Recorde aqui as incidências do encontro
Num Court Philippe-Chatrier com bancadas bem compostas apesar da hora tardia e do calor, o parisiense de 39 anos perdeu por 6-2, 6-3, 3-6, 2-6, 6-0 ao cabo de um último combate de mais de três horas. Semifinalista de Roland-Garros em 2008 e antigo número 6 mundial, o favorito do público francês já tinha anunciado no outono que a época de 2026 seria a sua última no circuito ATP.
Desde o início, Gaston impõs ténis de artista, multiplicando amorties que expuseram a mobilidade limitada de Monfils. Fez o break para 3-1 no primeiro set, Monfils ainda tentou reagir e aproximou-se no 4-2, mas Gaston manteve-se firme e fechou o parcial em 6-2, concluindo mesmo com o serviço do adversário.
O segundo set segue o mesmo guião: Gaston dominou, voltou a quebrar e impõs o seu ritmo para conquistar o parcial por 6-3. Dois sets a zero, o Philippe-Chatrier prendeu a respiração.
O veterano renasce, o público entusiasma-se
É aí que começa a reação de Monfils. Impulsionado por um público totalmente do seu lado, que sabe que cada ponto pode ser um dos últimos, La Monf reencontrou uma nova juventude. Venceu o terceiro set por 3-6, apoiando-se na potência do primeiro serviço e recorrendo também a amorties para surpreender Gaston. A dinâmica do encontro inverteu-se.
O quarto set transformou-se num recital para Monfils. Gaston desmoronou, sofreu o duplo break e cedeu por 2-6. Um quinto set, já depois das 23:00 locais (22:00 em Lisboa), decidiu o desfecho deste encontro e talvez da carreira de Monfils em Roland-Garros.
Não houve reviravolta para Monfils
Gaston demorou nos balneários antes de iniciar o set decisivo. Regressou transfigurado. Entretanto, Monfils chamou os médicos para o primeiro desconto de tempo médico da noite. O cansaço, finalmente, começou a notar-se no corpo do veterano de 39 anos.
Gaston somou jogos a uma velocidade impressionante: um jogo em branco logo de entrada, depois o break, seguido do duplo break para 4-0, com Monfils a cometer até uma dupla falta que agravou a sua situação. Aos 5-0, surgem três match points. Monfils salvou dois no serviço, com toda a garra que lhe é reconhecida, antes de uma resposta para fora selar definitivamente o seu destino. Hugo Gaston tornou-se o primeiro francês a bater Gaël Monfils em Roland-Garros.
"Há alegria, mas penso que há muito mais tristeza para o Gaël, lamento mesmo por ti", saudou Gaston ao seu adversário do dia, elogiando a sua carreira "incrível".
"A certa altura quis mesmo jogar ténis, o meu pai acreditou, mas a minha mãe disse-me para continuar os estudos. Se puderem aplaudir os meus pais, porque é graças a eles que aqui estou", fez questão de agradecer Monfils após a exibição dos seus melhores momentos na terra batida parisiense.
Vencedor de 13 títulos ATP, Gaël Monfils despediu-se de Roland-Garros poucas horas depois do seu contemporâneo suíço Stan Wawrinka (41 anos), que também está a disputar a sua última época profissional e foi eliminado em quatro sets pelo neerlandês Jesper de Jong (106.º).
