- Bem-vinda a Praga e à República Checa! Como está a gostar deste país tão bem-sucedido no ténis?
É a minha primeira vez aqui. E já tive oportunidade de explorar um pouco. Estou cá há alguns dias e é realmente lindo. Hoje posso dizer que talvez seja uma das minhas cidades preferidas de sempre. E também – tem razão, todas as jogadoras checas são mesmo muito fortes em campo.
- Defrontou uma delas na primeira ronda. Como foi jogar contra Laura Samson?
Nunca a tinha encontrado em campo, mas sabia que ia ser difícil. Especialmente no segundo set, ela jogou de forma incrível; estava mesmo a dar tudo. É muito forte; obrigou-me a ajustar algumas coisas e tive de trabalhar muito para vencer.
- Escolheu o Prague Open por algum motivo? Ou alguém lho recomendou?
Depois de Wimbledon, queria voltar aos courts rápidos e também ficar mais algum tempo na Europa. Nunca tinha estado aqui e adoro descobrir novos sítios. Toda a gente a quem perguntei disse-me que Praga é uma das cidades mais bonitas do mundo. Por isso pensei: 'Bem, tenho de ir ver com os meus próprios olhos'. E sim, tinham razão!
- Há algumas semanas, teve a honra de jogar contra Serena Williams no seu regresso. Olhando para trás, o que diria hoje sobre esse encontro?
Acho que o jogo contra a Serena ajudou-me imenso. Em particular, deu-me mesmo muita confiança. Provavelmente todos os jogadores passam por isto em algum momento da carreira, mas tive um início de ano muito difícil e uma série longa de derrotas. E depois surgiu este desafio... No fim, consegui vencê-la. E esse jogo fez-me acreditar que podia voltar a ganhar.

- E para além do resultado? Que emoções sentiu ao entrar no Court Central de Wimbledon frente a uma verdadeira lenda?
Foi uma experiência surreal! O que posso dizer? Mas acho que foi ali que provei a mim própria que podia voltar a jogar a um nível elevado.
- Aqui em Praga é um pouco diferente. Começou num court pequeno junto ao rio Vltava, à sombra da enorme arena. Quão grande é essa diferença?
Oh, não me incomodou nada. Em muitos torneios não há grandes arenas. Por isso, até foi bom não haver tanta atenção à volta de um só jogo. E ao mesmo tempo, havia bastantes pessoas nas bancadas, por isso o ambiente estava ótimo. Gostei mesmo muito. Mas tem razão, a arena principal aqui é mesmo enorme.

- Mas voltemos à sua história. Sempre esteve próxima do ténis desde pequena? Sabe-se que o seu pai foi um dos melhores jogadores de squash...
Acho que sim. Ambos os meus pais jogaram desportos de raquete quando eram jovens. E o meu pai foi jogador profissional de squash, por isso penso que herdei algum talento dele. Mas, sinceramente, não sei como me sairia numa caixa de squash. Na verdade, nunca joguei. (risos)
- Começou a jogar ténis na universidade, mas isso também a limitou. Quando chegou à 2.ª ronda do US Open 2024, como estudante com bolsa, não pôde receber o prémio de 150.000 dólares. Como ficou essa situação? Chegou a receber esse dinheiro?
Não, de todo. Nunca recebi esse dinheiro...
- Foi por isso que deixou os estudos e passou a jogar ténis profissionalmente?
Sempre quis ir para a universidade, mas na verdade estudei sempre online. Nunca fui fisicamente à escola. Pode parecer estranho, mas queria mesmo ter a experiência de ir às aulas, estar entre pessoas que querem aprender, levar livros para a sala. Mas chegou um momento em que percebi que o meu ténis estava a um nível em que devia dedicar-me a ele profissionalmente.
- Arrepende-se disso?
Não, encontrei outra solução. Graças à WTA, continuo a estudar na universidade online; existe um programa para isso. Escolhi direito penal e é muito interessante. Queria aprofundar algo de que gostasse e que não me aborrecesse.

- É natural do Michigan, EUA. Kimberly Birrell nasceu em Düsseldorf, Daria Kasatkina na Rússia, e Ajla Tomljanovic é originalmente croata. Cada uma de vocês vem de uma parte diferente do mundo – como é representar a Austrália todas juntas?
Ah, sem dúvida! A nossa equipa australiana é mesmo especial. É como outra família para mim, a sério! É um grupo de amigas muito unido. Passamos tempo juntas, vamos jantar fora. Sempre que jogamos, divirto-me imenso. Adoro mesmo o ambiente de equipa; acho que é o melhor do mundo (risos).
E mesmo quando não estamos a jogar partidas da Billie Jean King Cup, mantenho-me em contacto com as raparigas. Temos um grupo no WhatsApp e enviamos sempre mensagens umas às outras depois dos jogos.
- Hoje está a jogar num local ligado à Billie Jean King Cup... Para os checos, Stvanice, casa do Prague Open, é um sítio icónico. Há 40 anos, na então Federation Cup, a emigrante Martina Navratilova apareceu aqui pela primeira vez em muito tempo, desde que desertou para os EUA. Já ouviu falar da sua história?
Sinceramente, tenho de admitir que não conhecia. Mas talvez esteja na altura de aprender algo novo...
- Nenhuma australiana venceu ainda o torneio em Praga, mas Tomljanovic e Samantha Stosur foram ambas finalistas nos últimos anos...
Hoje passei pela parede onde estão documentados os sucessos checos e foi bom ver algumas australianas entre os nomes checos. Por isso, vamos ver o que acontece esta semana!
