“Eu queria vir aos Jogos do Mediterrâneo. Eu acho que fiz mesmo muita força com a minha federação. ‘Quero mesmo ir lá, porque eu não sei quando é que vão ser os próximos em que poderei estar presente’. Eu queria muito estar presente nestes. Felizmente, estou aqui. Mas sair daqui com um ouro é tão satisfatório, juro. Estou tão feliz”, confessou, em declarações à agência Lusa.
No entanto, Irina Rodrigues nem precisava de o ter mencionado, uma vez que a sua felicidade ‘inundou’ a zona de entrevistas rápidas, com a lançadora a mostrar um sorriso imenso após alcançar o ouro em Taranto2026.
“Fico tão contente, porque é possível continuar a fazer boas competições não tendo clube, trabalhando, estudando. E eu acho que este ouro trouxe-me isso. Trouxe-me esta sensação de que ‘ok, ainda bem que tu continuaste, e que as coisas estão a correr bem, porque realmente tu persististe, e continuaste a treinar’”, sublinhou.
Quarta em Tarragona-2018, a médica de 35 anos quis vingar esse resultado na cidade italiana, fazendo 62,51 metros no segundo lançamento, com a marca a bastar para alcançar o título, num concurso em que a italiana Daisy Osakue foi segunda, com 60,96, e a turca Ozlem Becerek fechou o pódio, com 60,18.
“Eu pensei (que chegava para o ouro), mas depois tive de ser um bocadinho humilde, porque depois podia-me escapar ali no último ensaio. Uma pessoa não sabe”, disse bem-disposta.
Irina Rodrigues concilia a carreira de atleta e a de médica, admitindo que tal só é possível “na base de algum sofrimento”.
“Um grande beijinho ao centro de saúde da Praia da Vitória, porque eu tenho a melhor orientadora de sempre, de medicina geral e familiar, e a equipa é incrível. E é o que me permite estar aqui hoje, e poder treinar, e poder lutar por estas medalhas. Quando temos entidades empregadoras que entendem a nossa carreira dual, é meio caminho andado”, defendeu.
Três vezes olímpica – qualificou-se quatro vezes, mas não chegou a competir no Rio-2016 por se ter lesionado na véspera da prova -, a nona classificada em Paris-2024 vê o ouro conquistado como “muito importante” na caminhada rumo a Los Angeles-2028.
“Ainda o tenho que processar, porque, honestamente, eu estava em terceiro lugar no ranking (do concurso), mas chegando aqui e ganhando penso ‘I still have this’, eu ainda sou capaz. E deu-me força, deu-me motivação até, para encarar a próxima época e o caminho para daqui a dois anos”, reforçou.
Irina Rodrigues quer “mesmo muito” estar em Los Angeles e também alcançar o diploma que lhe escapou nos últimos Jogos Olímpicos.
“Tenho de ir buscar aquele rancinho, aquela raivinha de Tarragona, para Los Angeles”, brincou.
