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Os encarnados perderam em Cascais (28-14), mas negaram o ponto de bónus ofensivo ao adversário (4-2 em ensaios), o que foi suficiente para segurarem o primeiro lugar da fase de apuramento do campeão da Divisão de Honra, com 34 pontos, mais um do que os cascalenses.
Foi o segundo match point para as águias, que podia ter feito a festa em casa, há uma semana, mas empataram com o CDUL (27-27) e permitiram que o Cascais tivesse uma palavra a dizer na última jornada.
Mas o resultado de hoje permitiu ao Benfica voltar a festejar, após um quarto de século onde viveu alguns dos períodos mais delicados da sua história, incluindo duas passagens pelo segundo escalão competitivo nacional (de 2013/14 a 2016/17 e em 2018/19).
Pioneiro da introdução do râguebi em Portugal, e clube que há mais tempo mantém a secção em atividade ininterrupta, o Benfica, que em 2001 somou o nono título do seu historial, metade dos que detinha, então, o CDUL (atualmente com 20), viu-se ainda ultrapassado, neste período, pelo Direito (12) e pelo Belenenses, cujos 10 títulos igualou com a conquista de hoje.
As águias sucederam, precisamente, aos azuis, que no último ano tinham consumado a ultrapassagem ao rival de Lisboa com a conquista do seu primeiro bicampeonato e foram, nesta temporada, a única equipa capaz de derrotar duas vezes o novo campeão nacional, que sofreu hoje apenas o terceiro desaire da temporada.
A primeira derrota da equipa orientada por António Aguilar ocorreu na última jornada da fase de grupos da Divisão de Honra, por 24-12, quando já tinha assegurado a qualificação para a fase de apuramento do campeão no grupo da morte, que incluía, além do Belenenses, outro potencial candidato ao título, a Agronomia.
As vitórias sobre RC Santarém (62-21 e 85-0), Agronomia (20-16 e 23-22) e Belenenses (41-17) asseguraram a passagem e deixaram de fora os agrónomos na primeira fase da Divisão de Honra, disputada em três grupos de quatro equipas, nos quais apenas os dois primeiros se apuravam para a discussão do título.
Na fase decisiva, os encarnados foram surpreendidos pelo Belenenses (13-6), em casa, logo na segunda jornada, já depois de terem vencido outro candidato, o Direito (25-13), em Monsanto, mas arrancaram, depois, para uma série de sete jogos sem perder, com seis vitórias e um empate, decisivos para a conquista do título.
São Miguel (29-0, fora), CDUL (33-27, fora), Cascais (42-28, casa), Direito (24-17, casa), Belenenses (21-5, fora), São Miguel (38-7, casa) e CDUL (27-27, casa) foram as vítimas, antes da derrota com sabor a título frente ao Cascais, único adversário se manteve até hoje na luta pelo título.
O 10.º título de campeão nacional de râguebi resulta de uma aposta forte do clube da Luz na modalidade desde o seu último regresso ao escalão principal, tendo em vista o sucesso no ano do centenário da secção, em 2024.
Os encarnados acabaram por não o conseguir há dois anos, quedando-se pelas meias-finais, na última época em que o título de campeão foi decidido por eliminatórias, após uma fase regular, e numa final.
Na temporada passada (2024/25), iniciada ainda no ano do centenário da secção, e com o campeonato a voltar a premiar a regularidade, abdicando da fase a eliminar, as águias acabaram por desiludir e não passaram do quinto lugar.
Porém, nesta época, após uma aposta certeira nas contratações internacionais e numa equipa técnica liderada pelos antigos internacionais portugueses António Aguilar (treinador principal) e Francisco Fernandes (treinador de avançados), o Benfica conseguiu, finalmente, voltar a festejar o título.
A conquista reabre-lhe, ainda, as portas dos palcos internacionais, onde voltará a disputar a Taça Ibérica, competição onde era, no ano da sua última conquista, também em 2001, o clube mais titulado, com quatro troféus.
Entretanto, viu-se ultrapassado pelos espanhóis do VRAC (oito) e do El Salvador (cinco), além de ser igualado pelo Santboiana, também de Espanha, e pelo Direito.
Apesar da crise vivida no último quarto de século, o Benfica é, ainda, um dos clubes mais titulados no râguebi português.
Além dos quatro títulos ibéricos, soma, agora, 10 campeonatos nacionais (1960, 1961, 1962, 1970, 1976, 1986, 1988, 1991, 2001 e 2026) e nove Taças de Portugal (1961, 1965, 1966, 1970, 1972, 1975, 1983, 1984 e 1985).
