Nos courts de relva, costumam destacar-se jogadoras com grande segurança nos golpes, um serviço potente e capacidade para jogar junto à rede. Este ano, o fator serviço tem sido talvez ainda mais determinante para Muchová do que se poderia imaginar.
Ao longo dos 11 sets disputados, a tenista natural de Olomouc já somou 36 ases, o número mais alto entre todas as semifinalistas. Logo atrás surge a sua compatriota Nosková, que conseguiu 32 em 12 sets.
Aqui, talvez se reflitam as características físicas. Muchová (1,80 metros) e Nosková (1,79 metros) têm uma ligeira vantagem em altura sobre Kostyuk e Coco Gauff (ambas com 1,75 metros).
No entanto, no caso de Muchová, é preciso destacar ainda a sua consistência e equilíbrio – em todo o torneio, cometeu apenas oito duplas faltas. Por outro lado, Gauff e Kostyuk apresentam saldo negativo nesta estatística: a norte-americana tem 25 ases contra 29 duplas faltas e Kostyuk 18 ases e 20 duplas faltas.
A ucraniana Marta Kostyuk serve de forma mais cautelosa; quando acerta o primeiro serviço, a percentagem de pontos ganhos é de apenas 55 %. Já Muchová (66,4 %) e Nosková (65,9 %) são mais de 10 % superiores neste aspeto.
O retorno como ponto forte de Kostyuk
Se se falou da fragilidade d Kostyuk no serviço, importa acrescentar que a jogadora ucraniana compensa as perdas com o seu retorno. Venceu 47,6 % dos pontos nesse capítulo, o valor mais alto entre as semifinalistas. O seu golpe de direita é especialmente notório. Já Muchová apresenta o pior registo neste parâmetro (42,4 %).
Kostyuk é também muito ativa junto à rede. Sobe com mais frequência do que as restantes (7,5 vezes por set). No entanto, a taxa de sucesso é "apenas" de 70 %. Coco Gauff conquistou mais pontos na rede (72), mas sobretudo porque disputou 14 sets e teve o percurso mais longo até às meias-finais.
E depois há Muchová. A sua eficácia "junto à rede" durante o torneio atingiu os 77 % – ou seja, das 79 subidas à rede, converteu 56 em pontos.
Os winners também são uma das armas de Muchová, que consegue em média 13,1 por set! Já Gauff (8,4) depende cada vez mais dos erros não forçados das adversárias (10,4 por set).
Nosková, por sua vez, permanece mais tempo na linha de fundo. O seu jogo agressivo compensa e as adversárias não conseguem responder à potência dos seus golpes. Em média, Nosková conquista 12 pontos por set devido a erros não forçados das rivais.
Os dados estatísticos dos jogos já disputados em Wimbledon dão assim grandes hipóteses às checas. Confirmar-se-ão as tendências e veremos uma final de Grand Slam totalmente checa?
