Os 354,24 pontos de avanço para o australiano que defende o cetro do World Triathlon Championship Series (WTCS) – 3.850 para Vilaça e 3.495,76 para Hauser - permite uma margem algo confortável ao português que, apesar desta época ter como pior resultado um segundo lugar, não tem sido feliz nas decisivas superfinais.
Sendo bem-sucedido, este será o primeiro título mundial de elite masculino da história do triatlo português, depois de Vanessa Fernandes, precisamente a musa do desporto que inspirou Vilaça, ter conseguido o feminino em 2007, na altura decidido em prova única.
O outsider Ricardo Batista também pode celebrar, mas o improvável cetro mundial do terceiro classificado do ranking obrigaria ao seu triunfo conjugado com o colapso de Vilaça, que teria de ser sempre abaixo de 14.º, e de Matthew, sétimo ou pior.
A liderança robusta dá algum alento a Vasco Vilaça, porém este não tem sido feliz na derradeira prova da temporada – com pontuação reforçada em 25% -, com um registo irregular: foi 23.º em 2022, 15.º em 2023, 24.º em 2024 e apenas quinto em 2025, em Wollongong, Austrália, precisamente o resultado que agora lhe basta.
Já Matthew Hauser, que o ano passado foi campeão do mundo também em estafetas mistas, venceu, em casa, a final de 2025, sendo quinto em 2022, oitavo em 2024 e desistiu em 2023.
Esta época, o luso ganhou em Samarcanda (Uzbequistão) e Alghero (Itália) e foi segundo em Quiberon (França), Hamburgo (Alemanha) e Londres (Inglaterra), perdendo as duas últimas precisamente para o australiano, ambas ao sprint e por três segundos.
Hauser ganhou ainda em Yokohama (Japão), desistiu em Alghero e foi 10.º em Weihai (China) após nova queda no ciclismo, optando por falhar a posterior etapa checa de Karlovy Vary para se preparar da melhor forma para Pontevedra.
Com duas desvantagens, decididas ao segundo, nos últimos metros, Vilaça tem, assim, um desafio psicológico e outro desportivo, sendo que parte em posição privilegiada para fazer história e poder vingar-se do título mundial júnior que o australiano lhe sonegou em 2017.
Em Pontevedra reedita-se, com contornos algo distintos, a final de 2025, na qual o australiano foi primeiro e o português terceiro, com o brasileiro Miguel Hidaldo pelo meio: agora o ‘canarinho’ é quarto, com 3040,67, a somente 41,46 do surpreendente Ricardo Batista: o vencedor amealha 1250 pontos e depois a pontuação diminui 7,5% para cada posição.
Batista, com 3.082,13 pontos, está a distantes 767,87 de Vilaça, sendo que o pódio já será um feito para o atleta que foi terceiro em Alghero e Quiberon e que surge entre os candidatos a vencer em Pontevedra.
A ajudar os dois maiores pretendentes, João Nuno Batista, irmão mais novo de Ricardo, em 22.º, com 1734,41 pontos, e Miguel Tiago Silva, 58.º, com 596,83, já com resultados consistentes e que se apresentam como garante do futuro do triatlo português, que nas elites masculinas se apresenta como uma das delegações mais numerosas.
A má experiência do britânico Alex Yee em 2023 aconselha a prudência, pois o líder viu Dorian Coninx recuperar 511 pontos no desafio decisivo e roubar-lhe o título: após vencer em Quiberon e Karlovy Vary, o francês chega à Galiza em quinto da geral, a 831,20 pontos da liderança.
Para o triunfo em Pontevedra há ainda a ter em conta o britânico campeão olímpico Alex Yee e o neozelandês Hayden Wilde que, em 2025, juntamente com Miguel Hidalgo, foram os únicos a bater Vilaça e Hauser na mesma corrida.
Esta década tem sido pródiga em reviravoltas nas finais masculinas do WTCS, já que em 2021 Kristian Blummenfelt recuperou 39 pontos a Alex Yee, em 2022 Léo Bergère anulou 359 pontos para Wilde, antes de 2023 quando Coninx protagonizou a maior de todas as recuperações.
