“Como instituição que representa mais de 850 clubes de futebol, cujos membros, jogadores e comunidades são os intervenientes fundamentais do futebol em todo o mundo, em especial nas provas de FIFA, incluindo todas as competições internacionais de clubes, o adequado seria que a EFC fosse consultada”, referiu o organismo.
A EFC, cujo presidente está à frente do bicampeão europeu Paris Saint-Germain, membro do Comité Executivo da UEFA, lamentou ainda ter tido conhecimento da ideia proposta por Gianni Infantino, presidente da FIFA, pela imprensa.
“Tive conhecimento desta proposta da mesma maneira que a maioria dos intervenientes do futebol mundial: sem aviso prévio e através dos meios de comunicação”, indicou ainda o dirigente, em comunicado de imprensa.
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Al-Khelaifi acrescentou ser necessário “uma consulta mais rigorosa sobre as questões que envolvem o ecossistema do futebol, juntamente com a implementação de processos de gestão mais rigorosos e transparentes”, de modo a proteger a modalidade.
No meio de toda a polémica, já esta quarta-feira o jornal britânico The Times avança que o presidente da FIFA deu um prazo de 53 dias às 211 Federações-membro do organismo, das quais faz parte a Federação Portuguesa de Futebol, para que aceitem, a troco de alguns milhões de euros, o modelo que quer implementar.
Na terça-feira, a FIFA anunciou o objetivo de angariar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações dos Mundiais a privados, com a intenção de aumentar o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares (nos próximos anos, através de uma nova estrutura comercial cuja criação depende da aprovação da maioria das 211 Federações-membro e do Conselho da organização).
Segundo o organismo liderado por Gianni Infantino, a proposta passa pela criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária integralmente detida pela FIFA que reunirá os direitos comerciais da entidade.
Através desta estrutura, a FIFA pretende captar até 4,2 mil milhões de dólares junto de investidores privados, mediante a venda de participações minoritárias (de 20%) e sem controlo na FFE, avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares.
Para operacionalizar o projeto, a FIFA estará a trabalhar com o banco J.P. Morgan, figurando entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner - irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cuja administração já terá sido consultada sobre este plano.
Entretanto, a onda de reações ao modelo que Infantino pretende implementar, com a subsidiária e participação de privados, tem originado preocupações e críticas no mundo do futebol, mas não só.
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A UEFA, a confederação mais importante, que integra as federações europeias, referiu que ninguém é proprietário do futebol e que não compete à FIFA vendê-lo, a CONCACAF (América do Norte, Central e Caraíbas) disse estar preocupada com o processo e a AFC (Ásia) reconhece a necessidade de novas abordagens, mas pede transparência.
Outros críticos, na mesma tónica de preocupação na governação da FIFA, são a Federação inglesa (FA) e a Federação Francesa (FFF), enquanto o vice da Federação alemã (DBF), Hans-Joachim Watzke, considera ser “um ataque direto ao futebol”.
Nos quadrantes políticos, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, referiu que “o futebol não pertence aos investidores”, o comissário europeu Glenn Micaleff disse que as propostas “levantam questões sobre a lei da concorrência” e os membros democratas da Câmara dos Representantes nos Estados Unidos falam da promiscuidade entre Infantino e Trump.
“Parece que o falso Prémio Nobel da Paz e o gigantesco contrato de arrendamento com a Trump Tower não foram suficientes. Agora, Gianni Infantino está a tentar um hat-trick, ao procurar um acordo multimilionário com o irmão de Jared Kushner para vender parte dos direitos comerciais do Mundial a investidores privados. Os interesses dos oligarcas e das grandes empresas vão agora manchar ainda mais a beleza deste jogo”, referem os democratas.
