A conversa aconteceu logo após a sua eliminação na estreia do WTA 1000 de Madrdi, na semana passada. Bia deu detalhes sobre o seu novo técnico, sobre o momento psicológico que atravessa e as mudanças na rotina para retomar o caminho das vitórias.
A brasileira revelou que mantém “algumas coisas” da parceria com o ex-treinador Rafael Paciaroni, e que precisa de se entrosar mais com o técnico Carlos Martinez.
“Falta conhecermo-nos um pouco mais pessoalmente, ele entender melhor como a minha cabeça funciona nos jogos e fora da quadra", afirmou.
Bia Haddad explicou que Carlos Martinez sempre foi a sua primeira opção após o fim da longa parceria com Paciaroni.
“Alguns treinadores contactaram-me quando parei de trabalhar com o meu ex-técnico, mas a primeira pessoa que procurei e liguei foi o Carlos. Naquele momento, ele estava a trabalhar com a Loïs Boisson, então viajei algumas semanas sozinha, esperando para ver o que acontecia. Tentei contacto com outros, mas sempre esperei que o Carlos pudesse dar-me uma resposta", afirmou.
“O que eu quero é que me tirem da minha zona de conforto, que me façam fazer coisas que eu não estava a fazer, que me digam a verdade e falem com honestidade. O Carlos trabalha muito duro", acrescentou a tenista paulistana.

Fase negativa
Sobre a queda no ranking e a má sequência de resultados (2 vitórias e 10 derrotas), a atual número 69 do mundo respondeu que “o ténis não se esquece, mas existem muitas coisas que acontecem na vida”.
“Agora mesmo estou num processo muito pessoal, preciso de me conhecer mais profundamente — as coisas que quero, o que passei e os traumas que carrego. Sou uma pessoa muito apaixonada no dia a dia, a minha energia está sempre acima de 100%, e às vezes tenho de baixar um pouquinho para não cair na ansiedade. Costumo pecar mais por esse excesso do que pela apatia. Agora estou num momento de autoconhecimento", contou.

Bia também revelou que, mesmo quando estava no top 10, nunca se sentiu “a pessoa mais segura".
“Sempre tive os meus nervosismos, as minhas dúvidas, como qualquer outro tenista. Agora sinto-me com um pouco menos de confiança, é a consequência de não estar a ganhar muitos jogos, especialmente comparado aos meus registoos de há alguns anos. Hoje vejo a derrota de outra forma, embora saiba que preciso da vitória para me confirmar; preciso me ver a ganhar jogos. Não quero comparar o meu nível de ténis atual com o de antes, agora o mais importante é estar preparada para quando as oportunidades aparecerem", analisou.
No entanto, a brasileira garantiu que jamais duvidou da sua capacidade.
“Quando perdes e sais do torneio, ficas triste. Quando chegas ao hotel, certos pensamentos são inevitáveis, mas sempre tentei ser positiva. Na minha cabeça, guardo tudo de bom que conquistei para mim e para o meu país, todas as portas que abri, gerando novos torneios, surgindo mais jogadores juvenis, aumentando o apoio em toda a estrutura. Acredito que levei o ténis a outro nível no meu país, então sinto muito orgulho de tudo o que fiz. O ténis é assim, é duríssimo; se fosse fácil, todos seriam top 10”, afirmou.
“Tenho vontade de estar no topo novamente. É um desafio pessoal. Mantenho ainda o maior sonho possível: ganhar um Grand Slam. Isso move-me e motiva-me. Mas não, nunca me maltratei depois de um jogo negativo ou de uma derrota", explicou Bia Haddad.
Longe do Instagram
A canhota de 29 anos revelou também que não está em nenhuma rede social: “É uma das mudanças que estou a fazer, só uso o WhatsApp para falar com a minha família. Neste momento de transição, decidi apostar numa nova equipa e numa nova vida. Já estou há mais de um mês sem abrir o Instagram."
Ex-nova Sharapova?
Quando questionada sobre a pressão na imprensa brasileira, Bia Haddad lembrou que foi comparada à lenda russa Maria Sharapova, ex-número 1 do mundo.
“Desde pequena diziam-me que eu seria a nova Sharapova, comparavam-me com as melhores. Por sorte, a minha família sempre me ajudou a manter os pés no chão, ensinaram-me a trabalhar e a perder, até que cheguei à Academia do Larri Passos. Lá empurraram-me para a Europa porque o ténis estava mais aqui e não na América do Sul; disseram que, se eu ficasse lá, seria apenas mais uma e não cumpriria as expectativas de todos os brasileiros", contou.

Pressão sobre João Fonseca
Por fim, a número 1 do Brasil opinou sobre o momento do compatriota João Fonseca: “Acho que o mais importante é ele estar num ambiente onde possa seguir o seu desenvolvimento e somando dia a dia. Sabemos que o ténis não é uma corrida de 100 metros, mas uma maratona, então cabe trabalhar até o prémio chegar. Talvez não saia em Madrid, nem em Roma, nem em Roland Garros. Talvez não saia em Wimbledon, nem Toronto, nem Cincinnati... mas talvez no US Open. É preciso ter paciência. Quem joga ténis conhece o talento que o João tem.”
Bia Haddad disputa esta semana o WTA 125 da Catalunha.
