final, será que é mesmo necessário ir tão longe? Porque, no fundo, as corridas são para os espectadores. E no ADN da Fórmula 1 está a tecnologia. Claro que também há tecnologia nas motos, mas com tudo o que é híbrido, a maioria dessas coisas é difícil de aplicar numa moto. A questão é: será que se deve levar tão longe como na Fórmula 1? Talvez não.
- Um fim de semana de MotoGP é comparável a um de F1?
- Sim, é muito semelhante. O que é positivo é que a Moto2 e a Moto3 estão presentes em todas as provas. Está muito melhor integrado no desporto do que a F2 e a F3. Muitas equipas de MotoGP têm equipas de Moto2 ou Moto3, o que não acontece na F1. E isso é bom porque permite aos jovens pilotos estarem em contacto com os melhores e às equipas acompanharem estes talentos.
