"A nossa posição é muito clara: o COI não vai organizar o boxe em Los Angeles sem um parceiro fiável", afirmou o dirigente alemão na sua última aparição antes do final dos Jogos de Paris, no domingo. A decisão será tomada "no próximo ano", idealmente no primeiro semestre, sem dar um prazo mais preciso.
O COI teve de confiar a um grupo de trabalho a organização dos torneios olímpicos de boxe nos Jogos de Tóquio em 2021 e depois nos Jogos de Paris, depois de ter suspendido o reconhecimento da Federação Internacional de Boxe (IBA), em 2019, devido a uma série de problemas de governação.
Dirigida desde o final de 2020 pelo russo Umar Kremlev e financiada em grande parte pela gigante do gás Gazprom, a IBA nunca mais regressou ao seio olímpico e a cisão foi definitivamente consumada no ano passado, quando o COI retirou o reconhecimento olímpico.
A guerra latente entre os dois organismos chegou ao auge nos Jogos de Paris por causa de duas atletas, a argelina Imane Khelif e a taiwanesa Lin Yu-ting, que foram desqualificadas pela IBA com base em "testes de género" não especificados. Thomas Bach voltou a insistir na sexta-feira que "as mulheres devem ter o direito de participar em competições femininas" e que estas duas pugilistas "são mulheres".
Mesmo antes desta polémica, o COI já tinha repetido há um ano que não organizaria um terceiro torneio olímpico consecutivo de boxe, condicionando a manutenção da nobre arte no programa olímpico à emergência de uma nova federação internacional.
Lançada por iniciativa dos Estados Unidos, a recém World Boxing iniciou em maio conversações com a organização de Lausanne para assumir a tocha olímpica do boxe, mas tem dificuldade em conquistar as federações nacionais, para quem a IBA oferece mais garantias financeiras. Por isso, no final de maio, o COI foi duro, avisando que "qualquer pugilista cuja federação nacional seja membro da IBA não poderá participar nos Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles", uma ameaça particularmente dissuasora.
"Se as federações nacionais querem que os seus atletas possam ganhar medalhas olímpicas, devem organizar-se em torno de uma federação internacional fiável e com boa governação", reiterou Thomas Bach na sexta-feira.
