“É para isso que tudo está a afunilar, para chegar lá nas melhores condições possíveis. Vão ser os Jogos em que supostamente estou no meu pico de carreira. Este ano correu muito bem. O objetivo é continuar a aprender e a competir ao lado dos melhores do mundo para chegar a LA2028 em condições de estar no topo do Everest”, vincou, em declarações à Lusa.
Vasco Vilaça cumpriu no domingo o sonho de ser campeão do mundo, em Pontevedra, ESpanha, numa prova em que se destacou o trabalho de equipa de Portugal, que teve Ricardo Batista igualmente no pódio mundial, com a medalha de bronze: o irmão João Nuno Batista foi 11.º e Miguel Tiago Silva 19.º.
“Nesta finalíssima mostrámos que somos um país que trabalha em equipa e que estamos mais do que preparados para lidar com a pressão, que somos sobretudo nós a colocá-la, para fazer as coisas acontecer. Temos uma equipa preparadíssima para lutar nos Jogos Olímpicos sob pressão. As coisas podem correr bem ou mal, mas eu e o Ricardo já tivemos uma experiência em Paris-2024 que acho nos vai ajudar muito a preparar Los Angeles-2028”, disse, recordando os quinto e sexto lugares da dupla em França.
O amadorense de 26 anos contabiliza já cinco das 20 medalhas de Portugal em mundiais – um ouro, três pratas e um bronze, quatro das quais em Elites – e congratula-se por ser já parte relevante do sucesso da modalidade no país.
“Nem conhecia a estatística dos mundiais, que mostra que realmente já sou uma grande parte da história do nosso triatlo português, mas também representa que somos uma equipa. Que o meu primeiro lugar no Mundial não tire valor à época incrível que o Ricardo Batista fez”, reforçou, sempre valorizando os companheiros.
Vasco Vilaça focou-se totalmente para a finalíssima, na qual lhe bastava ser quinto para ser campeão, com mais de um mês em estágio em altitude, onde imaginou que as lágrimas fariam parte do cenário, algo que, confessa, só aconteceu hoje de manhã, um dia após todas as emoções.
“Quando estava em Font Romeu, achava que não ia conseguir aguentar as lágrimas. Domingo, não tive o meu momento e a minha calma para poder absorver o que estava a passar, sentir realmente as emoções do que tinha feito. Só hoje de manhã, na minha calma, no meu espaço, isso aconteceu. Realmente posso dizer que saíram algumas lágrimas e tive o meu tempo finalmente para processar o que finalmente tinha conseguido fazer…”, confidenciou.
De Pontevedra levou a medalha de ouro do mundial, que valorizou as quatro melhores etapas mais a superfinal, e a prata precisamente da última prova, que tinha pontuação reforçada, ainda assim entende que os dois metais que carregou ao peito são apenas “lembranças bonitas, pois o feito único é o que realmente toca e fica na história”.
“Não interessa quantos anos vão passar e quantos campeões do mundo, pois eu sou um deles”, ilustrou.
Assumiu ainda que o “foco” é uma das suas principais armas e o que o fez controlar as “emoções” nos últimos meses, além de que “ter o destino nas mãos” é o modo que prefere a viver o desporto.
Assumiu que voltou a ouvir “We Are the Champions”, dos Queen, desta vez depois da prova, e terminou a destacar o “excelente trabalho e apoio incansável da federação”, destacando o presidente Fernando Feijão e o diretor técnico nacional Bruno Salvador.
