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Ténis: Cirurgião aconselha paciência a Alcaraz enquanto recupera de lesão no pulso

Alcaraz durante um treino
Alcaraz durante um treinoCLIVE BRUNSKILL / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

Impedido de participar nos Masters 1000 de Montreal e Cincinnati, que se disputam em agosto, o astro espanhol Carlos Alcaraz tem de ter aciência para recuperar de uma lesão no pulso que é "muito frequente" entre tenistas e que, se se tornar crónica, pode exigir cirurgia, explicou à AFP Christophe Mathoulin, cirurgião especialista da mão e do pulso.

- Alcaraz, que não compete desde abril, voltou a adiar o regresso devido a uma lesão no pulso direito. A imprensa espanhola falou numa tenossinovite, do que se trata?

O termo tenossinovite, por si só, não significa nada, quer dizer inflamação de um tendão... Em geral, a mais conhecida é a chamada tenossinovite de De Quervain, que é a inflamação do tendão abdutor longo do polegar.

Não conheço o historial de Alcaraz, mas normalmente, os tenistas deste nível sofrem ruturas do ligamento triangular. É o ligamento que liga o cúbito ao rádio (ossos longos que formam o antebraço), por isso muitas vezes o diagnóstico confunde-se com uma tenossinovite do extensor carpi ulnaris (músculo do antebraço que permite estender e mover o pulso do lado do dedo mindinho). Já operámos muitos jogadores por esse motivo.

- Estas lesões devem-se à repetição de um movimento?

Não, não necessariamente. Pode ser um acidente porque o jogador fez um smash demasiado forte ou um golpe numa má posição. Eles têm pancadas absolutamente diabólicas, com uma potência que nada tem a ver com a forma como nós jogamos ténis.

- Como se diagnosticam estas lesões?

Uma simples lesão do ligamento triangular diagnostica-se eventualmente através de ressonância magnética, mas sobretudo é a artroscopia que permite fazer o diagnóstico e o tratamento ao mesmo tempo, e resulta muito bem. Ambos (a lesão do ligamento triangular e a tenossinovite de De Quervain) são diagnósticos relativamente fáceis de estabelecer.

"Não há motivo para não se conseguir recuperar"

- Como se tratam?

O tratamento depende de cada jogador; pode passar pelo repouso, mas se se tratar de uma lesão do ligamento triangular, é necessário repará-la e isso faz-se no hospital através de técnica artroscópica. Se o jogador for operado, no caso de uma lesão do ligamento triangular, é preciso um mês e meio de imobilização rigorosa, início de uma reabilitação suave e nada de regresso ao ténis de competição antes de três a seis meses. Estas lesões por vezes demoram a recuperar.

- E se o problema se tornar crónico?

Se o jogador tiver uma tenossinovite repetitiva ao nível do abdutor longo (tenossinovite de De Quervain), isso é muito mais incómodo, porque significa que seria necessário operá-lo para alargar a sua polia (estrutura fibrosa situada na bainha por onde deslizam os tendões do dedo), mas pode chegar-se a tratar.

- Alguns jogadores de destaque como Juan Martín del Potro ou Dominic Thiem viram a sua carreira condicionada por lesões no pulso e acabaram por pendurar a raquete. Acontece que, por vezes, não se consegue recuperar?

Não há motivo para não se conseguir recuperar. Muitas vezes, também se retiram por outras razões: o cansaço ou o stress da competição.

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