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Triatlo: Vasco Vilaça diz que título mundial é fruto de “centenas de horas” de trabalho invisível

 Vasco Vilaça em ação
Vasco Vilaça em açãoSL Benfica

O triatleta português Vasco Vilaça considerou hoje que o título de campeão mundial conquistado, no domingo, em Espanha, é o resultado de um processo de vários anos, marcado por “centenas de horas” de trabalho invisíveis.

“Estamos aqui a falar de duas horas do meu trabalho, quando, na realidade, o trabalho foram centenas, senão milhares, de horas a preparar estes momentos”, indicou o atleta do Benfica, em entrevista à Lusa.

No escritório da marca de bebidas energéticas que o patrocina, em Lisboa, Vilaça, de 26 anos, reconheceu o peso de uma carreira construída em grande parte longe de Portugal, entre treinos, viagens e competições.

“É o trabalho que é feito, que não se vê, que é o trabalho realmente duro. E é o tempo que se passa longe das famílias”, realçou.

O triatleta natural da Amadora destacou a importância do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos para conseguir transformar o potencial que já demonstrava num rendimento mais consistente ao mais alto nível.

“Fui vice-campeão do mundo em 2020, mas não diria que era o segundo melhor do mundo nesse ano, porque foi num ano da pandemia de covid-19”, explicou Vilaça, que lembrou que esse Mundial foi disputado numa única prova, apesar de demonstrar “uma promessa enorme”.

O triatleta recordou que, embora há vários anos soubesse que, no seu melhor nível, era capaz estar entre os melhores do mundo, precisou de seis anos para transformar esse potencial num rendimento consistente ao longo de toda a temporada.

“Por muitos anos, já sabia que no meu melhor conseguia realmente estar entre os melhores do mundo, mas conseguir transformar o meu melhor dia de sempre, que esse nível se torne o meu ‘standard’ de todas as provas durante o ano inteiro, demorou estes seis anos realmente a construir”, afirmou.

A rotina do campeão mundial passa atualmente sobretudo por Font-Romeu-Odeillo-Via, nos Pirenéus franceses, e Girona, em Espanha, dois dos locais onde realiza a sua preparação.

Vilaça já soma cinco das 20 medalhas conquistadas por Portugal em Campeonatos do Mundo, uma de ouro, três de pratas e uma de bronze, quatro das quais em elites.

O triatleta tinha sido vice-campeão em 2020, em prova única em ano de covid-19, bem como em 2023, na única edição em que houve mundial na distância de super-sprint: neste caso, em Hamburgo, na Alemanha.

Em 2025, Vasco Vilaça chegou à superfinal da Austrália em segundo lugar, disposto a destronar o australiano Matthew Hauser, porém foi quinto e saiu de Wollongong um degrau abaixo, com o terceiro lugar nos Mundiais.

A histórica rivalidade com Hauser, campeão em 2025 e que defendia o cetro em Pontevedra, começou em 2017, quando este sonegou ao português o título mundial júnior.

Apesar do título mundial, Vilaça já colocou a medalha olímpica como o próximo grande objetivo.

“Neste momento é a única coisa que está acima de ser campeão do mundo, (...) é realmente o ‘next step’ (próximo passo, em tradução simples) numa carreira, uma medalha olímpica”, disse, referindo-se aos Jogos Olímpicos Los Angeles em 2028.

Vasco Vilaça reconheceu a dificuldade da missão nos Jogos Olímpicos, lembrando que ao contrário do Mundial, tudo se decide numa única prova.

“Durante duas horas tudo pode acontecer”, sublinhou, acrescentando que os próximos dois anos serão orientados para competição que se realiza no estado norte-americano da Califórnia.

No domingo, Vilaça sagrou-se campeão do mundo de triatlo de elites, tornando-se o primeiro português a conquistar o título, ao terminar na segunda posição na superfinal disputada em Pontevedra, em Espanha.

Com o título, Vilaça igualou o feito de Vanessa Fernandes, campeã mundial de elites em 2007.

Com o triunfo de Hauser na etapa galega, Vilaça apenas precisava de terminar em quinto para assegurar o título, relegando o australiano para o segundo lugar do Mundial.

Já o luso Ricardo Batista foi quarto na superfinal, um resultado que lhe permitiu terminar o Mundial na terceira posição, reeditando o bronze de Vilaça no ano passado.

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